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O município de Terra Roxa conta com uma população de 7985 habitantes, possui 03 equipes de Estratégia de Saúde da Família, o que assegura 100% de cobertura populacional. Conta com uma equipe multiprofissional e com algumas especialidades para atender necessidades específicas do município. Em que pese todo o esforço da gestão, há dificuldades para a fixação de profissionais, médicos e enfermeiros nas ESF, o que foi minimizado com a alocação de profissionais do Programa Mais Médicos, porém em processo de qualificação necessária para o cuidado em Atenção Primária. Nesse contexto, considerando que em julho/2025, os municípios da região ratificaram o Contrato Organizativo de Ação Publica Ensino Saúde (COAPES) com Instituições de Ensino da região, foi desenvolvida uma parceria entre o Departamento Regional de Saúde, 4 municípios da região, o Programa de Matriciamento do Ambulatório Médico de Especialidades (AME ) e a Faculdade de Medicina de Barretos (que colaborou cumprindo sua contrapartida no COAPES) o que culminou no Projeto QUALIFICA APS. As instituições citadas delinearam e implantaram o Projeto Qualifica APS, com o objetivo de apoiar o processo de qualificação das equipes de saúde da família da região, através de um projeto piloto, do qual o município de Terra Roxa faz parte. O presente tem por objetivo relatar a experiência do município de Terra Roxa no projeto Qualifica APS.
•Qualificar os profissionais das equipes de saúde da família, in loco, para o cuidado na atenção básica; •Ressignificar temas estruturantes da ESF, como território, família, vulnerabilidades, rastreio e estratificação de risco; •Valorizar o trabalho em equipe, potencializando a atuação multiprofissional para o enfrentamento dos problemas do território; •Construir estratégias de intervenção, a partir da participação de cada equipe de ESF, considerando a singularidade de sua área de atuação.
A etapa piloto do Projeto Qualifica APS ocorreu tendo por base metodologias ativas de ensino-aprendizagem como a metodologia de problematização, com a participação de médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e profissionais da equipe multiprofissional. Houve realização de 05 Oficinas locais, com carga horária de 20 horas na Oficina e mais 10 horas de atividade de dispersão. Para conduzir esse processo foi aberto um chamamento regional para facilitadores, sendo selecionados vários profissionais, dentre eles médicos de família, enfermeiros e dentistas, que após aprovação dos gestores em CIR, foram liberados para apoiar o município de Terra Roxa e outros municípios envolvidos no projeto piloto. Os facilitadores passaram por formação prévia à realização de cada Oficina (sobre metodologias utilizadas e temas relacionados às atividades), além de prover feedback dos trabalhos realizados in loco e organizar os temas para a oficina seguinte. Os grupos de participantes das Oficinas eram compostos pelas equipes de saúde da família, com o intuito de dialogarem entre si sobre os problemas reais e construir estratégias de intervenção
•As equipes de ESF ampliaram o olhar para os problemas do território, como pessoas em situação de rua e outras vulnerabilidades, através da abordagem, organizando mais adequadamente o cuidado. •Maior articulação da Atenção Básica com a equipe multiprofissional, qualificando o cuidado através da elaboração de Projetos Terapêuticos Singulares para casos difíceis; • As Reuniões de equipe ganharam outro valor: como espaço de produção de cuidado e não apenas de informes e queixas; •Elaboração de projetos pelas equipes de ESF, já durante o período das Oficinas para atenção ao uso abusivo de álcool e drogas; elaboração do percurso do paciente hipertenso e diabético na atenção primária, identificando pontos críticos e qualificando o cuidado, não apenas no atendimento individual, mas através de grupos multidisciplinares, com boa adesão da população; •Aproximação com a Instituição de Ensino e com profissionais especialistas em Saúde da Família, o que propiciou um olhar mais qualificado aos profissionais dos municípios acerca da responsabilidade pelo território, incluindo gestantes, crianças e idosos
O Projeto Qualifica APS agregou várias ferramentas para o cotidiano das equipes. O envolvimento crescente dos profissionais com as tarefas e projetos evidenciou a carência de conhecimentos específicos para o trabalho em APS, além de colaborar para a criação de vínculos entre as equipes. A continuidade prevista para abril de 2026 agregará temas como: de estratificação de risco e manejo clínico das condições crônicas. O projeto salientou a importância do papel de cada categoria profissional , além da necessidade de conhecimento do território no cuidados da comunidade. Processos que constituem princípios da ESF, mas que ainda precisam ser capilarizados entre as equipes de saúde.
Qualificação, Atenção Primária em Saúde.
CLAUDIA MARIA ANGELOTTI CORREA, TASSIA BUTION HRASTEL PADOVAN, MARIA APARECIDA SILVA CRISPIM, RITA DE CASSIA SANDRINI, VANIA SOARES DE OLIVEIRA E ALMEIDA PINTO, VANIA CRISTINA MARCHETI CAVALLARI, IVANA CLEMENTE CASTRO