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Diariamente, pelo menos 85 brasileiros sofrem amputações de pés ou pernas na rede pública de saúde. Os dados da Sociedade brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) apontam uma alta progressiva a cada ano, na qual mais de 282 mil cirurgias foram realizadas no Sistema Único de Saúde de janeiro de 2012 a maio de 2023, sendo São Paulo o estado que mais executa esse procedimento com 59 mil cirurgias nos últimos onze anos. No CER IV M’ Boi Mirim os atendimentos ao paciente amputado eram realizados até a fase da pré protetização e direcionados para a única fila de espera do município de São Paulo, onde o paciente aguardava em média 13 meses para ser avaliado no ambulatório de prótese. Diante desse cenário, foi solicitado pela Secretária Municipal de Saúde que o CER IV M’Boi Mirim elaborasse o protocolo de protetização para aumentar a oferta de vagas promovendo um inicio na reabilitação em um tempo mais oportuno. O protocolo foi pensado em função das necessidades em que o individuo pudesse apresentar, reunimos uma equipe multiprofissional, incluindo visitas domiciliares além do acompanhamento após alta clínica. Visto que, a cada ano tem-se aumentado o número de indivíduos amputados elevando ainda mais o tempo na fila de espera fez com que o CER IV M’Boi Mirim, que já realizava os atendimentos preparatórios, elaborasse um protocolo para diminuir o tempo de espera para aquisição da prótese e proporcionar o processo de reabilitação completo na própria unidade.
OBJETIVO GERAL: Diminuir o tempo de espera na rede para que o paciente fosse avaliado com a equipe especializada em protetização dos membros inferiores. OBJETIVO ESPECÍFICO: Elaborar o protocolo para padronizar o fluxo de atendimento do paciente com amputação do membro inferior no CER IV M’Boi Mirim. Eleger ferramentas para a aquisição de indicadores do protocolo de protetização dos membros inferiores do CER IV M’Boi Mirim. Acompanhar o paciente no pós-alta realizando um follow-up de seis meses.
Inicialmente o plano de ação foi estabelecido da seguinte forma: Conversas entre a gerência e supervisão do CER IV M’ Boi Mirim com a rede de apoio. Nomeação dos gestores de processo. Reuniões entre a gerência, supervisão, gestores e equipe multiprofissional. Elaboração do protocolo O protocolo foi estruturado da seguinte forma: 1. Avaliação com a fisioterapia e posteriormente com o médico fisiatra da unidade. 2. Solicitações de exames complementares pelo médico fisiatra de acordo com o perfil do paciente. 3. Inicio da fase pré protetização com exercícios específicos associado ao acompanhamento com a equipe multidisciplinar. 4. Indicação para o mutirão de prótese 5. Treino com a prótese provisória, aplicação dos questionários específicos e acompanhamento com a equipe multiprofissional. 6. Visita domiciliar. 7.Indicação para a prótese definitiva. 8. Reavaliação física, reaplicação dos questionários e elaboração da alta. 9. Acompanhamento após alta com aplicação do questionário específico nos períodos de 30,60,90 e 180 dias. 10. No sexto mês aplicação do questionário: Medida Funcional de Amputados.
Houve um período de 02 meses para estruturação da equipe e elaboração do protocolo. A fila de espera dos pacientes do CER IV M’ Boi Mirim que antes era de 13 meses reduziu para 08 meses no primeiro mês de atendimento diminuindo progressivamente até alcançar 01 mês após o quinto mês da implantação do protocolo. Entre maio 2023 a janeiro de 2024 foram inclusos 27 pacientes amputados dos quais: 07 estão na fase pré protetização, 12 em reabilitação com a prótese provisória, 04 receberam alta clínica, 02 pacientes não protetizaram, 01 suspensão por instabilidade clínica e 01 óbito. Em relação ao perfil epidemiológico observamos: 20 pacientes do sexo masculino e 07 do sexo feminino com média de idade de 58 anos. Em relação ao nível da amputação obtivemos 14 amputações transtibiais, 11 transfemorais e 2 bilaterais. A principal causa das amputações foram 14 pacientes por consequências da diabetes mellitus, 10 por doenças vasculares, 02 por infecções e 01 trauma ortopédico. Em relação aos questionários específicos ainda não obtivemos resultados, já que os questionários foram inclusos após o inicio da reabilitação dos pacientes que recebeu alta.
No momento, o serviço se mostrou mais articulado com essas ações, conseguiu fortalecer a rede de atenção a pessoa com deficiência, e desenvolveu seus profissionais para terem uma ação voltada para o cuidado integral e em rede e não somente pontual no serviço de reabilitação, ter essa visão ampliada do paciente possibilita que o cuidado seja compartilhado, assim como preconiza o SUS. Dessa maneira, é necessário que cada equipamento de saúde esteja consciente da sua rede, assim como do seu território e as necessidades do mesmo, para poder criar articulações e ações pertinentes para tal, portanto, a gestão de matriciamento se mostra uma ferramenta necessária para o serviço de saúde.
protetização, protocolo, reabilitação
Amanda da Conceicao Teodosio, Daivison Lucas