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O índice de envelhecimento da Baixada Santista passou de 48,27% em 2012 para 84,93% em 2021 (SEADE), indicando que hoje há quase 85 idosos para cada 100 jovens. Esse avanço demográfico amplia a incidência de doenças crônicas relacionadas à idade, como o câncer, e impõe novos desafios ao SUS, exigindo estratégias de cuidado mais integradas e humanizadas. No AME Santos, observou-se que pacientes diagnosticados com câncer enfrentam, além da fragilidade clínica, insegurança emocional, dificuldades de acesso à informação e vulnerabilidade social no período entre o diagnóstico e o encaminhamento à rede de referência oncológica. Diante desse cenário, foi implantado, em janeiro de 2025, o Projeto de Acolhimento Oncológico Telemulti. A iniciativa busca reduzir ansiedade, fortalecer autonomia e garantir orientação qualificada nesse momento crítico do cuidado. Participam assistentes sociais, psicólogos e enfermeiros, beneficiando usuários do SUS da Baixada Santista, especialmente idosos, com promoção de cuidado integral e humanizado.
Qualificar o acolhimento aos usuários com diagnóstico de câncer por meio de tecnologia digital, garantindo comunicação clara, suporte emocional e orientação até o encaminhamento ao serviço de referência. Busca-se reduzir ansiedade, ampliar acesso à informação, fortalecer o vínculo entre equipe e paciente e organizar a transição assistencial, diante do aumento da demanda oncológica relacionada ao envelhecimento populacional.
Após a confirmação diagnóstica e identificação do paciente, a equipe médica do AME Santos realiza o encaminhamento ao Serviço Social da unidade, que procede a inserção na regulação para a rede de referência oncológica – Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer. Os atendimentos são conduzidos por assistentes sociais, psicólogos e enfermeiros, por meio de videochamadas ou mensagens via WhatsApp institucional. São oferecidos apoio emocional e esclarecimento de dúvidas sobre o tratamento e fluxos assistenciais. O acompanhamento ocorre até o efetivo encaminhamento ao serviço de referência. A estratégia organiza o cuidado na transição diagnóstica, período sensível especialmente em um cenário de aumento da demanda oncológica associada ao envelhecimento e às doenças crônicas.
Em 2025, a unidade registrou 228 novos diagnósticos de câncer, sendo 156 pacientes alcançados pelo projeto até o momento. Observou-se melhora na comunicação com os usuários, maior compreensão sobre o fluxo assistencial, continuidade do cuidado e fortalecimento do vínculo com a equipe multiprofissional.
A experiência demonstra que o uso de tecnologia simples e acessível pode qualificar o cuidado no SUS, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade emocional, como o diagnóstico oncológico. O projeto reforça os princípios da humanização, da integralidade e da comunicação efetiva, promovendo acolhimento além do atendimento presencial. A iniciativa é de baixo custo, viável e passível de replicação em outras unidades ambulatoriais. Como perspectiva futura, pretende-se ampliar a cobertura dos pacientes diagnosticados, sistematizar indicadores de monitoramento e fortalecer a articulação com a rede regional de oncologia, consolidando o modelo como estratégia permanente de cuidado.
Regulação em Saúde, SUS.
GUILHERME AUGUSTO BRAGA SILVA, LILIAM CARLA MOREIRA COUTO, MARA REGINA ANNUNCIAÇÃO