Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O Projeto Ressignificar – “Colorindo Minha História” foi implantado em Julho de 2024 no município de Francisco Morato, pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NAVVI), diante do desafio de ofertar acompanhamento pisicólogico, ético e humanizado a crianças e adolescentes em sofrimento psíquico decorrente da violência sexual encaminhados pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) por meio da Escuta Especializada. Nos anos de 2024 e 2025 foram encaminhadas 641 crianças e adolescentes vítimas de violência (283 em 2024 e 358 em 2025), destas 347 foram vitimas de violência sexual, evidenciando a magnitude do problema no território. A violência sexual constitui grave problema de saúde pública, com repercussões emocionais, comportamentais e sociais que impactam diretamente a Rede de Atenção à Saúde. No SUS, impõe a necessidade de respostas qualificadas, humanizadas e intersetoriais. Diante desse cenário, a equipe técnica do NAVVI (1 coordenadora, 3 psicólogas e 1 assistente social, 2 diretoras), com apoio institucional, incorporou a arteterapia como tecnologia leve de cuidado, fortalecendo a atenção psicossocial, prevenindo agravos e promovendo a integralidade. A prática beneficia crianças e adolescentes em sofrimento psíquico decorrente de violência sexual, assegurando cuidado especializado, não revitimizante e alinhado aos princípios da universalidade, equidade e integralidade do SUS.
Promover o cuidado integral em saúde mental de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual no SUS, utilizando a arteterapia como estratégia complementar ao acompanhamento psicológico. Objetivos específicos: Favorecer a expressão emocional por meio de linguagens não verbais; Contribuir para a elaboração e ressignificação das vivências traumáticas; Reduzir sintomas de sofrimento psíquico; Fortalecer o vínculo terapêutico e a adesão ao acompanhamento; Qualificar a resposta da Rede de Atenção Psicossocial às situações de violência; Garantir atendimento ético e não revitimizante, em consonância com a Lei nº 13.431/2017.
A prática foi construída coletivamente pela equipe do NAVVI e institucionalizada como abordagem complementar aos atendimentos psicológicos. O fluxo inicia-se com acolhimento e avaliação individual. Após análise técnica, crianças e adolescentes são inseridos em grupos terapêuticos quinzenais, com até 10 participantes, organizados por faixa etária. São utilizadas atividades de desenho, pintura, colagem e modelagem como instrumentos de expressão simbólica e elaboração emocional. As estratégias são discutidas em reuniões técnicas quinzenais para planejamento, monitoramento e avaliação dos casos. A viabilização da prática ocorreu por meio de parcerias com empresas do setor privado: BIC Amazon S/A e a empresa Jandaia que contribuíram com a doação de materiais (lápis de cor, guache, tintas, papéis, cadernos, massinhas, pincéis), garantindo sustentabilidade sem ônus ao orçamento municipal. A equipe envolvida compreende 1 coordenadora, 3 psicólogas, 1 assistente social, 2 diretoras, apoio administrativo e direção institucional. Ao final do acompanhamento, os kits são doados aos participantes, incentivando a continuidade da expressão artística no ambiente familiar.
Desde Julho de 2024, todos as vitimas de violência sexual (347) foram inseridos no projeto. A arteterapia foi incorporada como prática permanente no serviço. Observou-se: Redução de sintomas como ansiedade, medo, vergonha e retraimento; Melhora na comunicação e na expressão emocional; Fortalecimento do vínculo terapêutico e maior adesão ao tratamento; Maior interação e sentimento de pertencimento nos grupos; Ampliação da escuta qualificada por meio de narrativas não verbais. No plano institucional, a prática qualificou o cuidado na Rede de Atenção a crianças e adolescentes em situação de violência sexual, fortaleceu a articulação intersetorial e consolidou parcerias que asseguram sustentabilidade. A experiência demonstrou ser replicável, de baixo custo e alto impacto psicossocial.
O Projeto Ressignificar consolidou-se como estratégia inovadora e humanizada no cuidado às crianças e adolescentes vítimas de violência sexual no SUS. A incorporação da arteterapia ampliou as possibilidades terapêuticas, respeitando singularidades e prevenindo a revitimização. A experiência reafirma a potência das tecnologias leves na atenção psicossocial, fortalece a integralidade do cuidado e evidencia que práticas de baixo custo podem produzir alto impacto sanitário e social. Os resultados alcançados superaram as expectativas iniciais e indicam potencial de expansão para outros serviços da rede municipal e para outros territórios. Como perspectiva futura, pretende-se ampliar a sistematização de indicadores e consolidar a experiência como referência municipal no cuidado especializado às vítimas de violência.
Arteterapia, Violência Sexual, Cuidado
JULIETA DE CASTRO, ALINE RODRIGUES, ARIANA DE OLIVEIRA LIMA, CINTHIA ALMEIDA S. UCHOA CAVALCANTE, ELAINE CRISTINA D. SILVA, JESSICA DE SOUZA DALCIM, VERONICA MARIA PEREIRA, GRACIELY SANTOS DE JESUS SILVA