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A Coordenadoria Técnico-pedagógica do Departamento de Ensino, Pesquisa e Saúde Digital (DEPS) da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas em parceria com o Programa Municipal para a Primeira Infância Campineira (PMPIC) e Escola de Governo e Desenvolvimento do Servidor (EGDS) vêm desenvolvendo parceria de ação educativa junto a trabalhadores municipais de todas secretarias e autarquias, que estejam vivenciando processo de gestação natural ou adotiva e tenham interesse de ampliar a licença paternidade de 5 dias para 20 dias, sendo a certificação válida por 2 anos. Portanto, a ação educativa é voltada para futuros papais exercerem a paternidade com maior preparo para cuidar desde a gestação dos futuros bebês ou crianças adotadas, suas parceiras ou parceiros e/ou, outros filhos, amigos e familiares que farão parte desses cuidados. Tudo em consonância com as diretrizes Estatuto da Criança e do Adolescente e do Plano Municipal para a Primeira Infância Campineira.
O objetivo da ação educativa é estabelecer processo comunicativo com estes servidores sobre o tema gestação e parentalidade responsável para além do papel paterno, valorizando as possibilidades de criação vínculos seguros com bebê e parceira/o, companheirismo, promoção de cuidados e ambiente suficientemente bom para estimulação essencial aos filhos, prevenção de agravos, da violência obstétrica e, principalmente as necessidades de participação e compartilhamento de tarefas e responsabilidades.
A metodologia utilizada é ativa, centrada na sensibilização e aprendizagem significativa dos/as participantes em temas fundamentais para as famílias em gestação. A ação educativa ocorre trimestralmente desde outubro de 2022, na EGDS, em 4 encontros que ocorrem em dois dias consecutivos (14 horas divididas em 4 períodos no total).Ao se inscreverem, os trabalhadores interessados são incentivados a comparecerem com suas/seus parceira/os de gestação, seja ela natural ou adotiva, vigente ou em planejamento. São utilizadas técnicas didático-pedagógicas que facilitem o vínculo dos participantes, a troca de experiências, conhecimentos, habilidades e atitudes, que façam a diferença no processo. Temas abordados nos encontros: experiências de parentalidade (seja como pai ou como filho), expectativas com a nova gestação e novo vínculo com os filhos/as; a importância do pré-natal neste processo; gestação biológica e gestação adotiva em todos processos de gestação; sexualidade na gestação, compreensão do trabalho de parto e o direito a um parto não violento; puerpério e sofrimentos possíveis, vínculo afetivo, papéis parentais essenciais (holding, handling e apresentação do mundo); cuidados compartilhados do bebê(s) / criança(s) adotada(s); a importância da primeira infância no desenvolvimento humano e na cidadania.
A ação educativa em parentalidade responsável resulta em diversos benefícios, tanto para os pais quanto para os filhos. Os pais tornam-se mais competentes e confiantes em suas habilidades, enquanto os filhos desenvolvem segurança, melhor ajuste emocional, social e acadêmico. Uma boa parentalidade, afetiva, participativa e democrática contribui significativamente para o bem-estar e a saúde mental e física das parceira/os, aliviando-as/os de sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidados com as crianças. Já foram realizados 8 ações educativas nestes 2 anos e meio de projeto, com a participação de 145 servidores e 10 parceiras convidadas. A lotação dos participantes como servidores tem incluído: secretarias de Saúde, Assistência Social, Esporte e Lazer, Educação, Cultura, Meio Ambiente, Guarda Municipal, IMA, Orquestra Sinfônica, EMDEC entre outras. A avaliação dos participantes é bastante positiva destacando a estratégia pedagógica, a possibilidade de troca de experiências, a possibilidade de expressar dúvidas sem julgamentos, o clima de cooperação entre os participantes. Como pontos a serem melhorados tem sido apontado: espaço físico reduzido para atividades de interação, tempo insuficiente para aprofundamento, necessidade de abordar mais tópicos relacionados à gestação adotiva e questões de diversidade de gênero e parentalidade. Sugestões: ampliar tempo da ação educativa, expandir este tipo de ação para além dos servidores municipais.
A parceria intersetorial tem sido bastante positiva e com afinidade de objetivos. A demanda de participantes tem sido crescente e a necessidade de ampliação destas ações para além do conjunto de trabalhadores municipais se faz necessária, tendo também como perspectiva a formação de facilitadores nas unidades de saúde para que possam incluir o tema da parentalidade em estratégias de ações educativas como grupos de gestantes e de cuidados nos primeiros anos de vida.
parentalidade, ação educativa,papel paterno
FERNANDO CESAR CHACRA, VIVIANE SAYEMI ITO, JULIANA TURNO DA SILVA, ALINE GONÇALVES RUEDA, PRISCILA DE PAULA MARQUES, MARCELLE REGINA SILVA BENETTI, MARIANA DOLCE MARQUES