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A Rede Cegonha, uma estratégia do Ministério da Saúde, visa aprimorar o atendimento às mulheres e crianças, acompanhando o desenvolvimento dos pequenos até o segundo ano de vida. Nos Centros Especializados em Reabilitação, esse acompanhamento se entrelaça com a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, especialmente na intervenção precoce em bebês com risco para o desenvolvimento. A priorização da primeira infância é evidente nas políticas públicas interdisciplinares brasileiras, em ambas as redes. O período de zero a seis anos é crucial não só para o desenvolvimento individual, mas também para o crescimento nacional e a redução da desigualdade social. Assim, em Santos, ações focadas nesse público tornam-se prioritárias. O Programa de Intervenção Precoce baseia-se na estimulação de bebês e crianças durante um período crítico para o desenvolvimento cerebral humano, do zero aos três anos. Para implementar políticas integradas para a primeira infância, é vital promover ações que incentivem o monitoramento do desenvolvimento infantil e a estimulação precoce nas redes de saúde. Essas ações visam mitigar possíveis desafios no desenvolvimento e promover uma vida futura de maior qualidade para toda a população. O Centro Especializado em Reabilitação Deficiência Física e Intelectual (CER-II) desempenha um papel fundamental nesse contexto, promovendo o desenvolvimento infantil e prevenindo sequelas graves, por meio de um trabalho integrado entre a equipe de reabilitação e a família.
Realizar o acompanhamento interprofissional e intervir no desenvolvimento de bebês e crianças entre zero a três anos de idade que apresentam fatores de risco para um comprometimento neurológico ou atraso no desenvolvimento; Estimular de forma lúdica a mobilidade espontânea e as trocas posturais de bebês e crianças, oferecendo experiências sensoriais e proprioceptivas; Orientar as famílias na promoção do ambiente protetor do desenvolvimento infantil, envolvendo aspectos nutricionais, de introdução alimentar e a ampliação do repertório do brincar e comunicar; Oferecer o suporte emocional às famílias e o apoio à parentalidade, buscando o fortalecimento dos vínculos familiares. Promover estratégias para facilitar a rotina das famílias nos cuidados cotidianos com a criança, incentivando a independência em suas ocupações diárias.
O Programa de Acompanhamento do Desenvolvimento do Bebê de Risco e Intervenção Precoce do CER-II é interprofissional, envolvendo fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, nutrição e terapia ocupacional. É uma parceria entre o CER-II, a SEVIG-MMI (responsável pela vigilância sobre Mortalidade Materno Infantil) e o estágio em neurologia infantil da graduação em fisioterapia da UNIFESP-BS, com agendamentos diretos ao pediatra para consultas iniciais e referenciamento com outras especialidades. Crianças também são encaminhadas por triagens da enfermagem. Após as avaliações, é elaborado um Plano Terapêutico Singular, priorizando o acompanhamento ou intervenção precoce conforme necessidade. O acompanhamento tem consultas mensais, bimestrais ou trimestrais, com grupos organizados por idade e demandas similares, contando com fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga e terapeuta ocupacional. A intervenção precoce tem consultas semanais ou quinzenais nas mesmas áreas, que trabalham juntas, realizando consultas multidisciplinares e discutindo os casos para ampliar a integralidade do atendimento. O foco é desenvolver a autonomia das famílias, oferecendo informações sobre o desenvolvimento infantil, a parentalidade e suporte emocional. Consideramos ser crucial unir as competências de várias áreas para implementar iniciativas que protejam o desenvolvimento infantil, criando ambientes enriquecedores, que proporcionem experiências significativas às crianças.
O CER-II, unidade articuladora da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, fortaleceu o programa de Intervenção Precoce e Acompanhamento do Recém Nascido de Risco, ao alcançar mais de 500 crianças encaminhadas pelo SEVIG MMI desde julho de 2021 até hoje, e estabelecer uma importante ponte com a Rede Cegonha. Entre 2021 e 2022, foram atendidos cerca de 166 bebês, iniciando com avaliação da pediatria neonatal. Desse total, 54,8% apresentaram a prematuridade como risco para o desenvolvimento, e o restante (45,2%) indicaram outros riscos como sífilis congênita, malformações e agravos psicossociais. Considerando o grupo de bebês prematuros, 49,5% receberam assistência da equipe de reabilitação infantil, com avaliações e acompanhamentos da fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, nutrição e terapia ocupacional. Dos bebês que iniciaram acompanhamento com a equipe de reabilitação infantil, 28,9% permaneceram até os dias atuais.
O desenvolvimento humano é um processo complexo, influenciado por diversos fatores, que demandam tanto o trabalho interprofissional quanto a articulação entre Redes de Assistência à Saúde diferentes no SUS. Para promover seu pleno desenvolvimento, é essencial adotar abordagens abrangentes e interdisciplinares, que envolvam não apenas o poder público, como saúde, educação e assistência social, mas também a família e a sociedade como um todo. O Programa de Intervenção Precoce do CER-II de Santos tem trazido qualidade para o atendimento, contribuindo para diminuir o agravamento das deficiências na população e assim, prevenindo dificuldades futuras. Apesar de suas realizações, o programa precisa caminhar no sentido de alcançar e acompanhar mais famílias com bebês dentro do risco para o desenvolvimento, fortalecendo a equipe para garantir a assistência em saúde e estruturando ações intersetoriais com a atenção básica, como forma de se consolidar como um trabalho com impacto positivo na saúde da população.
intervenção precoce, interprofissionalidade
Cinthia Bianca dos Anjos Pessoa Rodrigues Feio, Karina de Almeida Bittencourt Cardoso, José Roberto de Oliveira Martins, HANNAH CAMPOS SHINODA, VANESSA DA COSTA ROSA CORREA, ROBERTA TEJADA SORIANO FERRARESSO, ELAINE SAGIANI