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A adesão inadequada ao tratamento medicamentoso é um desafio persistente na Atenção Primária à Saúde (APS), impactando diretamente a efetividade terapêutica, o controle de doenças crônicas e a segurança do paciente. No território da ESF Ana Nery, durante visitas domiciliares realizadas pelas Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), foram identificadas dificuldades de quatro pacientes no manejo correto de múltiplas medicações, incluindo trocas de horários, esquecimentos e uso incorreto das doses prescritas. Considerando os princípios do SUS, especialmente a integralidade, o vínculo e o cuidado centrado na pessoa, as ACS assumiram papel protagonista na construção de uma estratégia simples, acessível e sustentável: a confecção de caixas organizadoras de medicamentos utilizando papelão reciclado. As caixas foram estruturadas com divisórias identificadas por períodos do dia (manhã, tarde e noite), adaptadas à realidade de cada usuário. A iniciativa surgiu a partir da escuta qualificada no território e da necessidade concreta observada pelas ACS, reforçando o papel estratégico desses profissionais na promoção da saúde, educação permanente e fortalecimento da autonomia dos usuários.
Relatar a experiência exitosa das Agentes Comunitárias de Saúde na confecção e utilização de caixas organizadoras de medicamentos produzidas com material reciclável como estratégia de apoio à adesão terapêutica. Promover organização do uso medicamentoso, reduzir erros relacionados à administração de medicamentos, fortalecer o vínculo entre equipe e usuários e incentivar práticas sustentáveis e de baixo custo na Atenção Básica.
A experiência foi desenvolvida no âmbito da ESF Ana Nery, equipe IV, a partir da identificação, durante visitas domiciliares, de quatro pacientes com dificuldades na adesão medicamentosa. Após escuta individualizada e análise da rotina de cada usuário, as ACS confeccionaram quatro caixas organizadoras utilizando papelão reciclado, reaproveitado de embalagens disponíveis na própria unidade. As caixas foram estruturadas com divisórias internas identificadas por períodos do dia e adaptadas conforme o número de medicamentos prescritos. Durante a entrega do material, foram realizadas orientações educativas individualizadas, com explicação detalhada sobre horários, posologia e importância do uso contínuo, além de reforço sobre possíveis riscos do uso incorreto. A ação contou com articulação da equipe da unidade para validação das prescrições e acompanhamento subsequente. As ACS mantiveram monitoramento durante visitas posteriores, avaliando compreensão, organização e dificuldades remanescentes, garantindo continuidade do cuidado.
Observou-se melhoria significativa na organização do uso dos medicamentos pelos quatro pacientes acompanhados. Houve maior compreensão quanto aos horários e doses prescritas, redução de relatos de esquecimentos e diminuição de erros na administração. Durante as visitas de acompanhamento, os usuários demonstraram maior segurança no manejo das medicações e relataram sentir-se mais confiantes no autocuidado. Além dos resultados práticos, destacou-se o fortalecimento do vínculo entre usuários e ACS, valorizando o papel desses profissionais como agentes fundamentais na promoção da saúde e na educação em saúde no território. A iniciativa mostrou-se sustentável, de baixo custo, ambientalmente responsável e facilmente replicável em outras microáreas. A experiência evidenciou que intervenções simples, contextualizadas à realidade local, podem produzir impactos relevantes na adesão terapêutica e na segurança do paciente na APS.
A experiência demonstrou que soluções construídas a partir da escuta qualificada e do conhecimento do território podem gerar mudanças significativas na adesão ao tratamento medicamentoso. O protagonismo das ACS reforça seu papel estratégico no SUS, especialmente na Atenção Básica, onde o cuidado se constrói no cotidiano das visitas domiciliares. A confecção de caixas organizadoras com material reciclável evidenciou que inovação não depende necessariamente de altos custos, mas de criatividade, compromisso e vínculo com a comunidade. A prática contribuiu para maior segurança do paciente, fortalecimento da autonomia e promoção do autocuidado, além de diminuir os atendimentos na unidade. Destaca-se que um dos pacientes acompanhados apresentou melhora expressiva nos parâmetros laboratoriais, com redução significativa dos níveis de colesterol total, triglicerídeos e glicemia, evidenciando impacto positivo da organização medicamentosa e das orientações educativas na adesão ao tratamento. Como perspectiva futura, pretende-se ampliar a estratégia para outros usuários com dificuldades semelhantes, consolidando a experiência como prática permanente na unidade e potencial modelo para outras equipes da rede municipal.
ACS COMO PROTAGONISTA DO CUIDADO, ADESÃO
FABIANA RITA DE CASSIA MAGRO, VANESSA HENRIQUE TAFURI, JULIANA TEIXEIRA DA SILVA, ALEKSANDRO MARTINS BALBINO, GISELE APARECIDA MAROTTO, ROSA BLANCA GARCIA VARGAS