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O município de Marília, diante da epidemia de dengue registrada em 2025 e do alto índice de imóveis fechados durante vistorias, intensificou as estratégias de controle vetorial do Aedes aegypti. Reconhecendo que a ausência de moradores em horário comercial dificulta o combate à dengue, a Secretaria Municipal da Saúde adotou ações educativas em ambientes laborais e repartições públicas municipais para disseminar medidas preventivas e promover a saúde pensando no envelhecimento com qualidade de vida do funcionalismo. A iniciativa busca capacitar os trabalhadores para realizarem o controle vetorial em suas rotinas, ampliando o alcance das ações do SUS e aprimorando o cuidado no território. A partir de 6 de junho de 2025, foram realizadas atividades educativas, incluindo estandes, palestras e rodas de conversa, com início na empresa Coca-Cola Femsa e abrangendo o CEREST, Vigilância Sanitária e outras secretarias, beneficiando cerca de 350 colaboradores. As ações são conduzidas por supervisores de saúde e agentes de endemias — equipe técnica qualificada que atua na linha de frente —, alinhando orientações teóricas com a prática de vistorias nos locais de trabalho, visando a eliminação de criadouros e a conscientização abrangente.
Esta iniciativa objetivou democratizar o acesso às ações de educação em saúde e aos serviços da Divisão de Zoonoses voltados ao combate à dengue em Marília. O foco direcionou-se aos trabalhadores municipais, visando ampliar o conhecimento sobre a patologia e as medidas preventivas contra o Aedes aegypti. A ação buscou mitigar os agravos à saúde do trabalhador, elevar sua longevidade e capacitá-lo para a execução do controle vetorial tanto no ambiente laboral quanto doméstico. Tal medida é estratégica, dado que o cumprimento da jornada de trabalho frequentemente impossibilita o recebimento dos agentes de saúde em suas residências. Ademais, a iniciativa promoveu a integração entre diferentes repartições públicas, permitindo ao corpo de servidores conhecer o trabalho de controle epidemiológico local. O projeto também estabeleceu canais diretos para que esses profissionais possam comunicar irregularidades territoriais à Divisão de Zoonoses, fortalecendo a vigilância participativa.
Até o presente momento, o projeto totalizou sete atividades fundamentais, desenvolvidas por meio de palestras, rodas de conversa e a montagem de estandes informativos. As ações foram conduzidas por supervisores de saúde e agentes de endemias, direcionadas a servidores públicos e colaboradores da iniciativa privada diretamente em seus ambientes laborais. A iniciativa teve um marco significativo na empresa Coca-Cola, onde a utilização de materiais educativos — como cartazes, panfletos e o mosquitóforo — fomentou a educação em saúde e a coleta de denúncias de focos de Aedes aegypti. Devido ao elevado engajamento e à receptividade observada, o projeto foi expandido para as repartições municipais. Nesse contexto, foram contemplados o CEREST, a Vigilância Sanitária e as Secretarias de Tecnologia e Inovação, Assistência Social e Cidadania, Cultura, Esportes, Lazer e Juventude, além da pasta de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico. No CEREST e na Vigilância Sanitária, priorizaram-se rodas de conversa sobre sintomatologia, vacinação, medidas de controle e o papel da Unidade de Vigilância em Zoonoses. Nas demais secretarias, o cronograma incluiu, adicionalmente, vistorias técnicas para demonstração do controle mecânico de criadouros e a aplicação de produtos alternativos no tratamento de depósitos de água não removíveis, consolidando as práticas de prevenção no cotidiano institucional.
O referido projeto proporcionou benefícios significativos ao município ao qualificar os trabalhadores para a execução de vistorias de controle do Aedes aegypti em seus ambientes domiciliares e laborais. Aproximadamente 350 profissionais foram capacitados em diretrizes de controle vetorial, integrando-se aos esforços rotineiros da Divisão de Zoonoses. Durante o processo, os colaboradores foram instruídos sobre o fluxo completo de vigilância epidemiológica, incluindo o recebimento de notificações de casos suspeitos e confirmados, a realização de bloqueios de criadouros e o manejo de métodos de controle (mecânico, alternativo e aplicação de larvicidas). A formação abrangeu ainda o ciclo biológico do vetor e os protocolos para denúncia de irregularidades, emissão de notificações e autuações. Um resultado expressivo dessa integração foi observado na interlocução com o CEREST (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador). Após compreenderem o processo de trabalho da Zoonoses, técnicos identificaram e reportaram — via sistema digital da prefeitura — o armazenamento inadequado de pneus e recipientes em uma unidade fabril. A ação resultou na notificação imediata do proprietário e na regularização do local. Complementarmente, foram produzidos conteúdos digitais educativos, veiculados nas redes sociais das Secretarias de Saúde e de Tecnologia e Inovação, ampliando o alcance das medidas preventivas junto à população.
A disseminação de conhecimento técnico no ambiente laboral revelou-se uma estratégia eficaz, pois a relevância do tema, potencializada por experiências prévias dos participantes com a dengue, facilitou a sensibilização quanto às práticas preventivas. Esta iniciativa educativa reafirma o papel da vigilância em saúde, alinhando-se aos princípios de universalidade e integralidade ao assegurar o acesso a ações integradas de promoção e prevenção. Para o aprimoramento do projeto, propõe-se a formalização de um cronograma sistemático, permitindo a análise histórica da incidência da doença e a mensuração da eficácia das intervenções. A utilização de listas de presença será indispensável para quantificar o alcance das instruções. Ademais, sugere-se a incorporação de recursos tecnológicos, como a microscopia, para otimizar a visualização de estruturas entomológicas e elevar o interesse pedagógico. A estratégia inclui, ainda, a divulgação em canais oficiais e redes sociais para ampliar o engajamento público. Por fim, destaca-se a importância do treinamento de campo para fiscais de diversas áreas, visando identificar e comunicar irregularidades à divisão de zoonoses, o que fortalece a intersetorialidade no controle de arboviroses.
Arbovirose, educação em saúde, intersetorialidade.
JOÃO ANTONIO ESTEVES MENDES OSAKA, GABRIELA CRISTINA DE SOUZA