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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que exige diagnóstico precoce e acompanhamento multidisciplinar. No município de Castilho (SP), com cerca de 20 mil habitantes, há um vazio assistencial em neuropediatria, especialidade essencial para esse cuidado. A referência regional em Araçatuba situa-se a 120 km de distância e está sobrecarregada, o que compromete a integralidade do SUS. A experiência justifica-se pela necessidade de reduzir barreiras geográficas e interiorizar o acesso especializado através da saúde digital. O projeto ocorre na sede do Consórcio Intermunicipal do Extremo Noroeste de São Paulo (CIENSP) e beneficia inicialmente 26 crianças com TEA e suas famílias. A importância para o SUS municipal reside na qualificação do matriciamento e no fortalecimento das equipes locais, permitindo que o cuidado especializado alcance territórios distantes dos grandes centros promovendo um cuidado de qualidade segundo os princípios do SUS.
Temo como objetivo geral avaliar a implementação de um projeto piloto de teleconsulta em neuropediatria voltado ao cuidado integral de crianças com TEA, identificando desafios e potencialidades para a interiorização da saúde digital. Especificamente, busca-se descrever o processo de implantação da modalidade no contexto do projeto piloto e mapear os desafios enfrentados por profissionais, familiares e gestores. Além disso, a experiência visa identificar os benefícios da teleconsulta para áreas remotas e analisar a percepção dos envolvidos sobre a qualidade e resolutividade do cuidado oferecido. O propósito final é discutir a sustentabilidade dessa estratégia como ferramenta de apoio ao cuidado integral no SUS.
A experiência é desenvolvida por meio do CIENSP em parceria com o município de Castilho. Foram planejadas 26 teleconsultas iniciais, distribuídas em cinco períodos de meio dia ao longo de uma semana. A metodologia foca em consultas compartilhadas e interconsultas entre um neuropediatra remoto (localizado a 600 km) e a equipe multiprofissional que já assiste os pacientes localmente. Para a execução, um consultório na sede do consórcio foi equipado com notebook, telão e internet estável. O fluxo inclui a solicitação da consulta pela equipe do município de Castilho para a Regulação do CIENSP, agendamento sincronizado entre município e prestador, envio prévio de prontuários com históricos clínicos para o médico e o transporte dos pacientes até o local da consulta. As atividades seguem as normativas éticas e legais da Lei nº 14.510/2022 e as resoluções do Conselho Federal de Medicina.
A teleconsulta permitiu superar o vazio assistencial em neuropediatria na região, conectando especialistas a áreas anteriormente desassistidas. Os resultados qualitativos indicam uma melhoria na integralidade do cuidado, pois as interconsultas possibilitaram a adequação de planos terapêuticos e o suporte direto às equipes que realizam as terapias diárias. A modalidade reduziu drasticamente a necessidade de deslocamentos longos para centros de referência, diminuindo custos logísticos e o absenteísmo. Além disso, a estratégia favoreceu a elucidação diagnóstica e o início imediato de intervenções adequadas para as 26 crianças atendidas. A experiência demonstrou que o uso de consórcios intermunicipais é uma solução viável para suplementar lacunas da rede pactuada de forma resolutiva e qualificada.
A experiência evidencia que a telemedicina é uma ferramenta poderosa para enfrentar as desigualdades regionais e a carência de especialistas no interior do Brasil. Conclui-se que a união entre municípios e consórcios de saúde potencializa a oferta de serviços especializados, garantindo o direito à saúde integral onde as redes oficiais são insuficientes. As reflexões durante o processo apontam para a necessidade premente de atualizar os protocolos estaduais de atendimento ao TEA, incorporando as novas possibilidades da saúde digital. O projeto piloto demonstrou ser uma alternativa eficaz, e a expectativa futura é a expansão dessa modalidade para os outros 22 municípios consorciados ao CIENSP. Por fim, ressalta-se que o sucesso da iniciativa depende da integração contínua entre tecnologia e humanização no cuidado.
TEA, TELEMEDICINA, ESPECIALIDADE
CARLOS ROBERTO TENCARTE, DEMILSON CORDEIRO DA SILVA, ANA PAULA RAMILO TENCARTE