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A primeiríssima infância (0-3 anos) é a fase que ocorrem os alicerces cognitivos, emocionais e físicos essenciais para a vida adulta, com destaque à grande plasticidade neural nesse período (Shonkoff e Phillips, 2000). Intervenções precoces para reduzir disparidades são sugeridas por autores como Walker et al. (2007). Além disso, existem evidências que estímulos adequados impactam positivamente o desenvolvimento global da criança (Grantham-McGregor et al., 2007). Em 2023, foi organizado pela Prefeitura Municipal de Suzano (PMS) uma formação sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) para profissionais de diversas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A partir das discussões, a UBS Stelina Maria Barbosa, localizada em Miguel Badra Alto, um bairro periférico no Município, iniciou um Grupo para o Desenvolvimento da Primeiríssima Infância (GDPI) voltado para as famílias com crianças até 3 anos e com queixas relacionadas ao desenvolvimento cognitivo, emocional e físico para práticas de promoção à saúde envolvendo observação, orientação e oficinas práticas, configurando-se como um grupo de intervenção terapêutica. A iniciativa foi ampliada após determinação da PMS para a implantação de Núcleos de Desenvolvimento da Primeiríssima Infância (NDPI) em todas as 24 unidades de saúde de Suzano estabelecendo o acompanhamento multiprofissional de todas as crianças de até 3 anos. A enfermagem, fonoaudiologia e psicologia se uniram para estruturar o fluxo de cuidados na UBS Miguel Badra Alto.
O objetivo geral está baseado em “Estabelecer um fluxo de cuidados à primeiríssima infância”. Para isso, alguns objetivos específicos foram elaborados, como: ● Elaborar um protocolo de atendimento de fácil compreensão; ● Divulgar o NDPI intitulado “Começar bem” entre os munícipes para a conscientização e alta taxa de adesão; ● Identificar atrasos no desenvolvimento ou outros pontos que necessitem de atenção dos profissionais de saúde na UBS ou outros setores do Município, encaminhando-os para serviços especializados.
Foi estabelecido como referência para os NDPI os Marcos do Desenvolvimento da Caderneta da Infância do Ministério da Saúde do Brasil (Brasil, 2023). A unidade em questão elaborou materiais e fluxos e as informações foram pulverizadas em reunião envolvendo todos os profissionais de atendimento da UBS. As agendas foram abertas pelo setor administrativo que também é o responsável pelo agendamento dos pacientes agrupados em faixas etárias (até 2; 4; 6; 9; 12; 15; 18; 24; 30 e 36 meses). Os profissionais foram orientados a encaminhar todas as crianças até 3 anos para acompanhamento no NDPI, bem como monitorar a assiduidade das famílias, solicitando reagendamento em caso de faltas. A equipe ambientou uma sala de 16m2 com tatame, cubos de borracha coloridos, bolas plásticas e de tecido, utensílios de cozinha de brinquedo, brinquedos não-estruturados; figuras impressas, mesa infantil e computador conectado à internet. Nos atendimentos é realizada anamnese com os responsáveis e os marcos do desenvolvimento são testados e pontuados como “Presente” ou “Ausente”. É esperado que todos estejam presentes. Nos casos de até dois marcos ausentes, o responsável recebe orientações para que no próximo atendimento a criança atinja todas as habilidades. Se isso não for observado ou se 3 ou 4 marcos estiverem atrasados, a idade anterior é testada para a definição de conduta que poderá envolver o encaminhamento para o GDPI, voltado para a intervenção terapêutica, ou para a Atenção Especializada.
Os principais resultados até o momento (janeiro/2025) são: o fluxo de cuidado à primeiríssima infância ilustrado no organograma abaixo (Figura 1) e a ficha de agendamento e acompanhamento (Figura 2). Até o dia 31 de janeiro de 2025, a taxa de adesão média ao NDPI foi de 51% desde a aplicação do fluxo e 7,2% dos pacientes que passaram no NDPI foram encaminhados para o GDPI para intervenções terapêuticas e 1,8% apresentaram achados clínicos suficientes para encaminhamento para serviço especializado municipal.
Conclui-se que o fluxograma de atendimentos, a ficha de acompanhamento anexada à carteirinha de vacina das crianças bem como o treinamento conjunto de toda a equipe assistencial foram efetivos para a boa compreensão dos envolvidos sobre a importância do seguimento no NDPI para a promoção à saúde. Esse conjunto de ações possibilitou o funcionamento do sistema e início das atividades com adesão média superior à metade da população-alvo, além disso, permite um dimensionamento dos casos que necessitam de atendimento especializado. Paralelamente, estima-se que o fluxo bem definido permitirá uma melhor adesão ao GDPI para a orientação de práticas para o desenvolvimento da infância por parte das famílias. Outra hipótese, mais ambiciosa e a médio prazo, é que os casos que, realmente, venham a necessitar de seguimento terapêutico com enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, nutrição, odontologia, psicologia e terapia ocupacional sejam mais leves e em menor quantidade no território da UBS que implementou os cuidados descritos.
Primeiríssima Infância, desenvolvimento, Criança
JULIANA PEREIRA TAVARES DE MELO, LILIAN MODESTO DELMONDES, ROBSON RODRIGUES