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A pesca artesanal é uma atividade essencial para a economia e subsistência das comunidades da Baixada Santista. No entanto, as mulheres pescadoras enfrentam desafios relacionados à exposição prolongada ao sol, esforço físico repetitivo, entre outros agravos e acesso limitado aos serviços de saúde. Essa realidade impacta diretamente sua qualidade de vida, aumentando a incidência de doenças como câncer de pele, lesões por esforço repetitivo e doenças cardiovasculares. Diante desse cenário, foi desenvolvida uma ação educativa dentro do projeto “Rede de Mulheres pela Vida Marinha”, idealizado pelo Instituto Gremar, com foco na promoção da saúde ocupacional, prevenção de doenças crônicas e incentivo ao autocuidado. A atividade envolveu rodas de conversa sobre temas como prevenção do câncer de pele, saúde da mulher, vacinação, ergonomia e fortalecimento do uso do SUS. Além disso, a iniciativa contemplou a distribuição de protetor solar e protetor labial para proteção da pele das trabalhadoras. O impacto positivo da ação demonstrou a necessidade de ampliar a assistência à saúde dessa população, sugerindo o envolvimento dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CERESTs) para garantir um acompanhamento contínuo das pescadoras artesanais.
Promover a saúde ocupacional das mulheres pescadoras artesanais da Baixada Santista por meio da educação em saúde. Conscientizar sobre os principais riscos ocupacionais, como exposição solar, lesões musculoesqueléticas e doenças cardiovasculares. Incentivar a prevenção de câncer de pele, câncer de mama e câncer de colo de útero, enfatizando a importância dos exames preventivos e vacinação. Fortalecer o conhecimento sobre o SUS, garantindo melhor acesso aos serviços de saúde. Estimular a participação social e a organização comunitária para garantir melhores condições de saúde e trabalho.
Trata-se de um estudo descritivo baseado em relato de experiência. A ação foi realizada em seis municípios da Baixada Santista (Guarujá, São Vicente, Peruíbe, Itanhaém e Bertioga), envolvendo um grupo de mulheres pescadoras que atuam na coleta de mariscos e na pesca com barcos e redes. A estratégia utilizada foi a realização de rodas de conversa com duração de 1h30min, abordando os seguintes temas: Prevenção de câncer de pele e importância da proteção solar Saúde da mulher, com foco na prevenção do câncer de mama e colo de útero Riscos cardiovasculares e hábitos saudáveis Uso do SUS e acesso aos serviços de saúde Vacinação da mulher adulta Ergonomia e prevenção de lesões osteomusculares. Além das orientações, foram distribuídos protetor solar e protetor labial às participantes. Os relatos foram documentados de forma descritiva, sem coleta formal de dados quantitativos.
A experiência demonstrou grande aceitação e engajamento por parte das mulheres pescadoras, que relataram ter pouco acesso a informações sobre saúde ocupacional. A distribuição de protetor solar e protetor labial foi valorizada pelas participantes, que frequentemente negligenciam a proteção contra a exposição solar. Muitas mulheres desconheciam a importância da vacinação contra o HPV e hepatite B, bem como os riscos do câncer de colo do útero. Houve adesão ao incentivo para realização de exames preventivos e atualização vacinal. A ação também reforçou a necessidade de fortalecimento da participação social e do acesso ao SUS, principalmente em comunidades mais distantes. Destaca-se que as pescadoras manifestaram interesse em futuras capacitações e apoio contínuo à sua saúde ocupacional, o que reforça a importância do envolvimento dos CERESTs e da ampliação desse tipo de iniciativa para garantir assistência permanente a essa população.
A iniciativa demonstrou que ações educativas voltadas à promoção da saúde e prevenção de agravos são essenciais para a melhoria das condições de vida das mulheres pescadoras artesanais. A estratégia utilizada permitiu sensibilizar essa população para os riscos ocupacionais, incentivando práticas preventivas e fortalecendo o acesso aos serviços de saúde. A experiência reforça a importância de integrar ações de saúde ocupacional, meio ambiente e segurança do trabalho, tornando a promoção da saúde dessas mulheres uma prioridade dentro das políticas públicas. O envolvimento de instituições como os CERESTs pode garantir a continuidade dessa assistência, fortalecendo a inclusão dessas trabalhadoras em programas de saúde do trabalhador. A replicação dessa experiência em outras comunidades pesqueiras pode contribuir significativamente para a melhoria da saúde e da qualidade de vida dessas trabalhadoras, fortalecendo sua participação social e promovendo condições mais seguras de trabalho.
Saúde ocupacional, pesca, promoção da saúde, SUS
MARIÂNGELA LIBORIO