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Segundo o Boletim Epidemiológico do município de Santos (2025), a cidade tem uma população de 418.608, conforme o último censo do IBGE. Sua densidade demográfica é de 1.494,26 habitantes por Km², colocando-o na posição 26 de 645 no Estado de São Paulo. Com cerca de 25,3% da população idosa, a cidade é amplamente reconhecida como uma das melhores do Brasil para envelhecer, configurada no top 6 do Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL), oferecendo alto bem-estar, segurança, acessibilidade, lazer, excelente infraestrutura de saúde, como hospitais e clínicas de excelência e serviços como o Televida (teleassistência 24h). Santos possui, ainda, uma forte cultura de convívio social e programas municipais focados no envelhecimento ativo, ou seja, programas de ativação social focados na terceira idade, como as Vilas Criativas 60+, oferta de espaços culturais e atividades físicas, possui uma orla plana, um clima agradável, na maior praia em jardim contínuo do mundo, ideal para caminhadas, além de calçadas planas, em geral, embora enfrente alguns desafios como alto custo de vida e ilhas de calor. O tema envelhecimento se conecta profundamente com a importância do monitoramento das arboviroses na população idosa. Sendo assim, a partir de 2025, com as epidemias de dengue em curso, a equipe de vigilância das arboviroses intensificou as medidas de controle, prevenção e cuidado em arboviroses na população 60+ com suspeita especialmente de Dengue e Chikungunya no município.
Descrever uma experiência exitosa no âmbito da vigilância das arboviroses, especialmente em idosos com suspeita de Dengue e Chikungunya no município de Santos, com vistas a evitar os casos graves e óbitos na população 60+, reduzindo, assim, a taxa de hospitalização e, principalmente, de mortalidade na população idosa.
Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que pessoas com 60+ apresentam 12 vezes mais risco de morrer por dengue do que as outras faixas etárias. Os idosos frequentemente convivem com doenças crônicas como hipertensão, diabetes, cardiopatias ou outras condições de maior suscetibilidade às doenças infecciosas. Quando a pessoa idosa contrai Dengue, os riscos não se limitam aos sintomas clássicos da doença. O envelhecimento traz alterações fisiológicas que tornam o organismo menos resistente a infecções agudas, o que pode trazer uma condição mais grave, podendo evoluir para Dengue com sinais de alarme ou Dengue grave (hemorragias, extravasamento de plasma, choque). A Chikungunya pode causar no idoso dores articulares persistentes, comprometendo ainda mais a mobilidade e a autonomia. No estadiamento da dengue, o idoso é classificado como Grupo B, onde indica-se obrigatoriamente o controle de hemograma e hidratação imediata. Em todas as unidades da Atenção Primária à Saúde, reforçou-se a necessidade de um olhar mais ampliado para todo paciente com suspeita de arbovirose, com oferta de RT-PCR até 5 dias de início de sintomas e monitoramento do hematócrito dentro da linha de cuidado com a pessoa idosa. Para os idosos internados, a VE de Santos elaborou uma planilha de monitoramento diário de pacientes, onde foi possível acompanhar a evolução de todos os pacientes 60+ até a alta.
Na epidemia de 2024, o município de Santos encerrou o ano com 5.395 casos confirmados de dengue, sendo 1117 casos confirmados na população 60+ (20,70% dos casos confirmados), com 4 óbitos confirmados por agravo na população idosa (100% dos óbitos por agravo). Em 2025, o município seguiu em epidemia, totalizando 4.834 casos confirmados pela doença, sendo 1048 casos confirmados em idosos (21,60% dos casos confirmados), e 2 óbitos confirmados pela doença em idosos (33,35%), dos 6 óbitos confirmados por agravo. A estratégia adotada na linha de cuidado à pessoa idosa no município de Santos vem contribuindo consideravelmente para a redução da mortalidade por agravo nos idosos. Outrossim, a vigilância epidemiológica segue monitorando e coletando dados diariamente da planilha de pacientes internados, cuja maioria dos pacientes são idosos que fazem parte da população de risco para desenvolver complicações e apresentar sinais de alarme ou de gravidade. Cuidar da vigilância das arboviroses é uma forma de respeito ao envelhecimento. É reconhecer que quem envelhece merece viver essa fase com dignidade, segurança e qualidade de vida. Monitorar não é apenas coletar dados epidemiológicos. É antecipar o sofrimento, evitar perdas e proteger histórias de vida.
A cidade de Santos destaca-se como um refúgio para aposentados que buscam qualidade de vida e um envelhecimento digno, com uma economia local adaptada às necessidades do público 60+. Por estar localizada numa região endêmica às arboviroses, vale reforçar os cuidados de prevenção evitando que o mosquito contamine os idosos. É preciso que os criadouros sejam eliminados, deve-se reforçar principalmente a orientação quanto ao uso de repelentes, quanto a colocação de telas em janelas, quanto a opção por roupas claras e adoção de medidas e cuidados gerais, pois o risco no grupo se deve à saúde mais frágil e à imunidade mais baixa. Os idosos apresentam maior taxa de hospitalização e mortalidade quando comparados a adultos jovens. Envelhecer não é apenas somar anos. É vivenciar mudanças biológicas, sociais e emocionais. Neste sentido, o município de Santos segue “acolhendo, prevenindo e cuidando” com políticas públicas implementadas, voltadas para a população idosa.
Prevenção, cuidado, arbovirose, pessoa idosa
FABIANA LOYDE WAKAI JORGE PINHO, NIVIA TORRES DOS SANTOS, LUCIANA SOUZA DA ASSENÇÃO DE JESUS, DANIELLI SOUZA NASCIMENTO PEREIRA, MARIANA MOREIRA BONIFÁCIO, LARISSA BUENO, GUILHERME OLIVEIRA DE LIMA