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O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), aponta que a poluição do ar no município de São Paulo permaneceu acima dos níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nos últimos 22 anos. Um dos fatores que contribuem para a poluição atmosférica no município são as queimadas, sejam naturais ou antrópicas. Esse cenário não é diferente no Distrito Administrativo (DA) de Cidade Tiradentes, especialmente na área abrangida pela Unidade Básica de Saúde (UBS) Ferroviários, característica essa que fundamentou esse projeto vinculado ao Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS). O presente trabalho surgiu por meio de um incomodo dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da UBS, após observarem diversos focos de queimadas durante Visitas Domiciliares (VD) no território que, por vezes, estavam associadas à relatos de problemas respiratórios e/ou dermatológicos por parte da população.
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O tema foi discutido em reunião do Núcleo de Vigilância em Saúde (NUVIS) local, desdobrando-se no plano de ação deste projeto do programa municipal PAVS. Por meio de VDs realizadas pelos ACS e o Agente de Promoção Ambiental (APA) de referência, a equipe pôde analisar e compreender a percepção da população acerca do impacto e possível origem das queimadas. Os membros do NUVIS local foram matriciados pela enfermeira líder da comissão sobre os possíveis efeitos das queimadas na saúde humana. Posteriormente foram realizados momentos educativos em pontos crônicos de queimadas como áreas de ocupação irregular e praças, além de alguns parceiros do território como comércios, parques e escolas. As metodologias empregadas incluíram palestras expositivas, atividades lúdicas e gamificação, evidenciando estes momentos em registros fotográficos, listas de presença e ata de reunião. O monitoramento deste ensaio foi realizado mensalmente em reuniões do NUVIS Local, nas quais se apresentavam os avanços das ações em relação às metas estabelecidas. Os cadastrados que residiam a até 150 metros dos pontos de queimadas eram identificados e orientados. Também eram registrados todos os momentos educativos e o número de pessoas orientadas. Os pontos de queimadas eram monitorados pelos ACS e APA, e sinalizados quando eliminados. Conforme necessário a rota era recalculada e novas estratégias desenvolvidas para atingir os objetivos e metas do trabalho.
De acordo com os membros que compõem que compõem a comissão organizadora deste ensaio, o conhecimento da população sobre o impacto das queimadas na saúde humana aumentou significativamente após as ações educativas, em comparação com os relatos iniciais dos pacientes nas VDs e salas de espera. Cerca de 90% da equipe NUVIS e dos ACSs foram capacitados sobre o tema, e pelo menos 200 pessoas de diferentes faixas etárias participaram das atividades educativas, que se deram por batucadas, exposições e atividades lúdicas. Além disso, outro dado expressivo foi a redução dos pontos crônicos de queimadas no território, que foram reduzidos em cerca de 75% após as ações. Importante mencionar a contribuição deste para o alcance de metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 03 e 13, contribuindo assim para a Agenda 2030.
Este trabalho ampliou a visão da equipe sobre a relação entre queimadas, mudanças climáticas e o impacto na saúde da população. Os principais desafios apontados pela equipe foram a dificuldade da população em relacionar as queimadas aos problemas de saúde e o medo de denunciar incêndios iniciados por outros moradores. Essa denúncia era feita com bastante receio e insegurança. Contudo, o acolhimento da equipe foi crucial para superar essa barreira. A adaptabilidade das metodologias, desde palestras educativas até aplicação de magnificação, também foi essencial para melhorar a absorção das informações nas atividades educativas e visitas domiciliares. Deve-se incorporar essa prática na UBS Ferroviários, principalmente durante estiagens e ondas de calor, apresentando-se como possível modelo para outras regiões que apresentem cenários similares nos territórios de abrangência. Por fim, a equipe deverá voltar a atenção à sazonalidade, avaliando assim se a redução dos pontos crônicos das queimadas está associada às atividades realizadas ou às mudanças de estação.
queimadas
RAPHAEL HENRIQUE MARTINS, DANIELE VECCHIA DIONATO, EDMILSON ALEXANDRE DE SOUSA, KAREN CRISTINA BARBOSA DE MELO