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Em 2014 foi lançado as Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) produzido pela Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência que apresenta às ações e protocolos que podem ser usados na reabilitação a pessoa com TEA. O atual protocolo vai de encontro com as Diretrizes para a organização das ações de reabilitação na rede de cuidados à pessoa com deficiência, e inclui no protocolo não somente o paciente, mas a família, a comunidade, as barreiras e impedimentos que estão envolvidas no processo de reabilitação. Dessa maneira, o protocolo organiza o serviço de reabilitação para o atendimento e acompanhamento desse sujeito, utilizando não somente de um olhar biomédico, mas de um olhar social da deficiência, utilizando de um instrumento de avaliação do processo de reabilitação em que o atendimento inclui o acompanhamento da família, a escola, a comunidade, recursos da rede, e utilizando como recurso terapêutico o grupo. Ao qual o grupo é um dispositivo importante para a pessoa com TEA o que auxilia na sua constituição psíquica, e favorece para ele possa se organizar, espelhar ou diferenciar do outro, além de possibilitar a reestruturação psíquica do sujeito, dessa maneira, a atuação desse protocolo segue a linha da atuação em grupo como um recurso terapêutico capaz de atender as demandas e objetivos deste protocolo.
OBJETIVO GERAL: • Descrever e padronizar o fluxo de atendimento e avaliação interdisciplinar do usuário com transtorno do espectro autista no CERIV M’Boi Mirim. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: • Apresentar o fluxo e a avaliação dos usuários com hipótese diagnóstica a partir de um olhar interdisciplinar; • Descrever o acompanhamento para usuários com risco psíquico na primeira infância como forma de atuação na reabilitação como uma intervenção precoce na saúde mental; • Caracterizar o acompanhamento do paciente com diagnóstico fechado de TEA ou com suspeita no CERIV M’Boi Mirim
O Protocolo se organiza em: 1. Processo diagnóstico: Paciente que se encontra com uma hipótese diagnóstica de TEA, ou é necessário para o processo de reabilitação o diagnóstico diferencial. A elaboração do diagnóstico é realizada de maneira interdisciplinares sendo necessária no mínimo três categorias profissionais; 2. Intervenção precoce: Bebês e crianças de 0 à 3 anos que apresentem sinais de risco psíquico, e que se perceba a necessidade de intervenção precoce em relação a saúde mental. 3. Reabilitação a pessoa com TEA: se baseia prioritariamente em atendimentos compartilhados e em grupo. Os grupos são divididos por faixa etária e objetivos, ao qual se apresentam como: PUPA: Grupos iniciais de estimulação 2 a 5 anos; LAGARTA – Grupos de 6 a 9 anos; CASULO – Grupos de 10 a 13 anos; METAMORFOSE – Grupos de 14 a 17 anos; BORBOLETA – Grupos de 18 a 30 anos; 4. ACOMPANHAMENTO DA FAMÍLIA: A família e cuidadores terão papel primordial no processo de reabilitação, devido à necessidade de dar continuidade ao que é trabalhado no serviço, como para auxiliar na relação desse sujeito com o mundo, oferecendo e possibilitando a inclusão efetiva e a ampliação de repertórios sociais e culturais. 5. ATUAÇÃO EM REDE: O atendimento da pessoa com TEA não se limita às terapias no serviço de reabilitação, dessa maneira, tanto o paciente em reabilitação como a família podem ser encaminhadas, matriciadas ou orientadas em relação aos equipamentos da rede.
Até o mês de janeiro de 2024 foram inclusos em acompanhamento 84 pacientes com diagnóstico fechado de TEA; 55 bebês e crianças de até três anos com suspeita de risco psíquico sendo acompanhadas; seis categorias profissionais atuando de maneira interprofissional no processo de reabilitação, sendo elas: Psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, nutrição, profissional da educação física e fisioterapia; Em relação à família, 55 familiares participaram de grupos voltados somente para eles durante o processo de reabilitação. O instrumento utilizado para o acompanhamento da pessoa com TEA no CER foi o IFBRM ao qual é aplicado no inicio e final do acompanhamento, ao qual a pontuação se refere ao nível de independência das atividades funcionais, derivada da Medida de Independência Funcional (MIF), sendo eles: 1: Aprendizagem e aplicação de conhecimento; 2: Comunicação; 3: Mobilidade; 4: Cuidados pessoais; 5: Vida Doméstica; 6: Educação, Trabalho e Vida Econômico; 7: Relações e Interações Interpessoais, Vida Comunitária, Social, Cultural e Política. Os domínios que tem o score mais baixo estão em Aprendizagem e aplicação de conhecimento e Comunicação, porém isso varia de acordo com a idade, quando a idade é superior a nove anos, os domínios de Vida Doméstica e Relações e Interações Interpessoais, Vida Comunitária, Social, Cultural e Política são as que mais têm o score baixo.
O protocolo de TEA no CER mostrou potente para organização o trabalho tanto no serviço, quanto da rede de atendimento à pessoa com deficiência, visto que organiza o perfil de atendimento no equipamento, orienta a rede para partilhar o cuidado, fortalece a família e auxilia no cuidado compartilhado com a rede. A percepção da pessoa com TEA a partir da deficiência possibilita compreender quais são as barreiras externas que mais impactam a sua independência nas atividades, possibilitando atuar diante delas, e não somente no corpo da pessoa com deficiência, retirando o olhar biomédico e partindo de um olhar social. Dessa maneira, ter um protocolo orienta para conseguir compreender os objetivos, avaliar a eficácia do cuidado e do plano terapêutico, possibilitando que estejam integradas família, paciente, comunidade e rede de atenção à saúde.
TEA, Reabilitação, fluxo
Ana Paula Ribeiro Hirakawa