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A psicoterapia infantojuvenil no Sistema Único de Saúde (SUS) para casos complexos envolvendo crianças e adolescentes que passaram ou testemunharam situações de violência é uma prática pioneira da região sul da cidade de São Paulo, ofertada no distrito do Campo Limpo com a implantação da Equipe Especializada em Violência (EEV) em 2019, através da parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM) e a Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP). Este marco é um avanço importante no acompanhamento e tratamento em saúde dessa população no que diz respeito ao oferecimento de práticas de excelência em saúde mental. A intervenção psicoterapêutica neste serviço obteve resultados significativos no processo de desenvolvimento emocional da população atendida.
Este trabalho tem por objetivo relatar a vivência clínica na EEV Campo Limpo, na oferta de atendimento em psicoterapia para crianças e adolescentes vítimas e/ou testemunhas de violência na rede de saúde pública no município de São Paulo.
Trata-se de um relato de experiência a partir da prática clínica na EEV Campo Limpo, na qual é realizado a avaliação psicológica dos fatores de riscos psicopatológicos na primeira e segunda infância e adolescência, o manejo psicoterapêutico do trauma e a avaliação de risco da perpetuação da violência. A abordagem tem características correspondentes às fases de desenvolvimento do público alvo e os critérios de alta consideram os objetivos alcançados no processo psicoterapêutico. Os atendimentos são ofertados de forma individual, com frequência semanal ou quinzenal e tem duração de 45 minutos.
Foram observados prejuízos ao desenvolvimento psicossocial e emocional em decorrência da situação de violência, tais como baixo contorno afetivo das figuras parentais, afeto distanciado e vínculos fragilizados, repercussões negativas na dinâmica familiar, alterações nas funções executivas, humor e padrão de sono, prejuízos no convívio social e relações interpessoais, sentimentos de culpa e vergonha, desamparo, dificuldade em confiar em si mesmo e nos outros, conflitos relacionados à interpretação de situações potencialmente abusivas, lembranças e pensamentos intrusivos sobre a cena traumática, início precoce da vivência sexual e outros. O manejo da sintomatologia se dá por meio do vínculo e enquadre do setting através de ferramentas lúdicas e terapêuticas, visando o fortalecimento de recursos emocionais de enfrentamento, atenuação de fatores de risco para o desenvolvimento de quadros psicopatológicos, consolidação de fatores autoprotetivos, garantia de espaço seguro para reflexão e elaboração dos sentimentos e emoções vivenciadas a partir da violência. Dessa forma, facilita-se que a criança e o adolescente possam integrar aspectos cognitivos, lúdicos, afetivos, protagonismo e perspectiva de projeto de vida, favorecendo a ressignificação da vivência traumática. A alta clínica é realizada considerando a adesão ao acompanhamento, a contingência protetiva familiar e a redução dos impactos no desenvolvimento psíquico, emocional, social, ocupacional, familiar e comunitário.
Considera-se que a oferta de psicoterapia no âmbito do SUS contribui significativamente para a melhoria do cuidado em saúde de crianças e adolescentes vítimas e/ou testemunhas de violência, sendo uma experiência exitosa e inovadora. Portanto, se faz necessário o aprofundamento dos estudos dessa temática para o fortalecimento de políticas públicas nessa linha de cuidado.
Psicoterapia, criança, adolescente, violência, SUS
DANIELA MACEDO DE SÁ