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A Segurança do Paciente é um eixo estratégico para a qualificação do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na Atenção Primária em Saúde. A necessidade de fortalecer o monitoramento das Metas Internacionais de Segurança do Paciente e ampliar a adesão aos protocolos institucionais motivou a implantação de um modelo estruturado de auditoria interna nas Unidades Básicas de Saúde da SBCD. A experiência teve início em novembro de 2024 e foi desenvolvida nas 17 Unidades Básicas de Saúde da Zona Norte de São Paulo, envolvendo profissionais das equipes multiprofissionais, gestores locais e a área da Qualidade. A proposta baseou-se na capacitação de profissionais como auditores internos, promovendo a descentralização do processo avaliativo, o acompanhamento sistemático das práticas assistenciais e a consolidação da cultura da qualidade e da segurança do paciente. A iniciativa impacta diretamente os usuários atendidos pelo SUS, contribuindo para a redução de riscos assistenciais, melhoria dos processos de trabalho e fortalecimento da governança na Atenção Básica.
Apresentar uma experiência exitosa e inovadora de capacitação de profissionais da Atenção Primária à Saúde como auditores internos das Metas Internacionais de Segurança do Paciente, fundamentada na realização de auditorias mensais padronizadas, utilização de checklist estruturado e monitoramento sistemático de indicadores em sistema de gestão. O trabalho busca evidenciar a qualificação dos processos, o fortalecimento da adesão aos protocolos institucionais e o aprimoramento contínuo da qualidade e da segurança do cuidado nas 17 Unidades Básicas de Saúde.
A experiência foi conduzida nas 17 Unidades Básicas de Saúde da Zona Norte de São Paulo, sob gestão da Sociedade Brasileira Caminho de Damasco, com cada unidade contando com dois auditores internos capacitados por ações de Educação Permanente da área da Qualidade. As auditorias são mensais, com meta mínima de conformidade de 70%, abrangendo as Metas Internacionais de Segurança do Paciente, avaliadas segundo critérios institucionais aplicáveis à Atenção Primária. O processo utiliza checklist padronizado, com verificação de evidências documentais, análise de registros assistenciais e observação direta das práticas. Os auditores registram os achados e consolidam os resultados mensalmente, encaminhando-os à área da Qualidade até o dia 5, que consolida as informações no sistema Interact SA e divulga os resultados às unidades. Caso a conformidade mínima não seja atingida, é acionado fluxo de apoio institucional, incluindo análise crítica dos achados, elaboração de plano de ação corretivo, definição de responsáveis e prazos, acompanhamento técnico do Escritório da Qualidade e ações educativas de sensibilização. As unidades têm até o dia 15 de cada mês para inserir planos de ação e monitorar as melhorias. Desde a implementação do programa, foram realizados 94 treinamentos, com média de satisfação de 97,39%, demonstrando engajamento e efetividade na capacitação de auditores internos e na consolidação das práticas seguras.
A implantação do Programa de Auditorias Internas das Metas de Segurança do Paciente permitiu a consolidação de um processo contínuo, sistematizado e padronizado de monitoramento nas 17 Unidades Básicas de Saúde, com atuação direta de dois auditores internos por unidade. Os resultados evidenciaram evolução progressiva dos índices de conformidade, superando a meta institucional mínima de 70% e alcançando média geral de 86% nas auditorias realizadas. Observou-se fortalecimento da adesão aos protocolos institucionais de segurança do paciente, maior regularidade na análise crítica dos resultados e qualificação dos planos de ação registrados no sistema de gestão Interact SA. O uso de indicadores contribuiu para maior rastreabilidade das informações, transparência dos processos e suporte à tomada de decisão gerencial. O processo favoreceu o engajamento das equipes, consolidou a cultura avaliativa e educativa e contribuiu para a melhoria da gestão do cuidado, da segurança do paciente e da qualidade assistencial na Atenção Básica.
A experiência evidenciou que a capacitação de auditores internos, associada à realização de auditorias mensais e ao uso de ferramentas digitais de gestão, fortalece a cultura da qualidade e da segurança do paciente na Atenção Básica. O modelo favorece a gestão orientada por dados, a corresponsabilização das equipes e a melhoria contínua dos processos assistenciais. Configura-se como estratégia sustentável e replicável, alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde, com potencial de ampliação para outros pontos da rede de atenção à saúde, contribuindo para a qualificação do cuidado ofertado à população.
Auditoria interna, metas de segurança, APS, UBS.
ERICA DE CASSIA LAURINDO, FABIANA COSTA SILVA, MARCELLA ARCE DINEZ FORNOS DE OLIVEIRA, ISIS ROCHA PEDRO, THAIS ANDRADE DA SILVA, WIRA SILVA FERREIRA