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O CAPS COM-VIVER, é um serviço público municipal, que atende pacientes em intenso e moderado sofrimento psíquico, consolidado dentro do modelo de atenção para o cuidado em liberdade, implantado pela Portaria GM/MS 336 de setembro de 2002. Historicamente, os acolhimentos eram realizados com horário agendado e apenas dois no período da manhã e dois no período da tarde, este fato se baseada na limitação de recursos humanos e tempo hábil para a análise de cada caso, de acordo com as especificidades de cada indivíduo. Outro fator impactante nesse modelo, era a crença de que haveria médico psiquiatra realizando a triagem desses pacientes que buscavam pelo serviço CAPS, inclusive validado pela cultura e pela desinformação da rede de atenção do município. Todavia, esse modelo de acolhimento, acabava impactando diretamente, na qualidade do atendimento e não atendia a necessidade da população que diariamente procurava pelo serviço. Havia ainda, as constantes reclamações de que o serviço fechava as portas para a demanda espontânea. Justificando esse cenário encontrado, onde não estava adequado o processo de trabalho e tão pouco a quantidade de recursos humanos para tender uma população de aproximadamente 250 mil habitantes, foi implantado no serviço no ano de 2024, o Programa CAPS Portas Abertas – (PCPA). A mudança foi significativa tanto no processo de trabalho, como no acolhimento de usuários e seus acompanhantes, além de contribuir para o fortalecimento da rede.
Estabelecer uma política acolhimento no CAPS II de Marília de portas abertas. Objetivos Específicos: • Ampliar a oferta de recursos humanos qualificados para realizar o acolhimento; • Articular a rede de atenção básica para o direcionamento adequado na porta para o serviço SUS; • Garantir o acolhimento humanizado e com qualificação para o melhor direcionamento do usuário e suas demandas.
Estudo retrospectivo e de levantamento de dados. Foram realizadas reuniões de serviço, onde se apresentou o tema, ou seja, o PCPA foi apresentado e construído a pactuação entre os atores para a viabilização do projeto. Contratação de mais profissionais, principalmente, psicólogos com experiência na saúde mental e terapeuta ocupacional com habilidades na participação da equipe multiprofissional. Articulação com a rede básica, principalmente com a orientação de como o programa foi pensado e explicação de que não seria o profissional médico que faria essa pseudo triagem, e sim, uma equipe multiprofissional capacitada para acolher o usuário de acordo com a Política Nacional de Humanização – PNH. A Educação Permanente – EP, também foi outro diferencial na implantação do programa, a equipe se organizou internamente, para que todas as sextas-feiras, um tema fosse discutido e refletisse a demanda encontrada durante a semana. Dessa forma, o tema era explorado e havia um direcionamento sobre a melhor solução daquela demanda e seus desdobramentos.
Toda mudança no processo de trabalho, gera um certo desconforto. Alguns profissionais se sentiam exaustos e sobrecarregados em fazer de 4-5 acolhimentos em período de 6 horas, haja vista que, o usuário em sofrimento mental, demanda de muita escuta e por vezes, as situações trazidas em acolhimento impactam o profissional. Outra situação geradora de ansiedade era o tempo de escuta, diferentemente do paciente clínico, o usuário em sofrimento mental, necessita de um tempo maior para poder verbalizar suas angústias e conseguir se abrir para o profissional que o acolhe. Foi necessário, o empenho e o fortalecimento da equipe para que nesse primeiro momento da abertura das portas para o acolhimento integral, pudesse ser viabilizado. Toda informação quando ventilada, sofre alguns vieses, que precisavam ser aparados. Para isso, o acolhimento inclusive da equipe foi necessário realizar, uma força tarefa foi instaurada internamente para que se pudesse dar conta da população que buscava pelo serviço. Essa força tarefa foi fundamental, para que tanto a população interna quanto externa pudesse entender esse novo processo de trabalho, uma vez que, haviam várias arestas a serem aparadas para que o processo fosse viabilizado. Mostrando a força do trabalho em equipe na implantação do projeto.
Após a implantação do programa, é notório o crescimento de pacientes que diariamente buscam pelo serviço. Nota-se uma crescente busca pela atenção na saúde mental, elevando vertiginosamente a curva de pacientes e familiares que buscam o serviço. Muitos obstáculos, ainda permeiam a viabilidade do processo de trabalho, como a sobrecarga de servidores e o forte desgaste do trabalhador em saúde mental. Sabidamente, o espaço físico e a escassez de recursos materiais também são alguns dos entraves na manutenção desse tipo de projeto. Acredita-se que o maior ganho desse projeto foi, a intencionalidade em ofertar um acolhimento de qualidade aos cidadãos em sofrimento mental, ainda que com todos os percalços que nele se apresenta. Todavia, é imperioso, acolher o indivíduo que muitas vezes, precisa apenas de uma escuta qualificada e/ou um direcionamento para as suas necessidades de saúde sócios emocionais, fortalecer a rede básica e principalmente, fazer o olhar para os resultados até agora alcançados e melhorar a oferta dos serviços prestados.
CAPS; Acolhimento; Gestão em saúde
ROSELI CAROLINO