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O Projeto Re-Ciclar SMS foi implementado pela Secretaria Municipal de Saúde como iniciativa estratégica voltada à integração entre mudanças climáticas, sustentabilidade ambiental e promoção da saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Desenvolvido no hall de entrada da Secretaria Municipal de Saúde, no período de 12 de junho a 30 de dezembro de 2025, configurou-se como experiência piloto, com potencial de replicabilidade para outras unidades da rede municipal. As mudanças climáticas constituem um dos principais desafios contemporâneos para a saúde pública, ao intensificarem a poluição ambiental, a geração de resíduos e os riscos sanitários, com impactos mais significativos sobre populações vulneráveis, especialmente as pessoas idosas. Nesse contexto, a gestão adequada de resíduos, o reaproveitamento de materiais e a educação ambiental destacam-se como estratégias essenciais para a mitigação de impactos ambientais e para a promoção de ambientes saudáveis ao longo do curso de vida. O projeto contribui para o envelhecimento digno e com equidade ao reduzir riscos ambientais relacionados à contaminação do solo, da água e do ar, fatores associados ao agravamento de doenças crônicas. A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), à Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3, 12 e 13 da Agenda 2030 da ONU.
O Projeto Re-Ciclar SMS teve como objetivo geral contribuir para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde, por meio da adoção de práticas sustentáveis no SUS municipal, promovendo equidade e envelhecimento saudável.
A metodologia baseou-se na implantação de coletores específicos para resíduos recicláveis em área de grande circulação da Secretaria Municipal de Saúde, favorecendo o acesso e a participação espontânea. Inicialmente, realizou-se o planejamento da ação, com definição dos tipos de resíduos e articulação com parceiros especializados em reciclagem e logística reversa. Foram estabelecidos três fluxos de coleta: tampinhas plásticas, pequenos eletroeletrônicos e pilhas usadas. As tampinhas plásticas foram destinadas à ONG Tampinhas que Curam, convertendo o material arrecadado em recursos para o tratamento de crianças com câncer. Os resíduos eletroeletrônicos foram encaminhados à Coopermiti, cooperativa especializada, e as pilhas ao programa Green Eletron, da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Paralelamente, foram desenvolvidas ações contínuas de educação ambiental, com orientações sobre consumo consciente, redução de resíduos e relação entre mudanças climáticas, meio ambiente e saúde. As atividades priorizaram o envolvimento de servidores, usuários do SUS e pessoas idosas, valorizando seu papel ativo na construção de ambientes saudáveis e sustentáveis.
Os resultados demonstraram aumento da conscientização ambiental no ambiente institucional da Secretaria Municipal de Saúde, com adesão progressiva de servidores, usuários e comunidade às práticas de descarte correto e reaproveitamento de resíduos. A ação contribuiu para a redução do descarte inadequado de materiais potencialmente poluentes, colaborando para a mitigação de impactos ambientais associados às mudanças climáticas. No campo da saúde pública, a experiência favoreceu a criação de ambientes mais seguros e sustentáveis, com redução de riscos ambientais relacionados à contaminação do solo e da água, fatores que afetam de forma mais intensa a população idosa e pessoas com doenças crônicas. Observou-se fortalecimento da compreensão sobre a relação entre clima, meio ambiente e saúde. Os resultados qualitativos indicaram fortalecimento da cultura institucional de sustentabilidade, estímulo à solidariedade intergeracional e reconhecimento do Re-Ciclar SMS como prática exitosa de promoção da equidade, da saúde ambiental e do envelhecimento digno no SUS municipal.
O Projeto Re-Ciclar SMS evidenciou que ações locais de redução de resíduos, reaproveitamento de materiais e educação ambiental contribuem de forma concreta para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a promoção da saúde no SUS. A integração entre sustentabilidade ambiental e políticas de saúde mostrou-se essencial para a construção de ambientes mais resilientes, inclusivos e saudáveis ao longo do curso da vida. A experiência demonstrou que a participação ativa de servidores, usuários do SUS, comunidade e pessoas idosas fortalece a corresponsabilidade socioambiental e amplia o alcance das ações de mitigação de impactos ambientais. O projeto reafirma o papel do SUS como indutor de práticas sustentáveis, alinhadas à equidade, à justiça social e à promoção de uma longevidade digna. Como perspectiva futura, destaca-se a ampliação do Re-Ciclar SMS para outras unidades de saúde, consolidando estratégias de saúde ambiental e adaptação às mudanças climáticas no âmbito municipal.
clima, sustentabilidade
KATIA CRISTIANE CREPALDI YAMAGUTI