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O ambiente escolar exerce um papel crucial na promoção da saúde integral das crianças, envolvendo não apenas os aspectos acadêmicos, emocionais e sociais, mas também o desenvolvimento da cidadania, além de contribuir para o fortalecimento das políticas públicas no Brasil. Nesse cenário, o Programa Saúde na Escola (PSE) emerge como uma ferramenta valiosa, fornecendo uma abordagem sistemática para a identificação e avaliação das necessidades de saúde dos escolares contribuindo para uma abordagem mais personalizada e eficaz do cuidado visando aprimorar as práticas de saúde e a promoção da qualidade de vida . Atibaia, município situado no estado de São Paulo, adotou o PSE como uma medida integrante de sua estratégia para melhorar a qualidade de vida dos alunos. Este estudo propõe uma análise abrangente do impacto do programa na rede municipal de ensino, com foco nos resultados obtidos a partir do levantamento antropométrico e da classificação de risco odontológico. Pretende-se investigar como tais resultados podem direcionar iniciativas de intervenção, prevenção e educação em saúde.
O objetivo deste trabalho é analisar o impacto do Programa Saúde na Escola no município de Atibaia, com ênfase no levantamento antropométrico e na classificação de risco odontológico, buscando compreender como esses dados podem subsidiar uma abordagem mais personalizada e eficaz no cuidado dos alunos.
Após pactuação entre saúde e educação, as unidades de saúde são orientadas a estabelecer contato com as escolas do seu território para obter informações cruciais para o planejamento de ações, incluindo dados dos alunos, autorizações dos pais e a definição conjunta de temas relevantes, alinhados com o perfil dos estudantes, em colaboração com a equipe educacional. Entre as atividades realizadas, além das atividades educativas, foram coletadas avaliações antropométricas e realizada a classificação de risco de cárie dentária, utilizando metodologias reconhecidas, a fim de avaliar as necessidades e priorizar as ações. Para a classificação de risco de cárie utilizamos a tabela sugerida pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo conforme os riscos abaixo: A: Sem história de cárie: somente hígidos B: Presença de dente restaurado C: Presença de lesão de cárie crônica e/ou presença de restauração provisória D: Presença de Mancha Branca Ativa E: Presença de lesão de cárie em sulcos, fóssulas e cicatrículas, sem comprometimento pulpar evidente F: Presença de lesão de cárie de face proximal, ângulos da borda incisal e terço cervical, sem comprometimento pulpar evidente G: Suspeita de Comprometimento pulpar ou periapical: pulpite, fístula, polpa exposta, abscesso, foco residual e dor. Após a coleta dos dados, os mesmos são inseridos em uma planilha especialmente desenvolvida para gerar relatórios de acordo com as necessidades da equipe.
Os dados antropométricos abrangem indicadores como peso, altura e índice de massa corporal (IMC) sendo que a análise desses resultados permitirá identificar padrões, áreas de preocupação e potenciais intervenções para promover hábitos saudáveis de nutrição e atividade física. Dos 4298 registros obtidos, identificamos 660 casos de obesidade(15,4%), 573 de sobrepeso(13,3%), 2701 de saudáveis(62,8%) e 364 de baixo peso(8,5%). Além disso, lançando mão dos filtros, conseguimos obter informações sobre as crianças participantes do Programa Bolsa Família (PBF), caracterizadas por alta vulnerabilidade, onde das 1058 classificações obtidas, 147 crianças apresentavam obesidade (14%), 117 apresentavam sobrepeso (11%), 689 estavam saudáveis (65%) e 105 estavam abaixo do peso (10%). Ao avaliar a prevalência de cáries e outras necessidades odontológicas, podemos desenvolver estratégias direcionadas para melhorar a saúde oral e prevenir problemas futuros. De um total de 11179 registros analisados, foram identificados 6827 classificações A(61,1%), 756 B(6,8%), 561 C(5%), 570 D(5,1%), 1132 E(10,1%), 956 F(8,6%) e 374 G(3,3%). Adicionalmente, ao aplicar o filtro para as crianças participantes do Programa Bolsa Família, dos 2381 registros, foram encontrados 1117 classificações A(47%), 167 B(7%), 149 C(6,2%), 142 D(6%), 332 E(14%), 319 F(13,3%) e 155 G(6,5%).
Ao inserir e analisar dados na planilha, podemos direcionar ações por área, escola e estudante, usando os filtros para extrair informações valiosas. A intersetorialidade, essencial nos trabalhos do PSE, permite realizar inúmeras ações, o que proporciona não apenas a oferta de serviços em um mesmo território, mas também promove a sustentabilidade das ações por meio de uma rede de corresponsabilização. Os dados do IMC auxiliam os nutricionistas na elaboração e direcionamento de cardápios específicos, além de facilitar a busca ativa das crianças para a participação em grupos de alimentação saudável e atividades físicas. No caso das crianças com problemas bucais detectados, a equipe encaminha uma carta de necessidade de tratamento odontológico, que é entregue aos pais para que busquem atendimento prioritário nas unidades de saúde. Nosso objetivo é ampliar as ações dentro do PSE, promovendo a conscientização e a responsabilização de todos os envolvidos, visando uma cobertura mais abrangente. Buscamos criar um histórico de informações que permita acompanhar os resultados de nossas intervenções e orientar novas atividades de forma mais precisa, de acordo com as necessidades identificadas em cada comunidade.
PSE, Saúde Bucal, Antropometria
Flávia Vasconcelos Corralo, Mauro Rogério Fuzetto, Grazielle Cristina dos Santos Bertolini