Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Esporotricose é uma doença fúngica do gênero Sporothrix que pode ser encontrado em plantas e solos contaminados, sua predominância maior de contágio é em humanos e felinos. A infecção por Esporotricose ocorre por lascas de madeiras, espinhos de plantas e arranhadura e/ou mordedura de animais que estejam contaminados pelo fungo (Machado ER, Oliveira LB de, Chaves PLG, Eduardo AML, Axhcar LCG, 2022). As alterações ambientais relacionadas às Mudanças Climáticas e os riscos associados a Urbanização, podem contribuir para a expansão geográfica e o aumento da incidência de doenças zoonóticas, inclusive os casos de Esporotricose. Tais fatos ressaltam a necessidade de vigilância epidemiológica contínua e de estratégias de mitigação que considerem os impactos na saúde pública. No território do AMA/UBS Chácara Cruzeiro do Sul observou-se um crescimento significativo dos casos desde o primeiro registro em 2022 atingindo o ápice do aumento no segundo semestre de 2024. E desde então os Profissionais de Saúde voltaram sua atenção para ações internas e externas sobre o tema, a fim de cuidar dos casos identificados e evitar novos. Nesse cenário, o Sistema Único de Saúde (SUS) é essencial no controle da esporotricose, atuando na vigilância epidemiológica, no diagnóstico, no tratamento e nas ações de prevenção e educação em saúde, especialmente no âmbito da Atenção Básica (Brasil, Ministério da Saúde, 2017).
Fortalecer ações de vigilância prevenção e cuidado baseados no conceito de saúde única de forma a reduzir a incidência e melhorar o diagnóstico precoce da Esporotricose em felinos e humanos no território do AMA/UBS Chácara Cruzeiro do Sul; Mapear área de risco no território; Padronizar fluxo interno para atendimento, capacitando os profissionais para identificação e manejo correto dos casos; Intensificar ações educativas extramuro sobre o tema para fortalecer prevenção e guarda responsável dos animais.
A metodologia baseou-se na identificação dos casos registrados no segundo semestre de 2024, com análise georreferenciada para definição de áreas prioritárias. A partir disso, a unidade implantou ações de bloqueio e inspeção zoossanitária, adaptadas do modelo utilizado no combate à dengue, com raio de 150 metros, voltadas à identificação riscos e orientação da população. Foram promovidas capacitações para a equipe de saúde da Unidade, com definição de fluxos para atendimento, notificação e acompanhamento dos casos. Também ocorreu capacitação específica para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Promoção Ambiental (APA), sensibilizando o olhar para os casos suspeitos e fortalecendo a articulação com a Vigilância Ambiental/UVIS Penha. Como estratégia educativa, foram elaborados materiais informativos para utilização em ações no território, escolas e grupos comunitários, incluindo folders em português e espanhol, visando ampliar o acesso à informação. Paralelamente, foram realizadas ações de busca ativa e visitas domiciliares em áreas prioritárias, com orientações sobre prevenção, manejo ambiental e encaminhamento adequado dos casos suspeitos. O acompanhamento dos casos em tratamento foi realizado por meio de planilhas de monitoramento, permitindo o controle da evolução e adesão ao cuidado. As ações foram continuamente avaliadas em reuniões periódicas, possibilitando a análise dos dados, o alinhamento de estratégias e a integração entre as equipes envolvidas.
As ações realizadas fortaleceram a vigilância territorial, com uso do Diagnóstico Socioambiental do PAVS para monitoramento e análise dos dados. O acompanhamento nominal sistematizado possibilitou a organização de dados clínicos, tanto em humanos quanto em felinos, em articulação com a UVIS Ambiental. As atividades de bloqueio e inspeção resultaram em 171 imóveis orientados, identificação de 55 domicílios com gatos, 8 animais e 3 pessoas com lesões suspeitas, com 100% dos casos encaminhados conforme protocolo. Além do bloqueio, foram realizadas visitas periódicas, totalizando 146 com a temática. Executou-se 10 ações em grupos e escolas abordando 236 munícipes e 9 capacitações internas atingindo 85 profissionais. Foi possível acompanhar os casos felinos, tendo atualmente 27 animais em tratamento e o registro de 10 óbitos, 4 mudanças de território, 5 fugas, 7 altas e 3 abandonos do tratamento. Constatou-se que na Esporotricose humana, houve um crescimento progressivo dos casos no 2º semestre de 2024, quando foram notificados 19 casos, representando o período de maior incidência. Nesse semestre, observou-se diversidade de desfechos, incluindo 6 altas, 7 transferências seguras e 3 abandonos de tratamento. Em 2025, houve redução no número de notificações, com 3 casos no 1º semestre e 7 no 2º semestre, além de maior proporção de altas e transferências, indicando avanço na organização do cuidado.
As ações desenvolvidas contribuíram para a ampliação da disseminação de informações sobre a esporotricose no território, fortalecendo o conhecimento da população e dos profissionais de saúde sobre prevenção, identificação precoce e manejo adequado da doença. Observou-se aprimoramento no acompanhamento dos casos e na identificação de situações suspeitas, favorecendo intervenções mais oportunas e qualificadas. Cabe destacar o fortalecimento da comunicação com a Vigilância Ambiental, que passou a enviar mensalmente o consolidado de notificações de casos em felinos para todas as unidades, ampliando a capacidade de atuação integrada em todo o território da Penha. A manutenção das ações intersetoriais e educativas mostrou-se fundamental para a implantação das estratégias adotadas, reforçando a articulação entre saúde, meio ambiente e comunidade. Dessa forma, a experiência contribui para o fortalecimento do SUS no território, qualificando a vigilância, a promoção da saúde e o enfrentamento da esporotricose de forma contínua e integrada.
Esporotricose, Saúde única, Promoção
GABRIELLE DO NASCIMENTO NUNES, MICHELLE GALINDO DE OLIVEIRA, ANA LUIZA PEREIRA COURA, LETICIA SILVA DE OLIVEIRA, THAIS BENTO ARAUJO