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A Esporotricose é uma zoonose micótica causada por fungos do complexo Sporothrix schenkii. Atualmente em nosso país é uma doença endêmica com notificação de casos humanos e de animais em quase todas as Unidades Federadas, exceto Roraima. Em 2023 passou a ocorrer transmissão autóctone em Hortolândia. O programa municipal de vigilância e controle da esporotricose inclui suspeição, diagnóstico e tratamento de casos humanos e animal, monitoramento dos casos em animais e educação em saúde. É dirigida à população, aos profissionais de saúde e aos clínicos Médicos Veterinários. A existência de programa de vigilância e controle desta zoonose têm se mostrado cada vez mais importante, haja visto o aumento dos municípios com transmissão autóctone.
O objetivo é relatar as ações e a consequente organização do programa municipal de vigilância e controle da esporotricose através da integração entre o Departamento de Vigilância em Saúde (Vigilância Epidemiológica – VE, Unidade de Vigilância de Zoonoses – UVZ), Departamento de Assistência em Saúde, da Assistência Farmacêutica, Departamento de Atenção Especializada com vistas ao controle desta zoonose.
Diante da confirmação do 1º caso de esporotricose em felino, considerando os relatos da UBS Jardim São Bento, é definida a área para a realização da busca ativa de novos casos. Foi elaborada planilha com as informações para identificar casos suspeitos; as equipes de Agentes Comunitários de Saúde e da UVZ foram capacitadas para execução da ação. Os casos humanos suspeitos foram encaminhados à UBS e os animais foram avaliados pelos Médicos Veterinários da UVZ. Amostras dos animais foram encaminhadas ao laboratório de micologia do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo. Aos Médicos Veterinários foi encaminhado informe alertando para a ocorrência desta zoonose no município. Os tutores dos animais positivos foram notificados a manter os animais devidamente domiciliados e orientados quanto aos cuidados no manejo do animal. A doação do itraconazol por indústria farmacêutica possibilitou disponibilizar a medicação para o tratamento dos animais; visitas mensais são realizadas para acompanhar a evolução clínica até a cura. Foi elaborado protocolo municipal para suspeição, diagnóstico e tratamento de casos humanos, realizada capacitação municipal dos profissionais de saúde e estabelecido fluxo para o encaminhamento de casos suspeitos à atenção especializada, onde é realizada a coleta de amostra (biópsia) para o diagnóstico no Instituto Adolfo Lutz, tratamento e acompanhamento até a cura do paciente. O itraconazol foi incluído na Relação Municipal de Medicamentos.
A partir da primeira confirmação em felino, após as ações de busca ativa e sensibilização da população, dos Médicos Veterinários Clínicos particulares e dos profissionais de saúde foram confirmados 30 casos em felinos nos bairros São Bento e São Pedro, e 02 casos em humanos. Atualmente neste bairro há 02 animais em acompanhamento. Com a sensibilização da população, dos Médicos Veterinários, dos profissionais de saúde foram detectadas duas novas áreas com transmissão em animais e humanos, sendo os bairros Boa Vista e Vila Real, totalizando até este momento 13 casos em animais e 03 casos em humanos. Os casos humanos, inicialmente diagnosticados pelo critério clínico-epidemiológico, passaram a ter diagnóstico laboratorial.
A implementação do programa de vigilância e controle da esporotricose, que abrange tanto a saúde humana quanto a saúde animal, necessita de abordagem estratégica e integrada para enfrentar essa zoonose que tem se mostrado um desafio crescente nas áreas urbanas. O sucesso da implementação do programa depende de vários fatores interligados, desde o diagnóstico de casos humanos e animais (não há laboratório de referência do SUS para o diagnóstico animal o que representa grande fragilidade para o controle desta zoonose emergente) até a conscientização da população sobre esta zoonose e suas medidas preventivas. A educação em saúde voltada à população e aos profissionais de saúde humana e animal, é crucial para prevenir a disseminação da doença. É importante destacar que a implementação de programas de controle de zoonoses, como a esporotricose, exige um comprometimento contínuo e a manutenção de ações de vigilância epidemiológica para monitorar os resultados e promover adaptação de estratégias conforme a necessidade e realidade de cada região.
Controle, esporotricose, programa, vigilância
MILENA MARTINELLI WATANUKI LIMA, EVANDRO ALVES CARDOSO, MARCIANO POSSIDONIO ROBERT, IBRAIM BATISTA ALMEIDA, ISAMARA ARAÚJO CAMPOS, ANTONIO ROBERTO STIVALLI, DOUGLAS PRESOTTO, TOSCA DE LUCCA BENINI TOMASS, BEATRIZ FERRETTI