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O câncer e seu tratamento impactam de forma significativa a vida dos pacientes, extrapolando o âmbito físico e alcançando dimensões emocionais, financeiras e sociais, com repercussões diretas na qualidade de vida. Alterações corporais, mudanças na rotina, fragilidade emocional e impactos na autoestima são frequentes e podem interferir na adesão ao tratamento e no bem-estar geral. Nesse contexto, o Programa Vida Saudável, desenvolvido pelo Núcleo de Apoio ao Paciente Oncológico de Ubatuba/SP, configura-se como uma estratégia de promoção da saúde alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente à integralidade do cuidado, à humanização e à participação social. A proposta amplia o olhar para além do tratamento oncológico, com atenção especial às pessoas que finalizaram a fase mais aguda da doença, valorizando ações educativas, preventivas e de fortalecimento do autocuidado, com participação ativa dos pacientes e familiares. A experiência ocorreu entre abril e dezembro de 2025, por meio de encontros mensais realizados majoritariamente no Teatro Municipal Pedro Paulo Teixeira Pinto, envolvendo pacientes oncológicos, familiares, equipes multiprofissionais da rede municipal de saúde e voluntários, como o projeto “Os Narigudos”, com foco na melhoria da qualidade de vida, reinserção social e fortalecimento do protagonismo no cuidado.
Ampliar o apoio e o cuidado ao paciente oncológico por meio de ações integradas de promoção da saúde, compreendendo o cuidado como multidisciplinar e multidimensional, estimulando hábitos de vida saudáveis, a participação ativa no processo de cuidado, o fortalecimento da autonomia e do protagonismo, bem como a socialização, o apoio mútuo e a melhoria da qualidade de vida nas dimensões física, emocional e social.
O Programa Vida Saudável foi desenvolvido por meio de encontros mensais temáticos, conduzidos pela equipe multiprofissional do Núcleo de Apoio ao Paciente Oncológico, com participação de profissionais da rede municipal de saúde e parceiros institucionais. As ações envolveram Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, equipe e-Multi e Agentes Comunitários de Saúde, conforme a temática. Ao longo do programa, foram incorporadas oficinas permanentes, como horta caseira e oficinas emocionais com trabalhos manuais, muitas conduzidas pelos próprios pacientes, promovendo cuidado integral, protagonismo e troca de saberes. Participaram pacientes em tratamento ativo e aqueles que já haviam concluído o tratamento. As metodologias incluíram dinâmicas participativas, rodas de conversa, práticas corporais e educativas, oficinas temáticas e ações de educação em saúde e autocuidado, além de avaliação qualitativa da percepção de qualidade de vida. O acompanhamento ocorreu por meio de carteirinha individual, com registros antropométricos, funcionais e do nível de atividade física, bem como da adesão às atividades ofertadas pelo Núcleo e parceiros.
A experiência resultou em impactos positivos observados de forma qualitativa e quantitativa. Houve maior adesão dos pacientes às atividades propostas, fortalecimento do vínculo entre usuários e equipe multiprofissional e ampliação da participação social dos pacientes oncológicos. Os participantes relataram melhora na percepção da qualidade de vida, maior consciência sobre hábitos de vida saudáveis, redução do isolamento social e fortalecimento emocional. As oficinas práticas favoreceram o aprendizado ativo e a incorporação gradual de mudanças no cotidiano. Destaca-se o fortalecimento do cuidado integral no SUS municipal, com maior integração entre serviços e profissionais, além da valorização de espaços coletivos como dispositivos terapêuticos e educativos. A realização de encontros temáticos, como ações voltadas ao público masculino no Novembro Azul, ampliou o alcance e a equidade das atividades. O uso da carteirinha individual favoreceu o engajamento dos participantes, possibilitando a visualização concreta de avanços físicos e funcionais, além de estimular o autocuidado, a autonomia e a corresponsabilização no processo de reabilitação. Observou-se ainda maior aproximação entre serviço, equipe, pacientes e familiares, fortalecendo a confiança, a comunicação e qualificando as intervenções, com impacto positivo na integralidade, humanização e resolutividade do cuidado.
A experiência evidenciou que ações integradas de promoção da saúde no cuidado oncológico favorecem não apenas mudanças em hábitos de vida, mas também o fortalecimento do cuidado integral, humanizado e centrado no usuário. A abordagem multidisciplinar e o uso de estratégias educativas e participativas mostraram-se eficazes para estimular o autocuidado, a autonomia e a corresponsabilização dos pacientes em seu processo de saúde e reabilitação. O fortalecimento dos vínculos construídos ao longo do programa contribuiu para maior adesão às intervenções e para a qualificação do cuidado no âmbito do SUS municipal, reafirmando a importância de espaços coletivos como dispositivos terapêuticos e de articulação entre serviços, profissionais, pacientes e familiares. A experiência demonstra potencial de replicabilidade em outros contextos, reforçando a promoção da saúde como eixo estratégico no cuidado oncológico.
paciente oncológico; programa vida saudável
JULIA DIAS DO ROSÁRIO, TATIANA FREITAS BARBOSA, LUAN ITACARAMBY, FABIANA SALES DOS SANTOS, ANGELA MARIA PACGANIN, SARA MONTEIRO