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A experiência de Qualificação de Leitos foi desenvolvida a partir de uma necessidade identificada pelo Departamento de Qualidade da Secretaria Municipal da Saúde, devido à dificuldade em monitorar, de maneira padronizada e oportuna, a ocupação dos leitos hospitalares e de UPAs da gestão municipal. Antes da intervenção, as unidades enviavam informações em formatos variados e períodos distintos, o que comprometia a análise consolidada da rede, a identificação de pacientes com permanência prolongada e a compreensão do perfil clínico das internações. O projeto, embora de pequena escala, buscou testar e aprimorar o processo de coleta por meio de ciclos de aprendizagem rápidos. O desenvolvimento técnico foi realizado por estagiários de Tecnologia da Informação, com a participação das unidades hospitalares responsáveis pelo preenchimento das planilhas. A melhoria na qualidade dos dados impacta indiretamente a população usuária do SUS, ao favorecer a organização da RAS, garantindo acesso equitativo e assistencial mais eficiente.
Objetivo Geral: Qualificar o processo de coleta e análise das informações referentes à ocupação de leitos hospitalares e de UPAs, subsidiando a gestão na tomada de decisões e no planejamento assistencial. Objetivos Específicos: •Padronizar o envio das informações pelas unidades. •Avaliar ocupação, perfil clínico e permanência, com análise de CID. •Identificar necessidades de continuidade do cuidado, incluindo casos elegíveis para PTS. •Estabelecer ciclos curtos de aprendizagem por meio de PDSAs independentes. •Produzir indicadores consolidados que apoiem o planejamento da rede hospitalar.
A experiência foi estruturada em quatro PDSAs independentes, onde cada coleta correspondeu a um ciclo completo, com planejamento, execução, checagem e conclusão. Cada ciclo permitiu identificar oportunidades de melhoria no processo de preenchimento e na qualidade das informações enviadas pelas unidades. Os dados foram coletados por meio de planilhas no Google Sheets enviadas a cada hospital e UPA. Cada linha representava um paciente, com informações como unidade, CID, idade, sexo e tempo de internação. Após cada coleta, os dados foram tratados com Excel e Power Query para padronização e correção de inconsistências. Os indicadores e painéis visuais foram desenvolvidos pelos estagiários de Tecnologia da Informação utilizando Power BI, com elementos gráficos produzidos no Canva para facilitar a visualização e compreensão pelos gestores. O Departamento de Qualidade coordenou o processo, coube às unidades hospitalares a alimentação periódica das informações.
Os quatro ciclos PDSA possibilitaram identificar, a cada coleta, evoluções progressivas no envio de informações e maior padronização entre as unidades. Observou-se melhora na completude dos dados, maior comprometimento das equipes e maior consistência na categorização dos CIDs e tempos de permanência. O painel consolidado permitiu visualizar a ocupação por unidade, perfil clínico, permanência prolongada e potenciais encaminhamentos para continuidade do cuidado, incluindo PTS. Além disso, a experiência revelou gargalos, como atrasos no envio das coletas, inconsistências recorrentes em alguns campos e diferenças na interpretação das categorias entre unidades — elementos essenciais para orientar melhorias futuras.
Mesmo sendo uma intervenção em pequena escala, estruturada como quatro PDSAs independentes, a experiência demonstrou grande valor para a gestão hospitalar. Cada coleta gerou conclusões específicas e revelou oportunidades de melhoria no processo de monitoramento, reforçando a necessidade de continuidade e ampliação desse acompanhamento. Os achados evidenciam que a gestão da CAH/SEAH necessita manter um sistema de monitoramento contínuo para garantir eficiência, equidade e organização da RAS, em consonância com os princípios do SUS e as diretrizes da PNHOSP (2013). O projeto também fortalece a cultura de uso de dados na tomada de decisão, promove integração entre unidades e contribui para uma gestão mais qualificada e baseada em evidências. A experiência indica potencial para expansão, automação e incorporação a outras rotinas assistenciais
Gestão Hospitalar, Power BI, Qualidade Assistencia
IARA CRISTINA SILVA, FLAVIA MARIA PORTO TERZIAN, GUSTAVO HIDEKI ARAKAKI, ANA VITORIA BAETAS DA SILVA