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A Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de entrada e centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde (RAS), considerando os determinantes e condicionantes de saúde em um cenário em que a plataforma e-SUS APS promove fortalecimento da Estratégia de Saúde Digital (ESD)1,2. Rede de ensino e APS são a base do Programa Saúde na Escola (PSE), representando um marco histórico no processo de apropriação do espaço escolar como campo de saúde que evidencia melhores condições de saúde bucal – menores índices de cárie3, traumatismo dentário4 e condição periodontal5 – em escolas que desenvolvem ações de saúde e educação6,7. O PSE visa contribuir com ações de promoção, prevenção e atenção à saúde, enfrentando vulnerabilidades sociais que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e jovens da rede pública de ensino8. A ESD contribui de maneira resolutiva, possibilitando compartilhar na RAS a informação contida no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), com registro eletrônico dos procedimentos odontológicos e referenciamento dos escolares à UBS e Centro de Especialidades Odontológicas (PEC CEO) integrado à base de dados do sistema e-SUS APS9. Nesta perspectiva, o município de Franco da Rocha implantou o “Projeto Saúde em Ação” baseado no “Programa Sorria São Paulo” (PSSP)10,11, com realização de busca ativa e monitoramento das atividades, identificando escolas com maior vulnerabilidade social12.
Promover a reorganização do serviço em Saúde Bucal na APS, visando à ampliação do acesso, utilizando uma ferramenta simples de estratificação de risco em saúde bucal. Realizar a busca ativa em saúde bucal para promover equidade no acesso, acompanhamento dos casos e dos resultados pelo gestor e toda a equipe de saúde bucal. Expandir a informatização da APS e utilizar as plataformas PEC e-SUS APS para registro, monitoramento e compartilhamento de dados. Empregar a Saúde Digital para consulta e inserção dos registros de saúde, contribuindo para a evolução da estratégia eletrônica do Sistema Único de Saúde (e-SUS). Registrar os dados produzidos e os índices de dentes cariados, perdidos e obturados (CPO-D) encontrados em campo nas plataformas e-SUS APS e PSSP. Ampliar a adesão de escolares atendidos pelas equipes de saúde bucal no PSE. Caracterizar o percentual de adesão dos escolares ao Projeto “Saúde em Ação”.
A ação foi iniciada com a participação de cirurgião-dentista em reunião de pais, com esclarecimento sobre os objetivos do projeto, a importância da adesão, anamnese e autorização de tratamento. Em seguida, convite aos escolares interessados em participar do projeto, com exposição sobre a importância do cuidado em saúde bucal na melhora da qualidade de vida. A rede de ensino disponibilizou espaço para instalação de consultório odontológico portátil. Foram realizadas atividades educativas em sala de cinema, com vídeo, bem como grupos de evidenciação de biofilme e escovação supervisionada e entrega de escovas dentais. Todos os alunos foram submetidos a avaliação de índice CPO-D, orientações de higiene bucal e, quando indicado, condicionamento comportamental, atendimento individual com Tratamento Restaurador Traumático (ART) e referenciamento às UBS. Os dados foram registrados nos PEC e no PSSP para registro dos indicadores de saúde bucal registrados em campo. A coordenação estadual de Saúde Bucal viabilizou um grupo de comunicação eletrônica composto por 590 profissionais da odontologia, compartilhando boas práticas.
Houve participação massiva dos alunos interessados em fazer parte do projeto. Colaborativos, acreditaram no potencial do tratamento e da importância do cuidado, buscando melhora na qualidade de vida. A adesão ao programa resultou em 90% dos alunos. A experiência permitiu identificação dos índices CPO-D, registrados nos sistemas PSSP e PEC, complementada por atividades em grupo e cadastro de procedimentos e necessidades de tratamento. A contrapartida proporcionada pela rede de ensino nesta experiência teve impacto significativo na alta adesão observada, com depoimentos relevantes: “Foi um projeto muito válido, pela quantidade de crianças atendidas, foi gratificante devido a demanda das necessidades, são crianças carentes de cuidado. Após a ação, as crianças relatam que agora, quando precisam ir ao dentista não choram mais”. “A equipe de Saúde Bucal proporcionou um momento de aprendizado, essencial para os estudantes, reforçando hábitos saudáveis, que impactarão positivamente na saúde dessas crianças ao longo de suas vidas”. A utilização dos dados epidemiológicos e de produção ambulatorial possibilitou melhor compartilhamento de informações em uma plataforma integrada à base de dados do sistema e-SUS APS, promovendo transformação digital, acesso ampliado, integralidade e continuidade do cuidado em saúde, com os profissionais de saúde e gestores do SUS empregando soluções digitais inovadoras. Na saúde bucal, o usuário é protagonista de suas escolhas e está no centro do cuidado.
A experiência reafirma o potencial da ESD para promover a integralidade e a equidade no SUS. A integração entre saúde e educação, aliada ao uso estratégico de soluções tecnológicas e serviços de saúde digital no âmbito do SUS, permitiu ampliar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde bucal, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social. Os resultados alcançados, como a alta adesão e a melhoria na autoestima dos escolares, reforçam a importância de iniciativas que proporcionem prevenção, tratamento e educação em saúde. Para garantir a sustentabilidade, recomenda-se a continuidade do projeto, com monitoramento dos indicadores e participação social. Os resultados alcançados e a avaliação positiva pelos integrantes da rede de ensino atestam o êxito desta experiência, promovendo a intersetorialidade como parte norteadora no processo da integralidade, visando à ampliação da cobertura no território e da oferta do cuidado aos escolares, sobretudo os mais vulneráveis. A ESD mostrou-se estratégica ao desenvolver a intersetorialidade entre saúde e educação, no compartilhamento de informações, na qualificação das equipes e no emprego das plataformas e-SUS APS e PSSP.
Saúde Digital, Intersetorialidade, Educação
SANDRA DE MORAES REGONATO ANDRADE, PAULO ROBERTO BARBOSA