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Este trabalho surgiu após alguns profissionais do CAPS observarem a dificuldade de referenciar o paciente em tratamento em saúde mental estável para Unidades Básicas de Saúde – UBSs. Iniciou com ação no território visando a conscientização sobre o olhar diferenciado e humanizado a estes pacientes que serão atendidos pela atenção primaria a saúde. E, para se obter uma melhor adesão pelos serviços iniciou-se um trabalho com os colaboradores locais, identificando quais suas loucuras, loucuras estas que não identificadas possam vir a dificultar o atendimento a população em tratamento em saúde mental. De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho, em 2021, os transtornos mentais foram a terceira maior motivação para afastamento do trabalho no Brasil, sendo as crises por ansiedade atingindo a primeira posição. Para esta ação trabalhou-se com a ideia de loucura no sentido de percepções e comportamentos que fogem ao controle da razão, aproximando da essência de humanidade e evidenciando que todos sofrem intrinsecamente. A Política Nacional de Humanização apresenta a valorização dos usuários, trabalhadores e gestores no processo de produção de saúde. Valorizar os sujeitos é oportunizar uma maior autonomia, a ampliação da sua capacidade de transformar a realidade em que vivem, através da responsabilidade compartilhada, da criação de vínculos solidários, da participação coletiva nos processos de gestão e de produção de saúde.
Sensibilizar e fortalecer os colaboradores da Atenção Primária a Saúde para acolhimento humanizado aos pacientes com transtornos mentais.
Utilizamos o método da psicoeducação a partir da escuta e do diálogo entre os sujeitos que se expressam e escutam seus pares. Foram organizados encontros compostos por colaboradores das UBSs e técnicos do CAPS Bom Clima com os seguintes temas: 1) Apresentação Caps Bom Clima; 2) Qual é a sua Loucura, e sensibilização em saúde mental; 3) Humanização do SUS e manejo de crise.
Inicialmente observou-se a resistência dos colaboradores em relação ao tema “Saúde Mental” e durante os encontros foram compreendendo o objetivo da ação. O relato dos profissionais explicita o sofrimento psíquico no processo de trabalho, onde se sentem pressionados e desvalorizados pelos usuários, colegas de trabalho, gestão local e municipal. Há uma percepção de falta de empatia e solidão na resolução de situações cotidianas. No entanto ao perceberem seus sofrimentos e dos demais colegas no grupo desenvolvem a percepção de que todos tem as mesmas necessidades humanas com suas possibilidades e desafios, contribuindo para um maior nível de consciência sobre o processo de adoecimento em saúde mental. Favorecendo a estratégia de humanização do Sistema Único de Saúde – SUS.
E notório a importância do acolhimento de todas as pessoas envolvidas no cuidado em saúde mental como facilitador na articulação dos serviços de saúde, visando o atendimento humanizado aos usuários na rede de atenção psicossocial.
Saúde Mental, Humanização, Atenção Primária
MONICA POMPIANI MOBTU@HOTMAIL.COM, NEIDE JANE TAVAVRES DA SILVA, MAYARA SIQUEIRA GOMES