Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O site do G1 em 27 de abril de 2023 noticia que a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo havia registrado, até aquela data, o dobro de notificações de casos suspeitos de intoxicação por canabinóides sintéticos, do que todo o ano de 2022 e que a Prefeitura de São Paulo estava emitindo nota técnica de como tratar crianças e adolescentes que estavam em uso das drogas k. O IBGE divulgou em outubro de 2022 dados de uma década de informações sobre a saúde dos “escolares” (grupo de 13 a 17 anos) especificando “a experimentação ou exposição ao uso de drogas subiu de 8,2% em 2009 para 12,1% em 2019.” Até a data de escrita deste trabalho, a Prefeitura Municipal de Mauá não tinha dados a respeito do uso das drogas k. A equipe técnica do CAPS AD percebeu um aumento na incidência de casos de adolescentes e jovens atendidos no acolhimento e a escassez de atividades terapêuticas específicas a este público. Além disto, alguns destes casos atendidos trouxe-nos a informação do uso de canabinóides sintéticos (nome técnico das drogas k).
Objetivo Geral: Realizar tratamento humanizado e terapêutico, através de escuta qualificada (tratamento e reabilitação); Descrever a ação das drogas no organismo humano (promoção de saúde e prevenção) para o público de adolescentes e jovens, usuários de substâncias psicoativas, e suas famílias para que conheçam os riscos e complicações do uso. Específicos: – Propiciar discussões sobre as práticas de redução de danos; – Desenvolver espaços terapêuticos para cuidados em saúde integral; – Potencializar a escuta qualificada na reabilitação da saúde mental. – Articular o cuidado em saúde integral junto à Atenção Primária.
A experiência ocorreu no CAPS ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS no período de setembro de 2022 a outubro de 2023. O público atendido foi de adolescentes e jovens, entre 14 e 20 anos. No período de realização foram desenvolvidos grupos terapêuticos com frequência semanal e com duração de até 2 horas. O adolescente chegava no acolhimento, era agendado um atendimento de referência e logo a seguir seu caso discutido em reunião técnica para sua inserção no grupo. A média de participação eram de 3 a 10 pessoas, sendo a frequência um tanto imprevisível, considerando as características desta fase do desenvolvimento humano. Além disso, a visita domiciliar era um dos dispositivos constantes para acessar os adolescentes e jovens que deixavam de ir aos grupos e entender os motivos das ausências. A família tinha participação preponderante no acompanhamento, através de participação em grupos de família, bem como orientação parental individual, a depender da necessidade. Nos atendimentos eram verificados se o público-alvo conseguia desenvolver alternativas de eleição de suas escolhas e aplicação na direção de uma qualidade de vida (diminuição do uso de drogas, substituição no uso de drogas quanto aos efeitos nocivos – redução de danos, compreensão da singularidade das experiências com as drogas, estabelecimento de uma vida funcional). Os casos mais graves eram levados para reuniões de matriciamento no território de referência.
Foi possível perceber que no decorrer da realização dos grupos que os adolescentes e jovens eram participativos em aproximadamente 90% das atividades propostas; a participação não era potente em grupos que não havia a oferta de uma atividade direcionada. A reflexão e fala dos adolescentes derivava como consequência daquilo que se produzia a partir das dinâmicas realizadas. Durante as discussões foi possível identifica que a frequência não assídua e a adesão fragmentada dos jovens ao tratamento impediam que pudéssemos desenvolver com cada um alternativas específicas em relação às práticas de redução de danos no que tange ao uso das drogas. Entretanto, observamos que os adolescentes conseguiam realizar pequenas mudanças em suas vidas em poucas semanas, frequentando os grupos, como reposicionamento de atitudes em relação às suas famílias, retorno à escola, espaçamento na frequência do uso de substâncias psicoativas. Em relação ao uso das drogas K tivemos 3 adolescentes neste período de atendimento que deixaram de usá-las, diminuindo, inclusive, o uso das demais substâncias. Um destes adolescentes segue em acompanhamento no Território de referência e um outro adolescente, até a data da última visita domiciliar, estava sem uso de nenhuma substância.
concluímos que o trabalho desenvolvido com os adolescentes e jovens neste período foi de extrema importância e relevância, no sentido de propor lhes um lugar particular para o acolhimento de suas demandas e o desenvolvimento de alternativas para o tratamento e a reabilitação da saúde mental. O vínculo estabelecido entre seus pares foi essencial para que se motivassem neste processo. O acesso e a participação das famílias foram bastante escassos, uma vez que a busca espontânea de ajuda dava se apenas nos primeiros atendimentos e na realização das visitas; mesmo que orientadas na participação do grupo de segmento familiar, isto não ocorreu em nenhum dos casos acompanhados. A articulação com a Atenção Primária, principalmente nas reuniões de Matriciamento nos territórios de referência, tornou se um aliado potente para a continuidade do acompanhamento dos adolescentes e seus familiares. Temos uma expectativa de que trabalhos específicos com este público sejam desenvolvidos de forma mais constante, considerando as especificidades desta etapa do desenvolvimento humano e o aumento do uso de substâncias psicoativas cada vez mais cedo.
Adolescentes; Atendimento; Prática terapêutica.
Gisele Mestieri Gonçalves de Aguilar (principal), Lucila Maciel Neri, Cristiane Martins Pereira, Cristiane Martins Pereira