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O Monkeypox é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos, tendo sua área endêmica em países africanos. Em maio de 2022 houve incidência, também, em países não endêmicos, incluindo o Brasil, que relatou o primeiro caso em junho do mesmo ano. Em função da gravidade da patologia e risco de epidemia, o Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Santos capacitou rapidamente médicos, enfermeiros e outros profissionais para o enfrentamento ao Monkeypox. A ação descrita a seguir, ocorreu na Unidade de Saúde da Família do bairro Jardim São Manoel, localizado na Zona Noroeste de Santos. A Unidade é composta por 2 equipes e 8 Agentes Comunitários de Saúde. O ACS representa uma figura muito importante frente à Estratégia Saúde da Família, sendo uma das suas principais atribuições a integração entre a equipe de saúde e população adstrita, pois, por serem membros da comunidade, estabelecem uma relação muito próxima com a população. Assim, houve a necessidade de capacitar os ACS da USF São Manoel acerca do Monkeypox, visto que estes atuam diariamente no território e deveriam saber informar a população em relação aos riscos de contágio, sinais e sintomas da doença e formas de prevenção. A capacitação faz parte do Projeto “Agentes Multiplicadores”, que surgiu em junho de 2019 com o objetivo de preparar o ACS para lidar com as demandas da comunidade, atuando na promoção e prevenção à saúde.
Capacitar os Agentes Comunitários de Saúde da USF São Manoel para o enfrentamento do Monkeypox. O projeto tem como finalidade trazer aos ACS conhecimento técnico para que estes traduzam à comunidade um saber popular, assim lidando com as suas demandas, levando as informações as quais necessitam, garantindo mais saúde e qualidade de vida, tendo como ponto de partida a promoção e prevenção, gerando um incentivo à participação da comunidade no serviço de saúde.
No dia 22 de agosto de 2022 foi apresentada em slides uma palestra direcionada aos ACS. A intervenção durou aproximadamente 2 horas, sendo a maior parte do tempo utilizado para responder aos seus questionamentos e simular situações que possivelmente teriam de lidar com o enfrentamento do Monkeypox no território, nos domicílios e também na Unidade de Saúde. As informações principais eram os sinais e sintomas: mal estar geral importante e lesões cutâneas. Foram mostrados casos suspeitos, prováveis, confirmados e descartados, para que os ACS tivessem propriedade ao lidar com os questionamentos da população. O maior número de casos ocorreu em homens que fazem sexo com homens, pessoas do sexo masculino e média de idade de 33 anos. Os ACS também deveriam atentar-se a pessoas que viajaram para outros países e também que tiveram contato sexual ou prolongado com pessoas com lesões de pele sugestivas. Eles foram orientados a não adentrar em residências de pessoas com lesões de pele e utilizar máscara, orientando em relação ao Monkeypox e direcionando à USF para que a equipe avaliasse as lesões e realizasse a coleta de secreção. Após a passagem do paciente pela equipe, o ACS deveria acompanhá-lo a cada 48 horas através de contato telefônico para saber sobre a evolução do caso, efetivando a vigilância em saúde. A USF São Manoel apresentou dois casos suspeitos, os quais foram descartados após análise laboratorial de coleta de secreção.
O conteúdo exposto surpreendeu a todos os profissionais, pois pouco havia sido divulgado sobre a Monkeypox na mídia, neste sentido, a Atenção Primária à Saúde tem papel importante no enfrentamento de diversas situações de Saúde Pública, sobretudo com a capacitação dos ACS que deve atender a necessidade de saúde da comunidade, considerando as peculiaridades da população, envolvendo as questões sociais, culturais e de gestão. Essa capacitação somada ao profundo conhecimento que a categoria tem da comunidade implica diretamente na qualidade do serviço prestado. Frente às necessidades da população, o Projeto “Agentes Multiplicadores” tornou-se fundamental não somente em situações de promoção e prevenção à saúde, mas também para atuar junto aos casos prováveis do Monkeypox e o risco potencial de contaminação, capacitando esses profissionais para que possam executar medidas de controle. Aos ACS cabe desenvolver, junto à equipe, atividades de promoção à saúde e de prevenção de doenças e agravos através de visitas domiciliares e ações educativas individuais e coletivas nos domicílios e na comunidade, além de um intenso trabalho de orientação às famílias sobre os serviços de saúde disponíveis no território.
O ACS é membro da comunidade e está nela inserido como profissional de saúde e, ao mesmo tempo, representa a comunidade dentro do serviço de saúde, sendo o elo entre eles. O Ministério da Saúde prevê que o processo de capacitação dos profissionais tenha como base a necessidade da população. Por fazer parte da comunidade, a proximidade dos ACS facilita e enriquece o trabalho, estabelecendo uma relação de confiança, o que se torna muito positivo para o serviço. Concretizar a capacitação sobre a Monkeypox fez com que os ACS pudessem repassar informações e melhor orientar a população. Durante a apresentação, surgiram muitas dúvidas e um interesse por parte dos ACS de novas capacitações, o que sugere grande aceitação por parte destes e um incentivo à educação permanente no local.
Monkeypox, Agente Comunitário de Saúde
DANIELLE NUNES GRAÇA DE OLIVEIRA