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Introdução O ciclo da assistência hospitalar não se encerra com a internação, mas exige a continuidade dos cuidados. O sucesso terapêutico está diretamente relacionado ao acompanhamento adequado, especialmente para pacientes que necessitam de suporte ventilatório. Nesse contexto, a Atenção Domiciliar (AD) se configura como uma modalidade assistencial integrada à Rede de Atenção à Saúde (RAS), promovendo saúde, prevenção, tratamento e reabilitação no domicílio, de forma articulada com os demais serviços. No município de São Paulo, o Serviço de Atenção Domiciliar do Programa Melhor em Casa (PMC) é executado pelas Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMAD) e Equipes Multiprofissionais de Apoio (EMAP), que atuam nas seis Coordenadorias Regionais de Saúde (Norte, Sul, Leste, Oeste, Sudeste e Centro). Atualmente, são 63 equipes EMAD e 20 EMAP responsáveis pela desospitalização de pacientes dependentes de ventilação mecânica invasiva (VMID). Justificativa A fim de atender à crescente demanda por suporte ventilatório domiciliar, a capacitação das equipes se torna essencial. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente à meta de fortalecer parcerias público-privadas para melhorar a oferta de serviços de saúde (ODS 17), essa capacitação foi viabilizada por meio de um projeto colaborativo, que integrou esforços com o setor privado, visando ampliar o acesso a tecnologias e qualificação profissional
A capacitação teve como objetivo preparar os profissionais para o manejo seguro da VMID, promovendo a segurança do paciente, a eficiência na transição do cuidado e a otimização dos serviços prestados pelo Programa Melhor em Casa. Além disso, a formação contemplou os gestores, fornecendo subsídios técnicos e operacionais para a tomada de decisão e implementação do suporte ventilatório no contexto da AD.
Em consonância com o Planejamento Municipal de Educação Permanente (PLAMEP 2024), a Área Técnica do PMC desenvolveu uma capacitação especializada para gestores, coordenadores e profissionais das EMAD/EMAP. Conduzida por um especialista na área, essa formação teve como objetivo aprimorar os conhecimentos técnicos e gerenciais sobre a VMID, fortalecendo a qualificação das equipes para o cuidado domiciliar. A capacitação contemplou dois conteúdos específicos: •Profissionais de Saúde (EMAD/EMAP): enfoque técnico, com ênfase na utilização segura dos equipamentos, ajustes ventilatórios e manejo de intercorrências clínicas. Essa abordagem visou o aprimoramento da assistência direta ao paciente, garantindo boas práticas no uso da ventilação mecânica no domicílio. •Gestores: foco na legislação vigente, nos critérios de elegibilidade, na logística de equipamentos, no financiamento do serviço e na gestão da qualidade assistencial. Essa abordagem teve como objetivo melhorar a governança do Programa Melhor em Casa, fortalecendo a tomada de decisão baseada em evidências e boas práticas. Ao final de cada encontro, foi realizada uma avaliação da atividade, cujos resultados foram utilizados para qualificar os próximos encontros e aprimorar continuamente as ações desenvolvidas.
A estrutura do treinamento foi dividida em duas fases: 1.Primeira fase: A capacitação foi realizada ao longo de 2024 na Secretaria Municipal de Saúde, totalizando seis encontros, cada um com carga horária de quatro horas. O treinamento contemplou 255 profissionais de saúde de diferentes regiões, incluindo gestores, coordenadores e integrantes das EMAD/EMAP. Com duração de quatro horas por encontro, abordou aspectos legais e normativos, conceitos técnicos e operacionais da VMID, uso de equipamentos e tecnologias disponíveis, além dos ajustes ventilatórios necessários para garantir a segurança dos pacientes. 2.Segunda fase: foi realizada uma visita ao Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) para implementar o uso do telemonitoramento e garantir o acompanhamento contínuo dos pacientes, assegurando a continuidade e segurança do cuidado no domicílio. A avaliação indicou que a capacitação proporcionou o reconhecimento dos equipamentos, parâmetros e funcionalidades, além de favorecer uma abordagem qualificada ao cuidado do paciente. Os profissionais aprofundaram seus conhecimentos, trocaram experiências e fortaleceram a integração e a aplicabilidade dos conteúdos. Entre os pontos mais relevantes identificados pelos participantes, destacaram-se: a atualização sobre protocolos e regulamentações, o uso de tecnologias, as estratégias de educação, a organização do fluxo, as metodologias didáticas e a qualidade da ambiência e da estrutura do treinamento.
A implementação da capacitação resultou em um avanço significativo na atualização técnica, proporcionando maior segurança no manejo dos equipamentos e reduzindo os riscos associados ao cuidado domiciliar. Além disso, contribuiu para o aprimoramento da governança do PMC, alinhando a atuação das equipes às diretrizes nacionais da AD. Observou-se uma transformação na prática profissional, evidenciando que a AD é plenamente viável. No entanto, ainda persistem barreiras, especialmente nos hospitais, que dificultam a alta hospitalar dos pacientes. Atualmente, as equipes já acompanham um número significativo de pacientes, o que contribui para a qualificação da atenção domiciliar. A VMID tem demonstrado impactos positivos ao melhorar a qualidade de vida dos pacientes, refletindo diretamente na ampliação da disponibilidade de leitos e na redução do tempo de permanência hospitalar, evitando internações prolongadas. Assim, a capacitação ressaltou a importância de contar com equipes qualificadas, infraestrutura adequada e monitoramento contínuo, assegurando um cuidado domiciliar seguro, eficiente e humanizado. No entanto, ainda há desafios a serem superados, especialmente no que se refere à disponibilidade e à distribuição dos equipamentos, f
VENTILAÇÃO MECÂNICA, DOMICILIAR
KARINA MAURO DIB