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O Guia Alimentar para a População Brasileira, afirma que alimentos ultraprocessados (AUPs) são nutricionalmente desbalanceados, e tendem a ser ingeridos em excesso, ocasionando dietas pouco saudáveis; e recomenda que a base da alimentação deve ser composta de alimentos in natura e minimamente processados (AMP), evitando os AUPs¹. Ao longo dos anos observa-se mudanças no padrão alimentar dos brasileiros com a substituição de alimentos in natura e AMP por AUPs o que gera desequilíbrio na oferta de nutrientes e a ingestão excessiva de calorias¹. De acordo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, entre 2002 e 2017 houve redução de 7% na participação de produtos in natura e aumento de 46% no consumo de AUPs². Um estudo de 2021 apresentou o resultado de uma pesquisa realizada com indivíduos com idades entre 7-24 anos, concluindo que 60% das calorias consumidas provinham de produtos industrializados e notaram que quanto maior o consumo desses produtos, maior a tendência de obesidade na vida adulta³. Promover a alimentação saudável na infância é necessário. A escola é um ambiente potente para a realização de atividades de estímulo a bons hábitos alimentares4. Assim, foi realizado um projeto de horta na Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos (EMEBS) Anne Sullivan em parceria com a UBS Chácara Santo Antônio e Projeto Ambientes Verdes Saudáveis (PAVS) desde 09/2022, praticando os princípios e diretrizes do SUS como a igualdade da assistência à saúde e equidade.
Geral Apresentar e incentivar o consumo de alimentos classificados como “comida de verdade” (in natura e AMP), aos estudantes da EMEBS Anne Sullivan e seus professores. Reduzir a seletividade alimentar de forma lúdica por meio do plantio, realização de oficinas culinárias, estímulo sensorial e promoção da saúde ambiental. Específicos • Plantio e manutenção da horta da escola como forma de apresentar e estimular estudantes e professores a conhecer a consumir hortaliças; • Realizar dinâmicas de aproximação sensorial das crianças aos alimentos por meio do olfato, tato e paladar; • Realizar oficinas sobre alimentação saudável; • Realizar oficinas culinárias apresentando formas de consumo dos alimentos cultivados na horta; • Atividades externas em parques e hortas comunitárias apresentando novos cultivos e estimulando a realização de piquenique com alimentos saudáveis e saúde ambiental; • Realizar palestra aos pais para estimular alimentação saudáv
Em abril de 2022 foi realizado contato com a escola para apresentar o projeto, conhecer o espaço escolar e entender os hábitos alimentares dos estudantes; realizado contato com o PAVS e visita à horta matriz do CAPS para escolha de mudas. O plantio teve início em 09/2022 e as atividades seguiram um cronograma previamente estabelecido pela equipe: •Cuidados semanais: plantio, rega, controle de pragas, apresentação da composteira e sua importância no cultivo; •Oficina culinária sensorial: produção de receitas saudáveis utilizando os alimentos da horta e outros ingredientes saudáveis. •Passeio e conversa sobre preservação ambiental: visita guiada pela equipe do parque ao parque Severo Gomes sobre a importância dos rios e nascentes da região; •Passeio a horta comunitária da região: reconhecimento de novos plantios; •Oficina de chás: apresentação de outras formas culinárias dos alimentos produzidos na horta considerando suas propriedades fitoterápicas; •Palestras com os responsáveis dos estudantes: conversa sobre alimentação saudável e incentivo a alimentação adequada às crianças. A equipe responsável foi composta por nutricionista e farmacêutica da UBS; equipe do PAVS e da equipe pedagógica da escola. Em 2022 participaram 2 turmas; em 2023, 4 e em 2024, 7 turmas. No período de 12/2024 e 01/2025 os pacientes do Grupo de Convivência da UBS realizaram os cuidados da horta com a finalidade de garantir o cuidado e cultivo das hortaliças mesmo no período das férias escolares.
O projeto contribuiu para a revitalização do ambiente físico da escola uma vez que já contava com espaço, no entanto, estava abandonado antes do início do projeto. A equipe pedagógica e responsáveis pelos estudantes, relataram a baixa aceitação das crianças à alimentos como hortaliças. Com a sensibilização, desde o plantio, colheita e preparo das receitas nas oficinas, houve um aumento na aceitação dos alimentos por todas as crianças às receitas preparadas em conjunto, despertando curiosidade e empolgação ao consumir um alimento que elas mesmas plantaram, colheram e cozinharam. Nas oficinas, os professores trabalharam temas como meio ambiente, matemática e a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Também foi possível observar mudanças nos lanches enviados para consumo em atividades externas, notando maior preocupação dos pais na montagem da lancheira, após as conversas sobre alimentação saudável e por influência dos próprios filhos, a partir do relato das experiências vividas na escola. No primeiro passeio, observou-se que os lanches eram compostos majoritariamente por AUPs. Após a orientação constatou-se que nos passeios seguintes havia maior preocupação sobre os alimentos que poderiam compor as lancheiras, demonstrando que o impacto do projeto extrapolou o ambiente escolar chegando ao ambiente familiar.
A infância é um momento de descobertas e transformações, inclusive no âmbito alimentar, neste período pode ocorrer seletividade, redução do apetite ou ainda o aumento do consumo de alimentos não saudáveis, que impacta o crescimento, desenvolvimento e saúde. Adoção de bons hábitos alimentares, desde a infância, promove saúde e previne doenças geradas por falta de nutrientes ou excesso de calorias, sódio, gordura e açúcar. A implementação da horta na escola aproxima e estimula as crianças para inclusão de alimentos saudáveis em sua rotina. A horta impactou positivamente às crianças, reduzindo a seletividade alimentar e maior receptividade a novos alimentos. Ampliou o conhecimento sobre os alimentos saudáveis, cultivo, consumo consciente, além de servir como contexto pedagógico à outros temas e impacto positivo na rotina alimentar familiar. O projeto incluiu as crianças como agentes do processo, incentivou o trabalho em grupo, gerou maior comprometimento e participação das crianças. Além de promover o encontro intergeracional. Outro ponto importante é a potência da equipe multiprofissional e intersetorial na realização do projeto, contribuindo para o sucesso da proposta.
horta, alimentação saudável, crianças surdas
TAÍS DE FÁTIMA BORGES CAMARGO, JOSIE CLEIA SANTOS MIRANDA , PATRÍCIA VIEIRA