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Em março de 2022, com o arrefecimento da Pandemia do COVID, ponderando sobre as necessidades de saúde e tendo como referência as políticas de saúde vigentes no SUS, especialmente as que visam prevenção de doenças e promoção de saúde, o gestor revisita o programa Saúde na Escola do Ministério da Saúde e propõe aos técnicos implementação do antigo programa com um plus que tivesse em foco; um município pequeno, com muita invasão de outros estados, rico em culturas diferentes e carentes de informações verídicas em saúde. Tínhamos como questionamentos norteadores se o escolar tinha conhecimento necessário para aderir hábitos saudáveis que poderiam interferir na sua saúde? Se o escolar, sua família e os professores conheciam as causas do processo saúde/ doença que os aflige? Se os atores sociais que interferem nesta dinâmica já desenvolviam estratégias e ações que visassem construir integração intersetorial? Se já existiam ações de saúde/educação que visassem consolidar a promoção da saúde e prevenção de doenças através da adoção de hábitos saudáveis? Com todos esses pontos fervilhando em nossas mentes, saimos a trocar com nossos pares da sáude e da educação. Justificativa Considerando que para reduzir riscos, promover e proteger a saúde da população, garantindo o direito a manutenção de sua saúde, se faz necessário desde muito cedo, que se conheça o processo, estimulando cada individuo, em seu ciclo de vida, a realizar escolhas e desenvolver ações que preservem ou mante
1. Geral Desenvolver a cidadania através da emancipação dos sujeitos sociais, sejam eles profissionais de saúde, professores e alunos e família envolvidos, através da informação e problematização de situações cotidianas, gerando assim conhecimento e autonomia para o autocuidado nos processos de saúde/doença, buscando manutenção da saúde dos indivíduos. 2. Específicos 2.a A partir da análise da investigação situacional e discussão com as equipes da saúde e educação, desenvolver ações que evitem que as pessoas se exponham a fatores condicionantes e determinantes de doenças, tendo entre outras ações o ensinar a população a cuidar de sua saúde, individual e coletivamente, a fim de gerar condutas que gerem menos doenças, melhor qualidade de vida. 2.b Acompanhar e dar encaminhamento aos atendimentos especializados necessários. 2.c Gerar indicadores sistematicamente e avalia-los a cada 4 meses. 2.d Organizar oficinas educacionais que visem temas sensíveis a cada comunidade
Fizemos contato com a Coordenadora da Educação a qual nos aproximou dos diretores da s 4 escolas municipais, aos quais explicamos nossos objetivos. Um espaço específico foi organizado em cada escola sendo conhecido a partir de então por todas comunidade como “Ambulatório escolar”. Houve a contratação de uma (01) enfermeira, (04) quatro técnicas de enfermagem; uma para cada escola, sendo acompanhadas em rodizio pela enfermeira; 1 médica pediatra cursando especialização em endocrinologia. A metodologia ativa desta proposta, consiste em levantamento de condições de saúde dos escolares, inferidos a partir da observação da equipe de enfermagem e de problemas vivenciados pelos educadores nas escolas. A partir das necessidades de saúde apontadas são construídas intervenções que buscam prevenir complicações e promover saúde. Organizamos avaliação das 1610 crianças, todas foram avaliadas clinicamente a partir da observação e consultas de enfermagem para detecção de doenças negligenciáveis, e avaliação dos perfis glicêmico, lipídico, renal, oftalmológico, auditivo. Após autorização dos pais todas as crianças passaram pela médica quando os exames foram avaliados e os casos encontrados encaminhados aos especialistas e ao ambulatório de crônicas. Fizemos contato com as coordenadorias municipais de esporte e cultura para com ações peculiares a cada um participassem de ações educativas junto aos escolares.
Pudemos observar que muito pouco de saúde é conhecido pelas crianças e suas famílias, o que inclui os professores que por vezes sofrem por não conhecerem a realidade técnica dos casos. Encontramos 275 crianças com sobrepeso e obesidade, e já as encaminhamos junto a seus responsáveis para atendimentos psicológicos, nutricionais, médicos e com educador físico, já conseguimos adesão de algumas famílias entendendo o problema da obesidade como sendo um problema familiar de consequências graves a curto e longo prazo. Conseguimos junto a direção da escola mudar o horário da merenda que poderia ser uma das causas identificadas de sobrepeso e obesidade das crianças, grande vitória! Diagnosticamos também 195 crianças com necessidades visuais que foram encaminhadas ao oftalmologista, e para as quais foram doados óculos em parcerias com uma empresa do municípios, 161 óculos foram adequados as crianças. Um número importante de crianças apresentam problemas psicológicos e alguns psiquiátricos, as quais também estão em acompanhamento inclusive com medicação assistida, considerando a dificuldade que algumas famílias apresentam de cognição e cuidado. Outros problemas encontrados nos mobilizaram com grande indignação, crianças com ferimentos graves,, crianças com problema de fala, audição e locomoção, todas continuam em acompanhamento conjunto. Tivemos ajuda de faculdades que muito nos ajudaram, a partir de parcerias com campos de estagio de enfermagem, nutrição, psicologia.
Muitas outras ações foram pensadas e planejadas; olimpiada escolar com a coordenadoria de esporte, biblioteca etinerante com a coordenadoria da cultura , porém há um descompasso no tempo das coisas. Pudemos observar que ainda existe uma grande lacuna a ser vencida para trabalharmos intersetorialmente, a fim de conseguirmos efetivamente fazer saúde e não apenas buscar curar doenças, considerando a complexidade da SAÚDE, pois trabalhamos em ritmos diferentes, com determinações de Ministérios específicos, mas seguimos buscando o ajuste, se não perfeito, o mais compassado possível para o bem comum. Tivemos o privilégio de poder ver a diferença que algumas dessas essas ações fizeram na vida de muitas crianças imediatamente, com muitas consultas realizadas, encaminhamentos, procedimentos, mas sabemos que para a maioria esse trabalho é um investimento a longo prazo, quando esperamos ter cidadãos mais conscientes de seus direitos e deveres no autocuidado e portanto mais saudáveis.
prevenção, escolar, autocuiddo, intersetorialidade
Juvenal Baptistella Chiocheti, Rosangela Ap. Biscaro Chicheti, Regiane Portes Mendes, Elaine Cristina Geraldi