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Para abordar o atendimento odontológico nas escolas, é essencial compreender a Odontologia de Mínima Intervenção (OMI), que prioriza a preservação dos tecidos dentários por meio de estratégias como promoção de saúde, tratamentos não invasivos e minimamente invasivos. Entre as práticas estão a aplicação de fluoretos, selantes, cariostáticos e o Tratamento Restaurador Atraumático (ART).¹ Alinhadas ao cofinanciamento federal do Piso de Atenção Primária à Saúde (Portaria GM/MS Nº 3.493/2024) e a evidências científicas, as novas diretrizes estaduais impulsionam a OMI. Essa abordagem pode ser eficaz fora dos consultórios tradicionais, e, como o público-alvo são as crianças, a escola é o ambiente ideal para sua implementação. Em Diadema, um projeto piloto foi iniciado em uma escola municipal para combater a dificuldade de acesso à saúde bucal, reduzir agravos e promover saúde integral. Anualmente, o Programa Saúde na Escola (PSE) convoca crianças para tratamento nas UBS, mas muitas ainda não têm acesso. O projeto visa ampliar o alcance das ações de saúde bucal, oferecendo atendimento preventivo e educativo diretamente nas escolas, onde as crianças já estão inseridas.
Este trabalho tem como objetivo relatar a implementação do projeto piloto de Odontologia de Mínima Intervenção (OMI) em uma escola do município de Diadema, com o intuito de expandir a iniciativa para outras unidades escolares da região, bem como, multiplicar a técnica entre os demais profissionais da rede. A ação visa ampliar o acesso aos serviços odontológicos, reduzindo os agravos à saúde bucal por meio de estratégias que não apenas tratam, mas também previnem a ocorrência dessas condições.
A Coordenação de Saúde Bucal de Diadema formou um grupo de trabalho com dentistas, ASBs e TSBs, que participaram de oficinas presenciais e online oferecidas pelo Estado de São Paulo em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). Com base nesses conhecimentos, a equipe iniciou ações estratégicas para combater a cárie dental na comunidade, escolhendo a Escola Municipal Sagrado Coração de Jesus como local de intervenção. A Coordenação de Saúde Bucal articulou a parceria entre a escola e a atenção primária, realizando reuniões com a direção para apresentar o projeto. Após a aprovação, a equipe examinou as crianças para classificação de risco e organizou os atendimentos. Os passos da ação incluíram: 1. Organização de materiais e insumos; 2. Logística para atendimento; 3. Montagem de macas e mesas de apoio; 4. Triagem e classificação de risco de cárie; 5. Preparação de formulários de autorização e encaminhamentos às UBS, quando necessário; 6. Atendimentos clínicos na escola, com procedimentos a quatro mãos, utilizando macas improvisadas e mesas da escola; 7. Orientação de higiene bucal e escovação supervisionada, conduzida por TSBs e ASBs; 8. Atendimentos durante o horário escolar, sem interferir na rotina. A ação ocorreu em duas etapas: 04/09/2024 e 28/11/2024, promovendo uma abordagem integrada e eficiente para a saúde bucal das crianças e fortalecendo a parceria entre a escola e a atenção primária.
Após a avaliação dos dados coletados durante as ações, foram examinadas 265 crianças com idades entre 6 e 11 anos. Desse total, 115 crianças estavam elegíveis para o Tratamento Restaurador Atraumático (ART). Solicitamos a autorização dos pais ou responsáveis e iniciamos os atendimentos. Para atingir os objetivos, foram necessários dois dias de atendimento odontológico na escola. No balanço final, foram realizadas 114 escovações supervisionadas, 164 dentes restaurados com a técnica ART, 42 dentes selados com ionômero de vidro, além de outros procedimentos, como raspagem, curativos endodônticos e fluorterapias. As crianças que necessitavam de procedimentos cirúrgicos ou endodônticos foram encaminhadas à Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para a conclusão do tratamento, totalizando 42 encaminhamentos. O número total de tratamentos concluídos foi significativo, evidenciando a eficácia do projeto piloto, com 70 crianças livres da cárie dentária.
O projeto piloto demonstrou sua eficácia por meio da contabilização dos tratamentos concluídos. A promoção da saúde foi conduzida de maneira lúdica e acolhedora no ambiente escolar, garantindo acesso das crianças que, por diversas razões, não realizavam tratamento odontológico na UBS. Esse acesso foi efetivo, resultando em mais de 60% das crianças com cárie agora livres da doença. Durante os atendimentos, a equipe observou um comportamento colaborativo por parte das crianças, algo que nem sempre ocorre no consultório odontológico tradicional. O espaço escolar mostrou-se um ambiente propício para gerar impacto positivo, contribuindo para atendimentos mais humanizados. A odontologia de mínima intervenção, prática altamente eficaz e respaldada por evidências científicas, deve ser ampliada o mais rapidamente possível.
Mínima Intervenção, Saúde Bucal, PSE, ART, Diadema
CAMILE CRISTINA ZAMPIERI ORTEGA, DENISE CATÃO FLORENTINO SCHNEIDER, CRISTIANE FATIMA DE OLIVEIRA SILVA, GILMARA DA SILVA GUIMARÃES, CLAUDIA APARECIDA CORREIA, LAÍS LINO DE SOUSA, GLAUCIA TOBIAS ZANOTELLI, MARIA LUÍSA MIOTTO MARTINS GOMES, LUCIANE REIS MIYAMOTO, ELISÂNGELA APARECIDA SERAFIM, SANDRA DIAS MIRANDA, SELMA CASTRO SOBRINHO, DANIELA APARECIDA ROQUE, JANIE MARRY GOMES RAMOS MARANHÃO, POLIANA POIAN SOUZA, CAROLINE FIORELLI DOS SANTOS TIEZZI