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A inatividade física e o sedentarismo são fatores de risco para inúmeras patologias e agravos, e muito frequente nas doenças crônicas não transmissíveis. Segundo o Vigitel 2023 o Município de São Paulo é a capital brasileira com menor índice de atividade física em tempo livre, e ocupa o segundo maior percentual de adultos que despendem 3 ou mais horas diárias do tempos livre assistindo televisão. Muitos são os fatores que reforçam esse padrão: a organização da cidade, as discrepâncias de renda familiar e do nível de escolaridade, o tempo de locomoção na cidade entre trabalho e domicílio, a cultura da prática de atividade física, a dupla jornada de trabalho das mulheres, a quantidade de horas livres diárias, as ofertas e locais de atividade física, … entre outros. Em análise destes fatores, no ano de 2023 ocorreu a intensificação da aproximação entre a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer ( SEME), a Secretaria do Verde e Meio Ambiente ( SVMA) e a Secretaria de Saúde ( SMS) da cidade de São Paulo, o que culminou na criação do projeto Sampa Saúde em Movimento. As 3 secretarias envolvidas identificam como o objetivo comum a ampliação da prática de atividade física no município. E este se efetivou como ferramenta para o alcance dos objetivos específicos de cada pasta. Foram criados 15 polos de atividade física e avaliação antropométrica e nutricional, em parques distribuídos na cidade.
O Objetivo é ampliar a oferta da atividade física, em todas as regiões da cidade , em horários que facilitem a participação das pessoas que possuem vínculos empregatícios, em parques municipais e com a orientação de profissionais qualificados. Objetivos específicos : Incluir as atividades do Sampa Saúde em Movimento ( SAMPA) como instrumento de promoção e prevenção da saúde, atrelados aos planos de cuidado , individuais e coletivos, principalmente das pessoas que não podem frequentar os grupos de atividade física ofertados pelas UBSs em horário comercial. Fortalecer a constituição de uma Rede de atividade física intersetorial. Instituir modelo
O financiamento do projeto foi feito a partir do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil – MROSC, e conduzido por SEME. Foram contratadas equipes com por Educadores Físicos e Nutricionistas, para avaliação física e de bioimpedância, e orientações nutricionais conforme os objetivos individuais. As atividades (caminhada, corrida, fortalecimento muscular, danças, aeróbica, ginástica funcional, caminhada ecológica, entre outras) são realizadas de segunda-feira ao domingo, em horários entre 6:00 as 22:00 hs. As limitações de horário são impostas pelos diferentes horários de funcionamento dos parques. Para ingressar no projeto, é preciso se inscrever no site com os dados pessoais, e responder o PARQ. Seguindo, é realizada a avaliação física e a de bioimpedância. As orientações nutricionais são realizadas por teleconsulta, após o processo avaliativo. Existe uma agenda com as atividades descritas por parque específico, e muitas ofertas foram modeladas conforme a solicitação dos participantes. A função da SMS, após a construção do projeto, foi de criar um fluxo de encaminhamento de pessoas para ingresso e participação. Foi divulgado em toda a rede de saúde e estimulado para que os profissionais e equipes utilizassem as ofertas do SAMPA como ação complementar no plano de cuidado, quando o sedentarismo e a inatividade física fossem identificadas como fatores de risco/desencadeante, desde que não houvesse prejuízo às condição de saúde individual.
Muitos são os resultados obtidos ao longo de 2024. Maior utilização e circulação de pessoas nos parques públicos, criação de novas ofertas, agenda de atividade física supervisionada fora do horário comercial, mecanismo de monitoramento longitudinal dos objetivos propostos relacionados à prática de atividade física, participação popular na definição das práticas ofertadas nos parques e fortalecimento da rede de atividade física intersetorial. O modelo de aproximação intersetorial para a construção do SAMPA, se mostrou muito eficiente, onde através do objetivo comum, todas as secretarias envolvidas alcançaram os seus objetivos específicos. Até outubro de 2024 contabilizamos aproximadamente 9.000 inscritos. Durante o processo de avaliação trimestral, identificamos problemas com a divulgação do projeto no primeiro quadrimestre do ano, devido à sobrecarga no sistema de saúde causada pela dengue. Inicialmente foram realizadas distribuição de Banner com informações do projeto para as UBSs, reuniões com os territórios, reunião com os interlocutores regionais e locais, para o incentivo que o SAMPA compusesse, complementarmente, os planos de cuidado individuais e coletivos construídos pelas unidades básicas de saúde.
Embora muitos sejam os resultados positivos, no que tange a articulação intersetorial, e sobre ampliação da oferta de atividade física supervisionada no município; o número geral de participantes frustrou as expectativas iniciais. Essa frustação gerou perguntas que irão compor o planejamento do SAMPA em 2025: – Podemos fazer as ofertas de atividade física, em localidades mais próximas da residência dos munícipes? – Como envolver outras secretarias na divulgação do projeto? – Quais vínculos , com serviços e profissionais, poderão incentivar a maior adesão da população? – Quais foram as resistências dos profissionais da Saúde em incluir essa estratégia nos planos de cuidado individuais e coletivos; para promoção, prevenção e tratamento de condições de saúde? – Como melhor aferir o impacto da rotina de trabalho da população, e o tempo gasto na locomoção urbana, como fatores de desestímulo a participação no SAMPA? – Quais as razões para os profissionais de saúde não prescreverem a atividade física nos planos de cuidado? – Como qualificar o desenvolvimento da cultura da atividade física para que esteja presente ao longo de toda a vida, considerando atividades ofertadas, e os fatores socioeconômicos predisponentes?
Projeto SAMPA Saúde em Movimento, Atividade física
MARCELO TAKIISHI SCROCCO