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A transmissão vertical do HIV é evento evitável quando garantidos diagnóstico oportuno, pré-natal qualificado, adesão à terapia antirretroviral (TARV) e seguimento adequado do binômio mãe-bebê. Segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde, a adoção dessas estratégias pode reduzir a transmissão para menos de 1%, constituindo importante indicador da qualidade da atenção materno-infantil. No município de Barueri (SP), a experiência é desenvolvida no Serviço de Atendimento Especializado (SAE Maria José Estevanato), referência no cuidado às pessoas vivendo com HIV e integrado às Redes de Atenção à Saúde. O relato refere-se ao período de janeiro/2024 a dezembro/2025 e envolveu equipe multiprofissional composta por enfermagem, infectologistas, infectopediatra, ginecologistas, farmacêutico, psicólogo e assistente social, acompanhando gestantes vivendo com HIV e seus recém-nascidos desde o pré-natal até o seguimento das crianças expostas. A iniciativa justifica-se pela necessidade de qualificar indicadores assistenciais e de vigilância, como adesão à TARV, comparecimento às consultas, monitoramento laboratorial e desfechos neonatais, além de produzir aprendizados institucionais que fortaleçam práticas replicáveis no SUS, articulando cuidado clínico, vigilância e trabalho em rede.
Apresentar os indicadores assistenciais e os aprendizados institucionais decorrentes do acompanhamento multiprofissional realizado pelo SAE Barueri junto a gestantes vivendo com HIV e crianças expostas ao vírus, no período de janeiro de 2024 a dezembro de 2025, evidenciando o impacto da experiência na prevenção da transmissão vertical e sua contribuição para o fortalecimento das políticas públicas de saúde. Objetivos específicos: Avaliar os indicadores de adesão à terapia antirretroviral, acompanhamento pré-natal e desfechos neonatais das gestantes e crianças acompanhadas; analisar a contribuição da atuação multiprofissional e da articulação em rede para a permanência das gestantes no cuidado e para a prevenção da transmissão vertical; e sistematizar os aprendizados institucionais produzidos pela experiência como subsídio para a qualificação das ações de vigilância e cuidado materno-infantil no SUS.
Trata-se de um relato de experiência, com abordagem quantitativa e qualitativa, construído a partir da análise dos atendimentos realizados no SAE Barueri ao longo de 2024 e 2025. A experiência baseou-se no acompanhamento longitudinal de gestantes vivendo com HIV e de crianças expostas, utilizando indicadores clínicos e assistenciais como parâmetros para monitoramento e avaliação das ações desenvolvidas. Participaram dos atendimentos profissionais da equipe multiprofissional do SAE, que realizaram ações integradas de pré-natal especializado, monitoramento da adesão à TARV, avaliação periódica de carga viral e exames laboratoriais, planejamento do parto, orientações sobre direitos das pessoas vivendo com HIV, acompanhamento no pós-parto e seguimento das crianças conforme os protocolos do Ministério da Saúde. Foram acompanhadas 46 gestantes vivendo com HIV, sendo que duas evoluiram para aborto espontâneo. As estratégias adotadas incluíram atendimentos individuais e compartilhados, busca ativa nos casos de faltas às consultas, escuta qualificada e articulação com outros pontos da Rede de Atenção à Saúde, especialmente atenção básica, maternidades de referência e vigilância epidemiológica. A verificação dos resultados ocorreu por meio do monitoramento sistemático dos indicadores de adesão ao tratamento, número de nascidos vivos, desfechos clínicos e ocorrência de transmissão vertical.
Foram acompanhadas 46 gestantes vivendo com HIV, das quais duas evoluíram para aborto espontâneo. Entre as 44 gestações com desfecho, ocorreram 40 nascidos vivos no período analisado, sendo 15 em 2024 e 25 em 2025. Uma gestante teve diagnóstico de HIV no momento do parto. A maioria apresentou adesão satisfatória e acompanhamento regular, favorecidos pela atuação integrada da equipe multiprofissional e pelas estratégias de acolhimento e busca ativa. Em 2024, ocorreram 15 nascimentos. Uma criança apresentou prematuridade extrema e evoluiu a óbito no primeiro mês de vida. As demais receberam profilaxia neonatal e acompanhamento clínico-laboratorial conforme os protocolos vigentes. Em 2025 foram 25 nascimentos. Até o encerramento do período analisado, não houve confirmação de soroconversão pelo HIV entre os recém-nascidos acompanhados, evidenciando impacto direto da experiência na prevenção da transmissão vertical. Como aprendizado institucional, destaca-se que o fortalecimento do vínculo, a escuta qualificada e a articulação em rede foram determinantes para a permanência das gestantes no cuidado e para o enfrentamento do estigma associado ao HIV. A experiência demonstrou que a integração entre assistência e vigilância potencializa resultados clínicos e amplia a efetividade das políticas públicas de saúde.
A experiência do SAE Barueri evidencia que a prevenção da transmissão vertical do HIV é fortemente impactada pela qualificação dos processos de cuidado e pela atuação multiprofissional integrada às Redes de Atenção à Saúde. Os indicadores analisados, especialmente a adesão à TARV e a ausência de soroconversão entre os recém-nascidos acompanhados, demonstram a efetividade do modelo adotado. Os aprendizados institucionais produzidos ao longo da experiência reforçam a importância de práticas baseadas no acolhimento, no vínculo e na articulação intersetorial, aspectos fundamentais para a sustentabilidade dos resultados alcançados. Trata-se de uma experiência com alto potencial de replicabilidade em outros municípios, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas do SUS voltadas à eliminação da transmissão vertical do HIV e à qualificação da atenção materno-infantil.
HIV, Transmissão Vertical, Gestantes
DANILA MARTINS MARTELLI , ELIZABETH BATISTA DOS SANTOS FRANCISCO, GESSIARA TELES PEREIRA BONFIM, ANGELICA TAPIA DE LIMA, CARLOS ALBERTO LEÃO, GISELE CRISTINA DOS SANTOS VIEIRA, PAULO YOSHIHIRO MURATA, PRISCILA KARINA DE SOUSA, ROSANGELA LOPES BOLANE, CELSO LUIZ STATI, VICTOR CELSO NOGUEIRA FONSECA FILHO, ALEXIS CARLOS SILVA ECHEVERRIA, RICARDO VIEIRA DE OLIVEIRA SANTOS