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O adoecimento oncológico envolve, além de desafios clínicos, repercussões emocionais e psicossociais que influenciam a experiência do tratamento e a relação com a equipe. Em cenários de alta complexidade, como a quimioterapia, o cuidado tende a se tornar técnico e impessoal, ampliando ansiedade e sensação de anonimato. Visando fortalecer a humanização e a comunicação terapêutica, o Prontuário Afetivo foi desenvolvido como instrumento complementar ao prontuário tradicional, registrando preferências e elementos identitários do paciente — como modo preferido de tratamento nominal, música favorita, vínculos afetivos, hobbies, time do coração e datas significativas. Ao valorizar a singularidade, a ferramenta aproxima equipe e paciente, qualifica o vínculo terapêutico e favorece interações mais empáticas, leves e significativas, especialmente na sala de quimioterapia, ambiente de longas permanências e menor interação social. Integrar informações afetivas ao cuidado cotidiano contribui para um atendimento personalizado e centrado na pessoa, fortalecendo acolhimento e confiança ao longo do percurso terapêutico.
Promover uma comunicação mais próxima e significativa entre equipe e paciente por meio do registro de informações afetivas e preferências pessoais, fortalecendo o vínculo terapêutico, ampliando o acolhimento, reforçando a prática de cuidado humanizado e valorizando a subjetividade do paciente para além do diagnóstico.
A intervenção consiste na coleta, durante as sessões de infusão, de informações afetivas e preferências pessoais (ex.: como o paciente gosta de ser chamado, música favorita, vínculos, hobbies, time do coração, datas significativas), por meio de abordagem breve, acolhedora e voluntária realizada pela equipe psicossocial (psicologia e serviço social). A aproximação é feita em momentos oportunos, com explicação do propósito (humanização e personalização do cuidado), respeito ao estado clínico, ao tempo de fala e ao direito de não responder. As informações autorizadas são registradas em formulário impresso (folha A4 com layout padronizado) e destacadas com canetas coloridas para facilitar a visualização. O documento é anexado ao prontuário físico e disponibilizado à equipe assistencial sem dados sensíveis, funcionando como gatilho para interações empáticas (ex.: uso de apelido, referência a gostos pessoais, reconhecimento de datas).
Aproximação e comunicação qualificada: maior “quebra de gelo” e diálogo em torno de interesses do paciente. Vínculo terapêutico fortalecido: percepção de reconhecimento para além do diagnóstico; atendimento menos impessoal. Ambiente mais leve na quimioterapia: redução da ansiedade situacional; incremento de conversas espontâneas. Engajamento multiprofissional: uso do prontuário afetivo como disparador de abordagens empáticas. Personalização do cuidado: microgestos (ajuste de música, menção a datas) geram sensação de acolhimento.
O Prontuário Afetivo demonstrou ser factível, seguro e de baixo custo, com impacto positivo na humanização do cuidado em oncologia. Ao integrar elementos da identidade do paciente ao cotidiano assistencial, favorece comunicação, vínculo e acolhimento, reduzindo a impessoalidade típica de ambientes de alta complexidade e potencialmente melhorando a experiência do tratamento. Como limitações, destacam-se a necessidade de sensibilidade clínica para abordar pacientes em momentos oportunos, a variabilidade da adesão (por humor/condições do dia) e o caráter qualitativo dos achados iniciais.
Oncologia, Humanização, Comunicação, Vínculo.
DANILO CARVALHO OLIVEIRA, FÁBIO CORREIA BARTOLOMEU JONER, JULIANA THAIS DE ASSIS, JULIANA TOSO CHAGAS CANTELLI, LILIAN FRANCO DE GODOI DOS SANTOS, MARIANA CESAR NASCIMENTO, RAQUEL APARECIDA BRITO CORDEIRO, RUY VICENTE DOS SANTOS