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Os sistemas sensoriais fornecem o tempo todo estímulos para o sistema nervoso central. Essas informações captadas do meio ambiente compõem a percepção, que é a habilidade de receber um estímulo e atribuir significado a ele. Nem sempre esses sentidos operam de forma eficiente, e diversos graus de deficiência visual podem acarretar enormes prejuízos para a aprendizagem e a socialização, principalmente das crianças, que vivem uma fase repleta de descobertas e de novas experiências visuais. A baixa acuidade visual na infância também determinará a qualidade da visão na fase adulta, por meio de um processo conhecido como maturação visual, em que o cérebro interage intensamente com a retina para interpretar, de forma cada vez mais eficiente ao longo do tempo, as imagens obtidas do ambiente. Por isso é tão importante que os estímulos recebidos sejam precisos e nítidos. Assim, a Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com as Secretarias de Assistência Social e Educação e com a instituição Associação de Pais e Amigos do Excepcionais de Batatais, iniciaram projeto intersetorial de prevenção, triagem e atendimento de acuidade visual para as crianças do primeiro e segundo ano escolar e pessoas com deficiência no município de Batatais/SP.
Prevenir a instalação da dificuldade visual, diagnosticar deficiência visual e ofertar a destinação dos óculos para pessoas com demanda identificada.
De acordo com a ArqBras Oftatamol (2004), durante a idade pré-escolar, a deficiência visual, muitas vezes, passa despercebida pelos pais. Já entre os escolares, cerca de 20% apresentam algum tipo de dificuldade visual que não relatam aos responsáveis ou aos professores. Esses dados só evidenciam a necessidade de ampliação da investigação acerca da qualidade da visão infantil, a fim de garantir sucesso escolar e nos relacionamentos interpessoais, além de permitir uma maturação visual adequada. Torna-se importante a realização da triagem oftalmológica para avaliar a acuidade visual e detectar erros de refração. A idade ideal para identificar erros de refração é entre zero a 6 anos de idade, período que reflete o maior desenvolvimento ocular da criança. A criança desenvolve, no início de sua vida escolar, atividades sociais e intelectuais, que se relacionam com suas capacidades visual e psicomotora. Durante o aprendizado, a função visual é primordial para obter a informação para uma correta leitura. Assim a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Batatais/SP, proporciona, junto a Secretaria Municipal de Saúde, atendimento, analise e triagem das crianças na rede municipal de ensino, para os primeiros e segundos anos e pessoas com deficiência e posterior, identificada a demanda do paciente é realizado fornecimento do óculos para pessoas que não tenham condições de adquirir, após análise social, realizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social, proporciona
O projeto atendeu ao todo 1.597 pessoas, sendo crianças da rede municipal, nos primeiros e segundos anos e pessoas com deficiência, que frequentam a rede educacional e social do município de Batatais/SP. Destes 1.597 pacientes, foram realizados a identificação de deficiência visual para demanda de atendimento de aproximadamente 400 pacientes com necessidades de utilização de óculos, dentre crianças e pessoas com deficiência. Posterior, foram atendimentos com óculos fornecidos pela rede pública, em atividade intersetorial, devido a demanda social, 123 pacientes, com entrega conforme modelo escolhido pelo paciente. Além de ser vital para a aprendizagem, concentração, interesse e interação social, a acuidade visual também está relacionada à saúde geral. Crianças e pessoas com deficiência que apresentaram suas demandas atendidas pelo projeto, demonstraram em sala de aula mais atenção e foco, demonstrando que muitas vezes os diagnósticos e apontamentos como indisciplina e falta de atenção, em verdade, pode ser uma demanda não identificada e verbalizada pelo paciente/aluno.
O projeto demonstrou que através do trabalho em rede intersetorial, podemos fomentar politicas públicas e pensar fora da caixa, conforme a demanda emergente nos nossos territórios de atendimento. A identificação da necessidade correta da criança e pessoa com deficiência, por vezes, evita encaminhamentos errôneos a rede de saúde, proporcionando um atendimento adequado com a demanda além da apresentada, muitas vezes, precisamos pensar além do que vemos ou que estamos pré programados a pensar. O projeto demonstra que discutir politicas públicas de maneira intersetorial e com visões e vertentes além do que estamos acostumados, amplia nossa capacidade de enxergar além do que se vê, possibilitando assim, um atendimento integral, de fato, ao paciente assistido.
acuidadde, escolas, pcd, intersetorial
BRUNA FRANCIELLE TONETI, ROGÉRIO DONIZETI TERCAL