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O programa foi desenvolvido no município de Novo Horizonte/SP, no Projeto TEAcolher, com início em abril de 2025 e em continuidade. A proposta surgiu da necessidade de ampliar o cuidado às crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) que já fazem parte do projeto, aplicando as Práticas Integrativas e Complementares (PICs) associadas a fundamentos da neurociência e seu desenvolvimento e propriedades. O trabalho foi conduzido por nutricionista e terapeuta ocupacional, com foco na orientação aos pais como estratégia central de cuidado. A abordagem considera o organismo de forma sistêmica, compreendendo funções e níveis de suporte essenciais para o direcionamento aos pais como possibilidades de desempenho das tarefas aos seus filhos como; comunicar-se, aprender, produzir, socializar e interagir, através da Saúde Integrativa. O trabalho visa o olhar como um todo para com a criança, seu desenvolvimento funcional, vital, ambiental (epigenético), educacional e social, direcionando e possibilitando aos pais maior seguridade ao cuidado e aprendizado dos mesmos. A iniciativa fortalece os princípios do SUS, especialmente integralidade, promoção da saúde, cuidado centrado na criança e na família, com foco no atendimento acolhedor, afetuoso e humanizado, proporcionando bem-estar à família e planejamento futuro.
Promover cuidado integrativo e complementar às crianças com autismo por meio de abordagem interdisciplinar baseada na neurociência e na regulação sistêmica do organismo. Orientar pais quanto à alimentação saudável, manejo da seletividade alimentar, suplementação nutricional baseada em avaliação laboratorial de micronutrientes. Além de estratégias para favorecer o desenvolvimento neurofuncional, o desempenho das habilidades básicas, sensório-motor e comunicação, funções executivas, referente à aprendizagem, regulação, flexibilidade cognitiva, controle inibitório, memória operacional e interação social, favorecendo o potencial de cada criança manifestando o controle e bem-estar para ocorrer o neurodesenvolvimento e aprendizado por meio de diversas vivências com experiências aplicadas as práticas integrativas. A proposta tem como objetivo a capacitação dos pais para o treino da autonomia para formação de cidadãos.
O trabalho foi desenvolvido com a seleção de algumas mães por meio de atendimentos interdisciplinares e orientação parental contínua, onde foi feito anamnese, análise da rotina alimentar semanal, através do diário alimentar e o preenchimento do Protocolo Portage (Marco do Desenvolvimento) pelos pais. O objetivo nutricional foi realizar avaliação alimentar, investigação laboratorial de micronutrientes, prescrição de suplementação individualizada quando indicada e estratégias para ampliação do repertório alimentar em casos de seletividade alimentar. A terapeuta ocupacional atuou no desenvolvimento funcional e funções executivas, com intervenções voltadas às atividades de vida diária (AVDs), programação e organização da rotina, estimulação sensorial, suporte e organização para o desempenho educacional e social. As práticas foram fundamentadas na neurociência aplicada ao desenvolvimento infantil e na compreensão sistêmica das funções orgânicas e comportamentais. Os encontros foram realizados semanalmente para orientações de diversas áreas, focando no treino de hábitos alimentares saudáveis, aplicação de práticas integrativas, desenvolvimento sensório-motor, neurofuncional, suporte para as habilidades sociais e educacionais. Na escola, foi planejado cronograma de atividades, recursos voltados para o rendimento da disciplina e aprendizado no contexto escolar, desenvolvendo autocuidado e autonomia na realização das tarefas de competência pedagógica e social.
Observou-se ampliação do repertório alimentar e melhora na aceitação de novos alimentos em parte das crianças acompanhadas. A suplementação baseada em avaliação laboratorial contribuiu para melhora de parâmetros clínicos, orgânicos e comportamentais relatados pelos responsáveis. No aspecto funcional, houve evolução na autonomia nas atividades de vida diária (AVDs), maior organização das rotinas, avanços nas funções executivas, autonomia, demonstrando aceitação em permanência em grupos, iniciativa, interesses, participação social, educacional e evolução da comunicação (de palavras isoladas para frases curtas), resultando em melhor flexibilidade e aprendizado. As famílias relataram maior compreensão sobre a regulação sistêmica da criança e autosegurança no manejo das demandas diárias. Na escola, também foi relatado pelos professores avanço do comportamento, rotina e desempenho nas tarefas adaptadas. A atuação interdisciplinar com base em Práticas Integrativas e Complementares (PICS) e neurociência, possibilitaram a autoregulação e bom comportamento para a realização de tarefas direcionadas, ampliando a resolutividade do cuidado integral da criança e da família, melhorando o entendimento dos pais em relação a administração do aprendizado e o comportamento dos seus filhos, trazendo maior suporte para a articulação e desempenho da criança em diversas áreas e habilidades de seu desenvolvimento.
A experiência evidencia que as Práticas Integrativas e Complementares associadas à neurociência fortalece o cuidado interdisciplinar à criança com autismo e demais comorbidades no SUS. A abordagem sistêmica do organismo, aliada ao protagonismo familiar, favoreceu ganhos nutricionais; aumentando as escolhas alimentares e flexibilidade na aceitação de novos alimentos, funcionais, pois mediante a resultados cognitivos, percebendo melhor as atividades e como elas funcionam e sociais; mostrando maior interação e comunicação com o terapeuta, em grupos e com a família, viabilizando estratégias e respostas as tarefas proporcionadas. Destaca-se o potencial de consolidação da proposta como modelo ampliado de cuidado, integrando promoção da saúde, desenvolvimento global, cidadania e qualidade de vida. Assim, a saúde integrativa nos revela caminhos para o atendimento mais humanizado e inovador com diversas vertentes e alternativas para o cuidado no processo de desenvolvimento e aprendizado da criança, unificando o trabalho como uma tríade equipe, família e escola.
PIC, Nutrição, Saúde Integrativa, Autismo, TEA
ALESSANDRA CRISTINA FHILADELFO CECOTE, LAÍS RUIZ ROMERA, AMARILIS BIASI DE TOLEDO PIZA, NELSILENE APARECIDA DO AMARAL SEGANTINI