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Estima-se que 40% das gestações no mundo sejam sem planejamento, podendo alcançar, dentre as adolescentes, a proporção de 80%. Nesse cenário, principalmente em regiões mais vulneráveis, complicações no parto representam a principal causa de óbitos entre mulheres de 15 a 19 anos. Ademais, mortes perinatais são 50% mais frequentes em filhos de mães abaixo de 20 anos. A região da Freguesia do Ó / Brasilândia possui diversos territórios com alta vulnerabilidade social. Dentre seus indicadores de saúde, a proporção de gestantes menores de 19 anos representava 14,01% em relação ao total de mulheres grávidas no ano de 2020, o que foi avaliado como inadequado. Para o enfrentamento desse cenário, foi adotada como meta para o Plano Municipal de Saúde 2022-2025, a redução do índice de gestação em mulheres menores de 19 anos no território da Freguesia do Ó / Brasilândia. Diversas ferramentas foram utilizadas. Dentre elas, a ampliação da cobertura da Atenção Primária à Saúde e expansão da Estratégia de Saúde da Família, que aproximam os adolescentes dos profissionais de saúde; o Programa Saúde na Escola, com estratégias que abordam, inclusive, a prevenção da gravidez na adolescência dentro da linha de ação sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos e intervenções adequadas dentro do plano de vida individualizado de cada adolescente, cuja orientação pode incluir a oferta de métodos contraceptivos, como os de barreira (preservativo), hormonais e os reversíveis longa duração.
Geral: •Promover estratégias de intervenção para diminuir o alto índice de gestação em mulheres menores de 19 anos no território da Supervisão Técnica de Saúde Freguesia do Ó / Brasilândia. Específicos : •Instituir fóruns de discussão intersetoriais locais entre os serviços da saúde e da educação; •Garantir acesso da população adolescente a atenção primária; •Capacitar os profissionais de saúde; •Ampliar a oferta e inserção de métodos contraceptivos de longa duração (LARC)
Trata-se do relato de uma experiência exitosa, cujo objetivo foi implementar ações diversas a fim diminuir o índice de gestação em mulheres menores de 19 anos. Primeiramente, foi realizado mapeamento das áreas com maior vulnerabilidade social, cujos indicadores analisados encontravam-se em cenários mais agravados. Em seguida, por meio da articulação entre a Saúde e Educação, buscou-se fortalecer o Programa Saúde na Escola, cujo objetivo era orientação de prevenção da gravidez na adolescência; Posteriormente, foram realizadas promoções em saúde em espaços oportunos articulados pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS). Por último, por meio da implementação e expansão de protocolos e capacitação dos profissionais, foram ampliadas a oferta e inserção de métodos contraceptivos de longa duração (LARC – do inglês long acting reversible contraception).
Inicialmente, foram realizadas ações de intensificação de promoção em saúde sobre gravidez na adolescência nos espaços articulados pela SMS, como os Avanças Saúde Adolescentes, e nas ações que contemplam o Programa Saúde na Escola. Posteriormente, foram implementadas estratégias de capacitação dos profissionais quanto aos LARCs, uma vez que o município de São Paulo oferta, gratuitamente, diversos métodos contraceptivos de longa duração. Tais ações em conjunto reduziram o índice de gestação em mulheres menores de 19 anos na região de 14,01% em 2020 para 12,29% em 2022, 11,37% em 2023 e 9,91% em 2024. Em paralelo, o município de São Paulo obteve redução de 10,81% em 2022, para 10,21% em 2023 e 9,70% em 2024. O grande salto entre 2023 e 2024 na região da Freguesia do Ó Brasilândia, superior ao do município, deve-se, entre outros fatores, a descentralização dos LARCs. Até 2023, após a orientação e escolha do método mais adequado, em conjunto com a mulher, a unidade de saúde solicitava o dispositivo escolhido, o qual chegava ao serviço em 30 dias, aproximadamente. Devido a esse intervalo, ocorria perdas de oportunidade de inserção por desistência da usuária, alteração de endereço ou até mesmo gravidez. A partir maio de 2024, iniciaram-se discussões e disponibilização dos LARCs nos serviços de saúde. Primeiramente, essa ação ocorreu nos territórios de maior vulnerabilidade social e, posteriormente, foi ampliada para as demais UBS da região, o que garantiu inserções precoces.
A noção de integralidade do cuidado significa que prover assistência de qualidade às demandas que envolvam estes sujeitos exige uma certa plasticidade de nossas equipes, que atuam paradoxalmente como “artesãos”, tecendo cuidados possíveis a partir do que forja a vulnerabilidade desse “outro” a quem prestamos assistência, e que os faz tão singular. Preconiza-se que uma pessoa que se apresente em qualquer porta de entrada do SUS deve ser encaminhada ao nível de cuidado que mais se adapta à sua necessidade atual, logo, consideramos aqui analisar uma inversão poética sobre a não apresentação desses sujeitos a nós, as nossas unidades, mas sim a nossa própria apresentação aos mesmos, deflagrando a rua enquanto “um consultório” possível, que escapa do real para o simbólico. Sendo assim, é fundamental que as equipes disponham de recursos práticos para criar estratégias que facilitem a sustentação do cuidado longitudinal dessa população, a partir de um modelo de assistência que intervenha a partir de diagnóstico situacional, trazendo para o território uma perspectiva mais próxima de sua realidade.
contraceptivo de longa duração
GLAUCIA MARIA NEGRÃO MORENO, RAFAEL TADEU DE ANDRADE