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O relato de experiência do projeto “Planejando o futuro” é iniciativa inovadora no sistema prisional paulista, iniciado em janeiro de 2024, na Penitenciária Feminina “Sandra Aparecida Lario Vianna”, tendo como parceiros na execução a Maternidade Santa Isabel de Bauru, os articuladores da Atenção Básica e Humanização-SES-SP/DRS VI-Bauru, e a Secretaria de Saúde do município de Pirajuí. Este projeto surgiu da necessidade de sistematizar os protocolos de acompanhamento da gestação, apoiando e redirecionando essas mulheres privadas de liberdade. A maternidade em contextos de privação de liberdade apresenta desafios únicos, e por isso, buscamos oferecer informações e recursos que garantam uma gestação saudável, respeitando a autonomia e protagonismo da parturiente, promovendo a vinculação entre mães e filhos. É Importante destacar que a maioria das mulheres descobrem a gestação durante sua inclusão na unidade prisional, dificultando os cuidados iniciais do pré-natal, sendo primordial uma atenção especifica, visto que a maioria se encontrava em situação de vulnerabilidade, vivendo em situação de rua, sendo algumas usuárias de drogas. A experiência é fundamentada na Lei de Execução Penal, que asseguram o direito à saúde e ao tratamento humanizado às mulheres privadas de liberdade, também consideramos a Lei nº 11.108/2005, que garante o direito a acompanhante durante o parto, e nas diretrizes do Conselho Nacional de Justiça, através das Regras Internacionais de Bangkok, que nortei
Avaliar a eficácia do projeto “Planejando o Futuro” no fornecimento de informações e recursos para gestantes e mães dentro do sistema prisional, visando garantir a produção do cuidado em saúde, bem como orientações sobre planejamento familiar e direitos reprodutivos das mulheres. Implantar e implementar a proposta do plano de parto, visando a garantia de direitos da mulher gestante, parturiente e puérpera privadas de liberdade. Analisar os desafios e propor reflexões sobre a importância da humanização no atendimento à saúde nesse ambiente Sistematizar e documentar as práticas adotadas durante os processos já existentes e em andamento com relação à assistência à saúde da mulher privada de liberdade, na unidade prisional em epígrafe. Identificar as principais barreiras enfrentadas pelas mulheres grávidas na unidade prisional, ressaltando aspectos sociodemográficos que contribuem para essa situação. Acompanhar o processo de implementação do plano de parto e pós-parto (incluind
O projeto está centrado no atendimento das mulheres gestantes, parturientes e puérperas da penitenciária, tendo a seguinte metodologia: Oficinas educativas: realizadas mensalmente abordando temas como cuidados pré-natais, direitos das gestantes, planejamento familiar e a importância do vínculo afetivo com os filhos. Atendimentos individuais: para discussão de dúvidas e preocupações específicas de cada participante. Atendimento médico individualizado: com equipe mínima de saúde garantindo o acesso a todo o pré-natal, com consultas e exames necessários. Parcerias com profissionais de saúde: as parcerias extra-muros estão baseadas em oferecer apoio especializado, através de médicos geralistas e especialistas, psicólogos, enfermeiro, farmacêuticos, assistentes sociais, entre outras ações. Ainda durante a execução do projeto, enfrentamos diversos desafios como: Resistência cultural: muitas mulheres relutavam em discutir sua saúde reprodutiva devido a tabus e estigmas relacionados à sexualidade e à maternidade no cárcere. Condições emocionais: as mães enfrentavam um estresse significativo, decorrente da incerteza sobre o futuro e condições durante o cumprimento de pena. Ações com parcerias internas: conscientizar a sociedade civil de sua participação efetiva nas parcerias para se concretizar ações com equipes multidisciplinares. Para contornar esses desafios promovemos um ambiente seguro onde as mulheres puderam expressar suas emoções e preocupações, e para isso, fo
Os resultados das primeiras fases do projeto foram indicativos de um impacto positivo significativo e foram analisadas através da participação ativa das mulheres privadas de liberdade gestantes e lactantes, e pode ser referenciada através dos dados quantitativos, como: Aumento do conhecimento: 95% das participantes relataram ter uma compreensão melhorada dos cuidados a serem tomados durante a gravidez, bem como seus direitos devidamente assistido mesmo em privação de liberdade. O entendimento sobre o poder de escolha: com relação ao plano de parto, puderam compreender sobre a sua autonomia nas escolhas durante a evolução do trabalho de parto. Valorização do vínculo maternal: as mães relataram um sentimento de empoderamento ao compreenderem a importância do seu papel na vida de seus filhos, mesmo em condições de privação de liberdade. Feedback positivo: além disso, cerca de 90% das participantes se mostraram mais confiantes em relação ao parto e ao cuidado com os recém-nascidos. Com relação ao plano de parto específico e apropriado para a mulher privada de liberdade o processo foi aceito de maneira significativamente positiva com a aplicação da cartilha personalizada criada entre os parceiros dos projetos.
O projeto “Planejando o Futuro” demonstrou que, apesar dos desafios do cárcere, é possível oferecer apoio significativo às mulheres privadas de liberdade durante a maternidade. A experiência destacou a importância de abordagens adaptadas ao contexto carcerário e o direito das mulheres a um parto digno. Pesquisas realizadas na primeira fase do projeto indicaram que as participantes sentiram-se mais confiantes, encontrando acolhimento tanto na unidade prisional quanto na Maternidade Santa Isabel, para onde são encaminhadas para a continuidade do cuidado. Recomendamos que futuras iniciativas possam revisitar políticas públicas para que possamos garantir cada vez mais os direitos das gestantes e das mães dentro do sistema prisional. Importante ressaltar a significativa contribuição da rede de apoio formanda durante a execução do projeto. O suporte dos profissionais de saúde da unidade prisional, da Maternidade Santa Isabel, da Secretaria de Saúde do Município, da Secretaria de Saúde – DRS VI de Bauru, entre outras instituições, foi crucial, para a eficácia da ação. Destacamos ainda a coragem das mulheres que compartilharam suas experiências, essenciais para o aprendizado coletivo que refletirá na continuidade das ações.
maternidade, carcere, saude da mulher
GRAZIELLA FERNANDA RODRIGUES COSTA, BRUNO WESLEY RODRIGUES, AMANDA SIERRA SARDI, LUANA RIBEIRO GARCIA MARZAGÃO, BIANCA NICOLIELO TORRES, MARIA FERNANDA ORTIZ DE OLIVEIRA, PATRÍCIA CRISTINA RITZ PAULO