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A participação do homem no acompanhamento pré-natal vem sendo reconhecida como estratégia fundamental para o fortalecimento das políticas públicas de saúde, especialmente na Atenção Primária e na Estratégia Saúde da Família. A presença do parceiro durante a gestação contribui para o fortalecimento do vínculo familiar, compartilhamento de responsabilidades com a gestante e inserção do homem em ações de cuidado, público historicamente menos presente nos serviços de saúde. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), essa abordagem é respaldada pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), que reconhece o pré-natal do parceiro como importante porta de entrada para a promoção da saúde masculina e prevenção de agravos. Em Ribeirão Preto, a Secretaria Municipal da Saúde implantou, a partir de 2012, ações para estimular a adesão masculina ao pré-natal. Entre elas, destaca-se a padronização da oferta de exames laboratoriais para parceiros das gestantes, com a criação do pacote “PN PAR” no sistema laboratorial. Integrado à primeira consulta pré-natal, o pacote inclui sorologias para HIV, hepatites B e C e sífilis, garantindo acesso facilitado aos exames preconizados pelo Ministério da Saúde. Essas ações buscam promover o cuidado compartilhado, sensibilizar equipes de saúde e criar ambiente acolhedor que favoreça o engajamento do parceiro no acompanhamento gestacional.
Apresentar uma análise comparativa da adesão do homem ao pré-natal no município de Ribeirão Preto, por meio do monitoramento anual da produção de exames laboratoriais realizados entre os anos de 2012 e 2025. A comparação entre o número de exames destinados aos parceiros gestantes e o total de exames realizados nas gestantes permite avaliar a evolução da participação masculina, identificar tendências e períodos críticos, além de oferecer subsídios técnicos para o aprimoramento das estratégias municipais voltadas à saúde do homem e à qualificação da atenção pré-natal.
A política do Pré-Natal do Parceiro foi implantada em Ribeirão Preto por meio de ação integrada entre o Programa de Saúde da Mulher, o Programa Municipal de DST/AIDS e a Coordenadoria de Exames Laboratoriais, com o objetivo de ampliar a participação masculina na saúde reprodutiva e qualificar o cuidado pré-natal. A proposta estabeleceu que o parceiro da gestante fosse reconhecido como oportunidade estratégica de cuidado. As Unidades de Saúde foram orientadas a realizar acolhimento ativo dos parceiros durante consultas pré-natais, ofertando exames laboratoriais no momento da presença do casal. Para facilitar o fluxo, foi criado o procedimento “PN PAR” no sistema Hygia, reunindo as sorologias para HIV, sífilis e hepatites B e C. A padronização permitiu ampliar o acesso e monitorar indicadores de adesão em toda a rede básica. Considerando a baixa procura masculina por ações preventivas, foram adotadas estratégias para reduzir barreiras de acesso, como a realização da coleta em qualquer horário de funcionamento das unidades e sem necessidade de jejum. Essa medida ampliou o acesso, especialmente para trabalhadores com restrição de horários. Também foram desenvolvidas ações educativas nos grupos de gestantes, abordando paternidade, saúde sexual e prevenção de infecções. A capacitação das equipes, o atendimento acolhedor e a comunicação acessível favoreceram o engajamento dos parceiros, consolidando a política como rotina permanente da atenção básica no município.
A análise da adesão masculina ao pré-natal em Ribeirão Preto, baseada na proporção entre exames realizados pelo procedimento PN PAR e o total de atendimentos pré-natais, demonstra evolução consistente ao longo dos últimos treze anos. Em 2012, ano de implantação da política, a adesão foi de 8,1%, aumentando para 26,8% em 2013, refletindo ações de sensibilização e organização do fluxo assistencial. O crescimento manteve-se progressivo nos anos seguintes, alcançando 33,2% em 2014, 40,2% em 2015 e 44,7% em 2016. Entre 2017 e 2021, os índices oscilaram entre 45% e 50%, atingindo o pico de 50,3% em 2022. Nos anos posteriores, houve leve variação, com 49,5% em 2023 e 51,4% em 2024, indicando consolidação da política e participação de aproximadamente metade dos parceiros das gestantes no acompanhamento pré-natal. Apesar dos avanços, observa-se estabilização dos indicadores entre 45% e 50%, sugerindo barreiras persistentes. Parte das gestantes não possui parceiro fixo ou identificável, o que limita a oferta do acompanhamento e influencia o cálculo do indicador. Gestações na adolescência e vínculos afetivos instáveis também impactam a adesão. Além disso, fatores socioculturais ainda associam o cuidado gestacional predominantemente à mulher, reduzindo a participação masculina. Embora o acesso tenha sido ampliado, estratégias específicas voltadas a populações vulneráveis, trabalhadores e parceiros não coabitantes ainda representam desafios para ampliar a cobertura do programa.
A consolidação do Pré-Natal do Parceiro demonstra o compromisso da gestão municipal com a inclusão masculina no cuidado reprodutivo. No entanto, a estabilidade dos índices de adesão nos últimos anos aponta para a necessidade de renovação de estratégias, especialmente voltadas à manutenção do interesse e engajamento dos homens ao longo do tempo. É preciso investir em ações que ultrapassem a oferta de exames e se concentrem na criação de vínculos. Isso inclui a valorização simbólica da presença do parceiro, estímulo à paternidade ativa e integração com outras políticas públicas, como saúde mental, planejamento familiar e educação em saúde. A escuta qualificada dos homens que não aderem ao pré-natal pode oferecer pistas valiosas sobre barreiras ainda não identificadas. Da mesma forma, a análise territorializada dos dados pode revelar onde estão os maiores vazios de adesão e quais equipes necessitam de apoio específico para avançar. Fortalecer a comunicação entre os níveis de gestão, incorporar avaliações participativas com os profissionais da rede e promover pequenas inovações nos processos de acolhimento são caminhos possíveis alcançarmos aqueles que estão fora do cuidado.
pré natal do parceiro, saúde do homem.
ELAINE CRISTINA MANINI MINTO, EDUARDO BRAS PERIM, LUIZ BENJAMIN TRIVELLATO FILHO, GISLAINE CARLA BOVO GONÇALVES, GABRIELA INARA ARCARO VICENTINI, MARIA LIDIA MARIN, LARISSA ELIS SILVA CRIVELARI, GABRIEL MARTINS DA COSTA MANSO, HUGO MAISTRELO TORRES LIMA