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Prematuridade é todo nascimento ocorrido antes de 37 semanas completas de gestação. Diversos fatores influenciam sua ocorrência, desde fatores genéticos, sociodemográficos, ambientais, e principalmente aqueles referentes à gestação, como idade da mãe, diabetes gestacional, uso de drogas ilícitas, estresse materno, entre outros. A prematuridade é a principal causa de morte infantil no mundo de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil é o 10º país em número de nascidos vivos prematuros, com mais de 340 mil nascimentos por ano. Os avanços tecnológicos têm garantido uma maior sobrevida às crianças prematuras, porém a incidência de morbidades crônicas que envolvem déficit de crescimento e atraso no neurodesenvolvimento entre os sobreviventes não acompanha a redução da mortalidade de maneira significativa. A prematuridade pode ter repercussões ao longo da vida do indivíduo, e encontram-se como as mais frequentes as motoras (12%), visuais (10%), auditivas (6%), de linguagem (21%), além de alterações comportamentais, como déficit de atenção e hiperatividade (20%) e transtorno do espectro autista (6%). Considerando as morbidades decorrentes da prematuridade e a determinação do Ministério da Saúde em relação ao follow up desses bebês, assim como a alta demanda de crianças prematuras que iniciam o acompanhamento com a Equipe de Reabilitação Precoce do CER IV de São Bernardo do Campo, justifica-se a criação de grupos de intervenção precoce com as crianças.
A criação de grupos de intervenção precoce com as crianças prematuras acompanhadas pela Equipe de Reabilitação Precoce do CER IV de São Bernardo do Campo, tem como objetivo acolher e orientar as famílias e cuidadores quanto ao desenvolvimento neuropsicomotor e estimulações a serem realizadas também no ambiente domiciliar.
O projeto do Grupo de Prematuros foi estruturado considerando atendimentos quinzenais, com duração de 40 minutos, durante 6 meses; sendo o número de participantes mínimo 4 e máximo 10. Os critérios de inclusão para o grupo foram (1) diagnóstico de prematuridade e (2) idade corrigida até 1 ano. Os grupos eram conduzidos por equipe interdisciplinar com Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Fonoaudióloga e Psicóloga. Em cada encontro foram discutidos com as famílias e cuidadores temas que envolviam o desenvolvimento global da criança, com atividades práticas que pudessem ser reproduzidas pelas famílias, e assim, estimular o desenvolvimento global das crianças. Ao final do grupo, foi aplicado um questionário com as famílias e cuidadores para feedback quanto à estrutura do grupo, aprendizados e expectativas.
O projeto iniciou com 20 crianças, divididas entre 4 grupos (2 no período da manhã e 2 no período da tarde). Os familiares e cuidadores sempre estavam presentes nos atendimentos, uma vez que o maior objetivo era orientá-los para que pudessem estimular as crianças na rotina familiar. Durante os encontros realizados, os seguintes temas foram abordados: Prematuridade, Estimulação Sensorial, Desenvolvimento Motor, Brincar, Alimentação e Introdução Alimentar, Shantalla e Rotina. Nos atendimentos os cuidadores compartilhavam suas experiências e dúvidas, as orientações que tinham conseguido colocar em prática durante a semana, e quando não, a equipe criava junto com a família estratégias para que eles pudessem realizar tais orientações. O grupo potencializa a troca de experiência se favorece o protagonismo das famílias. “O espaço grupal possibilita o contato e o reconhecimento do próprio fazer, seus limites e facilidades; a observação do fazer do outro, a percepção de semelhanças e contrastes, e a potencialização do fazer junto” (SAMEA, 2008). Como forma de feedback para a equipe, ao final do grupo, foi aplicado com as famílias e cuidadores um questionário sobre o desenvolvimento da criança, a compreensão quanto às orientações e discussões realizadas durante os atendimentos, e se a expectativa deles foi alcançada.
O grupo permitiu o acompanhamento próximo dos bebês prematuros por parte da equipe de Reabilitação Precoce, de modo que foi possível, além de realizar orientações globais sobre o desenvolvimento infantil e estimulações, realizar também intervenções pontuais a partir das demandas individuais de cada criança. Avaliamos que o instrumento de questionário foi bastante relevante para feedback da equipe, porém consideramos que um questionário pré- grupo também se faz importante para mensurar a aquisição de conhecimentos por parte das famílias/cuidadores. Um aspecto importante que foi notado pela equipe e que também foi elencado nos questionários, foi o fato do grupo ter se tornado um canal de troca entre as próprias famílias – todas sinalizaram como ponto positivo a possibilidade de interação com outras famílias que também vivem a prematuridade de suas crianças, com suas inseguranças, frustrações e conquistas. A equipe de Reabilitação Precoce considera que o grupo de Prematuros foi uma experiência exitosa tanto para as crianças e famílias, como para os profissionais; e desta forma, manterá o projeto para permitir que novas crianças possam ser beneficiadas também.
Prematuridade; Intervenção Precoce; Protagonismo.
Ilângelis Meira Porto, Lenita Pedregoza Santos Xavier, Patrícia Monteiro Marchiore, Simone Aparecida Ferreira, Fernanda de Oliveira Lima