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As pessoas que vivem nos centros urbanos tendem a se distanciarem de hábitos naturais, e como consequência, seus filhos repetem esse padrão, resultando em uma desconexão com a origem dos produtos consumidos e a importância do uso racional dos recursos naturais. Cultivar pode ajudar na reconexão com a natureza e despertar interesses por ela, proporcionando ensino sobre meio ambiente e saúde coletiva (FERNANDES, 2021). Nesse contexto, a implementação de hortas orgânicas e sensoriais se destaca como uma boa prática, pois vai além do que é esperado ou protocolado, integrando eixos de sustentabilidade e inovação em saúde. A horta não apenas oferece alimentos saudáveis, mas também criam espaços inclusivos que promovem o convívio social e o desenvolvimento pessoal, especialmente para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (DIAS et al., 2022; SESC, 2023). Além disso, atividades sensoriais na horta estimulam diferentes sentidos e são benéficas como ferramentas terapêuticas. O AMA/UBS Chácara Cruzeiro do Sul identificou uma demanda de saúde relacionada às crianças com desenvolvimento atípico que necessitam de acompanhamento, dessa maneira o projeto HorTEA busca promover inclusão social e desenvolvimento de crianças de 5 a 15 anos com diagnóstico ou suspeita de TEA, utilizando a horta para atividades sociais, motoras e cognitivas e estimular o interesse por alimentos saudáveis.
Promover o desenvolvimento e estímulo social, mental, ambiental e nutricional de crianças suspeitas ou diagnosticadas com o CID f84 (Transtorno do Espectro Autista) pertencentes ao território da unidade. Especialmente promover a horta como incentivo a alimentação saudável estimular espaços de trocas de experiências, escuta e cuidado envolvendo os pais ou responsáveis das crianças atendidas e proporcionar a interação das crianças com a natureza utilizando a Horta como ferramenta de promoção de bem-estar emocional e desenvolvimento social.
O projeto adota uma abordagem qualiquantitativa, combinando o cultivo de uma horta com estratégias voltadas à promoção da saúde e desenvolvimento. Para avaliar o impacto das atividades, um questionário sobre alimentação foi aplicado inicialmente e será reaplicado semestralmente, permitindo uma análise contínua da aceitação dos alimentos em relação às experiências vivenciadas. As oficinas semanais possibilitam a participação ativa das crianças no plantio, cultivo e cuidado das plantas, estimulando a aprendizagem prática e a valorização dos alimentos naturais. Bimestralmente são realizadas colheitas, proporcionando uma vivência direta com os frutos do próprio trabalho. Além do contato com a horta, o projeto inclui atividades mensais, como rodas de conversa e oficinas de cuidado, que promovem o compartilhamento de experiências entre as crianças, suas famílias e profissionais envolvidos. A avaliação da eficácia do projeto é feita com base na quantidade e qualidade das atividades realizadas, bem como na evolução dos hábitos alimentares das crianças ao longo do tempo. A participação das Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) desempenha um papel fundamental, auxiliando no engajamento das famílias e no monitoramento do bem-estar emocional e social das crianças. O acompanhamento das atividades é realizado por meio de registros fotográficos e observações quantitativas, possibilitando ajustes contínuos para otimizar os resultados.
Em 2024, o projeto realizou 27 grupos, 3 oficinas de colheita e 2 degustações. Em agosto e outubro, as crianças prepararam receitas com ingredientes da horta, como guacamole e salada Caesar com molho de ervas. Foram feitas duas tentativas de plantio de sementes (alface, rabanete, quiabo, cenoura e tomate) e três de mudas (alface, salsinha, morango e rúcula). Atualmente, a horta mantém cultivos de alface, morango, quiabo, rúcula, tomate e salsinha, além de outras plantas já anteriormente plantadas. Mensalmente, profissionais abordaram diferentes temas voltados à saúde, nutrição, meio ambiente e cuidados com a horta, promovendo o aprendizado contínuo das crianças. O caso de Gael, um menino boliviano de 8 anos com TEA nível 3 de suporte, exemplifica o impacto do projeto. Inicialmente agitado e sem adesão às atividades, ele evoluiu reconhecendo os profissionais e demonstrando mais calma durante os grupos. Desde julho, pratica semanalmente a função de regar os canteiros, marcando um avanço significativo em seu quadro ao aceitar a função previamente determinada pelos profissionais. O PTS do Gael foi ampliado pela equipe, possibilitando o acompanhamento pela UBS, CAPS IJ e CER, atendimentos que renderam uma avaliação positiva até mesmo da escola. A unidade também possibilitou o acompanhamento psicológico de seu irmão Gabriel, adolescente diagnosticado com o CID F70, e a inclusão de sua família ao acompanhamento odontológico através do território inclusivo.
O projeto demonstrou resultados significativos no desenvolvimento das crianças, com destaque para o caso de Gael que apresentou considerável evolução ao longo dos grupos, mostrando maior calma e interação com os profissionais. A tarefa de regar a horta, que antes era desafiadora, foi aceita e se tornou uma atividade contínua, marcando um avanço importante em seu desenvolvimento social e emocional. Além disso, o projeto proporcionou um apoio integral à sua família. O acompanhamento ampliado, que incluiu suporte psicológico para seu irmão, e a inclusão da família no atendimento odontológico pelo território inclusivo, foi essencial para promover a adaptação e o bem-estar de todos. A avaliação positiva de Gael, tanto por sua escola quanto pelas equipes de saúde e sua família, reflete o impacto positivo do grupo, e o exemplo de sua evolução confirma o potencial transformador de iniciativas que integram cuidados de saúde, educação e interação com a natureza. O sucesso do projeto está na abordagem contínua e adaptativa, que envolveu não apenas as crianças, mas também suas famílias, criando um ambiente de aprendizado e apoio integral para todos os envolvidos.
Horta, TEA
GABRIELLE DO NASCIMENTO NUNES, LETICIA SILVA DE OLIVEIRA, ANA LUIZA PEREIRA COURA, FABIANA CASEMIRO GERVASIO, DAIANE OLIVEIRA VALE