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Pretende-se aqui apresentar a experiência de criação de oferta de serviço de saúde às crianças de até 05 anos com suspeita e diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista. O Transtorno do Espectro do Autista (TEA) tem início precoce, curso crônico e é caracterizado principalmente por um desvio no desenvolvimento da sociabilidade e por padrões de comportamentos alterados, repetitivos e interesses restritos. O diagnóstico é clinico e baseado nos principais manuais de classificação internacional, DSM e CID e há um consenso na literatura de que um melhor prognóstico dos casos é obtido com a intervenção precoce. (Bosa e Teixeira, 2017). Tal experiência aconteceu no município de Capão Bonito, iniciada no mês de março do ano de 2023 e finalizada em dezembro de 2024. Foi desenvolvida por profissionais vinculados à equipe multiprofissional da Atenção Básica, contou com a colaboração e apoio da Secretaria de Saúde do município, das Equipes de Saúde da Família, da Central de Regulação de Vagas, da ONG CREAR e de incentivo financeiro privado e público, através de emendas impositivas. A proposta da experiência parte da identificação pelas equipes de Saúde da Família, durante o acompanhamento de puericultura, de crianças com atrasos nos marcos do desenvolvimento, principalmente da fala, culminado na necessidade de apoio diagnóstico, oferta ações de tratamento, habilitação e reabilitação, serviços ainda não ofertados no município para crianças dessa faixa etária.
GERAL Ofertar apoio diagnóstico a crianças com suspeita de Transtorno do Espectro Autista de até 05 anos de idade e realizar ações de intervenção precoce de maneira estruturada, intensiva, individualizada e de longo prazo. ESPECÍFICOS Capacitar a equipe multiprofissional envolvida na realização dessa experiência, sendo duas psicólogas, uma fonoaudióloga, uma nutricionista, uma fisioterapeuta e uma assistente social, para realização do apoio diagnóstico do TEA e para as ações de intervenção precoce Aquisição de instrumentos técnicos, brinquedos e materiais necessários ao apoio diagnóstico e a intervenção estruturada. Qualificar os profissionais da Atenção Básica para identificação precoce dos sinais de TEA.
Em março de 2023 houve a organização da equipe que realizaria as avaliações das crianças com suspeita diagnóstica de TEA, contando com duas psicólogas, uma fonoaudióloga, uma nutricionista, uma assistente social e uma fisioterapeuta, todas integrantes da equipe e-Multi. Também foi possível contar com uma médica pediatra, uma psiquiatra e uma terapeuta ocupacional, custeadas por uma doação privada. Com a formação de tal equipe iniciou-se os atendimentos semanais, encaminhadas pelas equipes de Saúde da Família do município, no espaço cedido pela ONG CREAR, que atende crianças a partir dos 18 meses até 14 anos de idade, sendo um ambiente seguro, acolhedor e receptivo. Concomitante a oferta de atendimento, a equipe participou de algumas formações e capacitações visando qualificação profissional necessária. Já no ano de 2024, os atendimentos multiprofissionais foram destinados somente às crianças com diagnóstico estabelecido de TEA, através do desenvolvimento de Projetos Terapêuticos Singulares. Também foram realizados grupos mensais aos pais, através rodas de conversa e orientações técnicas.
No decorrer do ano de 2023 foram realizados atendimentos multiprofissionais semanais a 30 crianças encaminhadas com suspeita diagnóstica de TEA, diante da confirmação diagnóstica a criança permanecia em acompanhamento com a equipe, caso contrário foi direcionada para a rede de saúde para acompanhamento que se fizesse necessário, tais como pediátrico, fonoaudiológico e psicológico, de caráter ambulatorial. No ano de 2024, 27 crianças permaneceram em acompanhamento multiprofissional semanal, as intervenções propiciaram ganho funcional e de autonomia, principalmente nos aspectos comunicacionais e de linguagem, aspectos de interação social e no desempenho de atividades da vida prática. Já os grupos de apoio aos familiares proporcionaram um maior engajamento dos mesmos no cuidado da criança, bem como um espaço de acolhimento às angústias e aflições diante do diagnóstico e tratamento. A equipe multiprofissional permaneceu em processo de qualificação profissional através de capacitações e formações durante os anos de 2023 e 2024 e no mês de novembro deste último, fora adquirida uma capacitação aos profissionais médicos e enfermeiras da Atenção Básica, sendo estendida aos demais profissionais da rede pública que atuam com crianças com TEA. Foram adquiridos diversos brinquedos e materiais necessários às intervenções terapêuticas, bem como dois testes psicológicos e uma escala de comportamento adaptativo. Todo custeio necessário decorreu das emendas impositivas recebidas.
Assim como os contos de fadas, o itinerário dessa experiência contou com fadas madrinhas que nos presentearam com financiamento financeiro e espaço acolhedor às crianças, sem os quais, toda proposta não deixaria de ser um faz de conta. Mas também nos deparamos com capitães Gancho ao passar por momentos desafiadores de mudanças dos profissionais da medicina, tão imprescindíveis na composição da equipe multiprofissional, e diante da necessidade mudança de espaço de atendimento. Garantir que crianças com transtornos tenham atendimento adequado leva à diminuição dos danos já causados e aumenta as chances de melhor prognóstico, além de ampliar a rede de fortalecimento e apoio aos familiares. As crianças acompanhadas em 2024 permanecem em acompanhamento no presente ano, agora inseridas na Casa da Criança, serviço especializado, recém-criado. Por fim, entende-se que o diagnóstico precoce do TEA, as intervenções terapêuticas e tratamentos, bem como o apoio familiar, devem ser assegurados pelo Sistema Único de Saúde visando contribuir para a redução de custos financeiros e sociais para as famílias e para os sistemas de educação e saúde. E plim, plim, plim…a história acaba assim.
TEA, atenção básica, intervenção precoce
GINO ARRUNÁTEGUI, LUCAS WASILEWSKI, LUCIANE ESPÍNDOLA FRANSON, MARTHA CINTRA LEITE RUGER SACCO, MICHELLE CRISTINE MARTINS, MOIRA SOUZA, SILVIA NARVAES, VERÔNICA LIMA RAMOS, VALQUÍRIA CAMPOS CAMARGO