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As inovações tecnológicas são grandes aliadas da comunicação em saúde, uma vez que oferecem ferramentas e soluções que facilitam o acesso à informação, o diálogo entre os usuários e os profissionais, bem como auxilia a gestão na avaliação da qualidade dos serviços prestados. Conforme a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB, 2017), são atribuições dos profissionais que atuam na atenção básica cadastrar, manter atualizado o cadastro e outros dados de saúde das famílias e indivíduos no sistema de informação vigente. O Departamento da Atenção Básica do Ministério da Saúde com o objetivo de facilitar o processo de trabalho dos agentes comunitários de saúde (ACS) para registro das visitas domiciliares e cadastramento de famílias e indivíduos, desenvolveu o e-SUS AB Território, aplicativo móvel acessado através de tablets para registro das ações realizadas pelos profissionais de saúde. Neste contexto, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Ribeirão Preto, com o propósito de qualificar e agilizar os processos dos cadastros de domicílio, indivíduos e famílias e do lançamento de visitas domiciliares pelos ACS, adotou, como projeto piloto, o uso da Plataforma e-SUS AB Território em 6 unidades de saúde da família do Município.
Descrever a experiência da implantação do uso do aplicativo e-SUS AB Território, por meio de tablets, no processo de trabalho dos profissionais das 6 equipes de Saúde da Família no município de Ribeirão Preto.
A implantação do aplicativo e-SUS AB Território em Ribeirão Preto aconteceu entre os meses de fevereiro e agosto de 2023 e o processo ocorreu em etapas. Inicialmente uma equipe formada pela coordenação da estratégia saúde da família e a divisão de informática da SMS realizou visitas às unidades de saúde selecionadas para orientação e treinamento da equipe para o uso da ferramenta. Em setembro de 2023, com o intuito de avaliar a aplicabilidade da ferramenta, foi enviado aos profissionais destas equipes um questionário eletrônico, criado através do formulário Google Forms, contendo um total de 7 questões. Nas 5 questões listadas a seguir, utilizou-se a escala Likert para as respostas: • O uso do E-SUS território (tablet) facilitou a realização dos cadastros individual e domiciliar, melhorando a qualidade destes? • O uso de E-SUS território (tablets) melhorou o registro das informações nas visitas domiciliares? • O uso da plataforma E-SUS Território facilitou o monitoramento e a gestão, melhorando o planejamento local de saúde? • A ferramenta (tablet) é um fator motivacional para qualificação de seu trabalho? • Você indicaria o uso dessa ferramenta em toda rede de Atenção Primária à Saúde do Munícipio? As outras questões eram para respostas discursivas: • Descreva brevemente as desvantagens do uso da Plataforma e do Tablet. • Descreva brevemente as vantagens do uso da Plataforma e do Tablet. Participaram da pesquisa, ACS, enfermeiros e médicos.
Foram entrevistados, 34 profissionais, destacando-se: agentes comunitários de saúde, enfermeiros, médicos outras categorias integrantes da equipe. No questionamento, referente a ferramenta facilitar a realização dos cadastros, 44,1% responderam “Concordo Totalmente” e 5,9% responderam “Discordo”. Na segunda pergunta, sobre a melhora no registro das informações nas visitas domiciliares, 41,2% responderam “Concordo Totalmente” e 5,9% “Discordo”. Em relação a ferramenta facilitar monitoramento e a gestão local em saúde 23,5% dos participantes responderam “Concordo Totalmente” e 14,7% “Discordo”. Quando questionados se a ferramenta é um fator motivacional para qualificação do trabalho, 41,2% dos profissionais concordaram e 2,9% discordaram totalmente. No questionamento, você indicaria a ferramenta para uso em toda rede de Atenção Primária do município, 70,6% dos profissionais indicariam. Analisando as respostas abertas, as desvantagens relatadas foram: “Medo de assalto”, “Não permite acesso às informações do prontuário eletrônico local”, “Dificuldades no acesso à internet” e as vantagens, foram: “Trabalho mais ágil e preciso”, “Cadastramento e atualização dos dados ganhou rapidez e maior visibilidade”, “Facilidade nas informações e atualizações dos dados”. As dificuldades, na visão da gestão, na implantação deste projeto, destacam-se a qualidade da internet disponível e a falta de interação do aplicativo com o sistema de registro em saúde atualmente utilizado no município.
Com base nos resultados apresentados, pode-se demonstrar uma boa aceitação no uso da ferramenta pelos profissionais das equipes de ESF e que estes obtiveram melhorias em seu processo de trabalho, além do aperfeiçoamento da gestão local. Pode-se afirmar também que a implantação desta ferramenta contribuiu para a gestão identificar os pontos necessários para implementação do seu uso, com vistas a futura implantação em toda rede de saúde municipal, buscando maior autonomia dos profissionais envolvidos, mais presteza e melhor qualidade nas informações. A inserção das tecnologias em saúde e o seu aprimoramento são um desafio dos gestores, pois envolve diversos fatores como capacitação dos recursos humanos em saúde, atualização das bases de dados, integração dos sistemas, acesso à internet de qualidade e em tempo exequível com as necessidades do trabalho, entretanto, mesmo diante das fragilidades do uso da ferramenta e da necessidade de otimização da interação entre os sistemas utilizados no município, esta tecnologia apresenta potencialidades que permitem melhorias no processo de trabalho e na qualidade das informações que, consequentemente, impactam na qualidade da assistência.
Inovações tecnológicas, ACS, Saúde da Família.
Mariana Bodoni Massocato Machado, Marcelo Alves Borges, Vanessa Colmanetti Borin Danelutti, Maria Carolina Santos Scozzafave, Mirela Modolo Martins do Val, Juliana Barcelos da Costa Lima, Ana Paula Raizaro