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Em 2006, foi aprovada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS. Atualmente, são 29 práticas, incluindo a auriculoterapia. A auriculoterapia estimula pontos na parte externa das orelhas usando sementes, esferas ou agulhas, tratando questões físicas e psicológicas como ansiedade, depressão, insônia, alergias, entre outras. Além de comprovado cientificamente o efeito positivo às doenças acima listadas, a auriculoterapia proporciona sensação de bem-estar e relaxamento, o que pode ser entendido como uma melhora também subjetiva. Em abril de 2022, após a capacitação pela Universidade Federal de Santa Catarina, de duas profissionais da Nova UBS Maringá, localizada em Jundiaí/SP, a prática foi incorporada nas consultas individuais, aumentando a busca espontânea pela auriculoterapia. Uma lista de interessados na prática foi criada com apoio das agentes comunitárias de saúde (ACS) e recepção para mensurar a demanda. Incorporou-se na listagem os usuários com sintomas leves de saúde mental,visando melhorar a interação social. A partir dessa lista e busca ativa, propôs-se a auriculoterapia, sessões grupais, apostando na interação social como promoção de saúde mental. Desta forma, devido ao número de interessados e da importância da coletividade nas relações e na qualificação da rotina, considerou-se a expansão da oferta por meio de sessões em grupo de auriculoterapia, a partir de fevereiro de 2023.
Disponibilizar a auriculoterapia ao maior número possível de usuários, reduzir o tempo de espera para acessar esta prática integrativa e promover espaço de cuidado em saúde mental por meio da interação social.
As sessões coletivas de auriculoterapia iniciaram com 30 usuários e uma equipe composta por farmacêutica, enfermeira e quatro ACS, posteriormente ampliada com a inclusão de uma psicóloga. Foram realizados quatro grupos de oito encontros semanais entre fevereiro e dezembro de 2023, com duração média de duas horas. As ACS organizaram o espaço e coordenaram o momento da aplicação da auriculoterapia distribuindo senhas aos usuários. Os encontros foram divididos em duas partes. Inicialmente, a psicóloga abordou temas de prevenção e promoção em saúde como atividades de vida diária, autoestima e autoavaliação de sintomas, proporcionando espaço para manifestação das queixas e suporte emocional. Na segunda parte, ocorreu a aplicação da auriculoterapia, registando-se a evolução de cada usuário em fichas individuais preenchidas de acordo com a queixa apresentada. A aplicação foi realizada com o paciente sentado, higienizando o local e aplicando sementes de mostarda fixadas com micropore. Os usuários foram instruídos a estimular os pontos e remover as sementes 24 horas antes do próximo encontro, relatando qualquer alergia ou desconforto. No último encontro, uma ficha de avaliação foi elaborada, incluindo questões sobre o motivo da procura, avaliação dos profissionais, satisfação com os resultados, indicação da prática a outras pessoas e sugestões. Essa avaliação permitiu compreender as razões que levaram os usuários à auriculoterapia e sua satisfação posterior.
Observamos que o grupo de auriculoterapia se tornou uma ferramenta essencial no cuidado. Atendemos 83,74% dos usuários na lista de espera (139), enquanto 27 não puderam participar devido a conflitos de horário ou falta de contato. Das avaliações realizadas, constatamos que 40% dos usuários procuraram a auriculoterapia por indicação de conhecidos, com 91% deles expressando satisfação com o tratamento e 60% desejando que fosse contínuo. Apesar das dificuldades encontradas ao longo dos grupos, como a perda do espaço utilizado e a conciliação de agendas dos profissionais, conseguimos alcançar nossos objetivos, ampliando a oferta da auriculoterapia na unidade e melhorando os sintomas emocionais relatados pelos assistidos na ficha de avaliação. Durante o primeiro grupo, observamos um aumento espontâneo na procura pela prática devido aos relatos de melhoria na qualidade de vida dos participantes, o que demandou a reestruturação do grupo, aumentando o número de participantes e da equipe multiprofissional. No terceiro grupo (agosto de 2023), enfrentamos a falta de espaço para os atendimentos. Com o apoio das ACS e comunidade, conseguimos um horário no centro comunitário do território, alcançando também uma população não vinculada à unidade. Esse relato destaca a importância da auriculoterapia e da experiência de promoção de saúde em grupalidade no cuidado aos usuários, refletida nos resultados da pesquisa de satisfação.
Com a reestruturação da oferta, além da eficácia da prática no tratamento complementar de condições de saúde, os resultados descrevem a ampliação do acesso utilizando a estratégia coletiva para redução do tempo de espera, além de promover a interação social e potencializar vínculos. A experiência ressaltou a importância da colaboração interdisciplinar para ofertar o atendimento integral aos usuários com a inclusão da psicóloga nos encontros, que demonstrou ser uma importante estratégia frente às necessidades dos usuários, possibilitando um olhar ampliado às queixas de saúde mental e viabilizando intervenções focalizadas. Ao longo do processo, desafios como a falta de espaço e impasses logísticos foram superados com o suporte da equipe e da comunidade, resultando na expansão da oferta ao território de abrangência. Frente aos resultados e com a satisfação expressa verbalmente e avaliada pelos usuários, é válido refletir sobre a importância da continuidade e do investimento em práticas integrativas e complementares no SUS, prezando pela coletividade como estratégia de maior alcance e de relevante importância nas relações interpessoais. A experiência atendeu a demanda existente e contribuiu para a promoção de saúde à comunidade.
auriculoterapia, ansiedade ,depressão
Márcia Maria Pirolla de Souza, Jéssica Cristina Ferreira da Costa, Adriana Ferigato Toffolo, Giulia Bonifácio Tavares, Marlene Gonçalves Monteiro, Vera Lucia Paiva Eufrásio