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A lombalgia é uma das principais causas de consultas médicas, afastamentos do trabalho e incapacidade permanente. No Brasil, aproximadamente 27 milhões de adultos apresentam doenças crônicas na coluna, com a lombalgia sendo a mais prevalente (IBGE, 2015)1. Dados do Ministério da Previdência revelam que, em 2023, mais de 2,5 milhões de brasileiros foram afastados do trabalho por problemas de saúde, sendo a hérnia de disco a principal causa, seguida pela lombalgia2. A lombalgia pode ser aguda ou crônica. A dor crônica causa sofrimento, limita atividades diárias sendo uma condição de alto custo para sociedades economicamente avançadas, podendo levar à incapacidade permanente e aumentando a demanda por serviços de saúde3. As causas mais comuns incluem degeneração nas articulações, hérnia de disco, artrose e má postura. Fatores como sedentarismo, sobrecarga mecânica, movimentos repetitivos, tabagismo, ansiedade e condições de trabalho inadequadas também contribuem para seu desenvolvimento4. A auriculoterapia, técnica da Medicina Tradicional Chinesa reconhecida pela OMS e pelo Ministério da Saúde desde 1990 como Prática Integrativa Complementar (PIC), utiliza o pavilhão auricular como um microssistema do corpo. Ela é eficaz no alívio de dores, estresse, ansiedade e desequilíbrios orgânicos, oferecendo uma abordagem holística e promissora no manejo da lombalgia, especialmente em contextos de atenção básica à saúde5-6.
Avaliar a eficácia da auriculoterapia como prática integrativa e complementar no alívio da lombalgia em colaboradores de uma Unidade de Saúde da Família, considerando aspectos como redução da intensidade da dor, impacto na qualidade de vida e melhora funcional dos colaboradores portadores de lombalgia da USF “ Alcione Nassori”.
A pesquisa foi realizada com colaboradores da Unidade de Saúde Alcione Nassori com início em maio de 2024. Inicialmente, foram convidados todos os colaboradores da USF, foi enviado um questionário online por meio do Google Forms. O questionário incluía a Escala Visual Analógica (EVA) para avaliação da intensidade da dor, além de perguntas relacionadas ao tempo de duração, tipo de dor, sintomas associados, diagnóstico prévio e fatores de risco para lombalgia. A partir das respostas coletadas, foram selecionados colaboradores que relataram lombalgia e aceitaram participar do estudo. Esses participantes foram submetidos ao tratamento com auriculoterapia, composto por oito sessões. Os pontos auriculares utilizados durante o tratamento foram: SHEN MEN, RIM, SIMPÁTICO, ANSIEDADE, LOMBAR e SUBCÓRTEX, conforme os princípios da Medicina Tradicional Chinesa. Após a conclusão das oito sessões, os participantes responderam a um segundo questionário. Este incluiu novamente a EVA para reavaliar a intensidade da dor, bem como questões sobre a resolução das queixas iniciais e o nível de satisfação com o tratamento recebido. Essa metodologia permitiu avaliar de forma objetiva a eficácia da auriculoterapia no manejo da lombalgia entre os colaboradores, garantindo uma abordagem prática e centrada no participante.
Foram convidados 54 colaboradores, dos quais 30 responderam ao questionário inicial. Desses, 16 foram selecionados para compor a amostra final, composta por 93% de mulheres e 7% de homens, com idade média de 35 anos (variando entre 20 e 50 anos). No início do estudo, fatores de risco identificados foram: 100% dos participantes não eram tabagistas, 81% apresentavam ansiedade e 62% não praticavam atividade física. Na avaliação inicial da dor, a média foi de 44%, indicando dor de forte intensidade. Além disso, 37% relataram sofrer de lombalgia há mais de um mês, 50% não possuíam diagnóstico formal da condição e 81% não estavam em tratamento medicamentoso. Em relação ao ambiente de trabalho, 56% dos participantes consideraram que o local e os mobiliários favoreciam o desempenho de suas funções. Após o tratamento com auriculoterapia, realizado em oito sessões, um segundo questionário foi aplicado. Todos os participantes (100%) relataram melhora da dor. Em relação à intensidade da dor, a média foi de 56%, indicando diminuição para dor de baixa intensidade (1-3). Além disso, 94% relataram melhora na ansiedade. Quanto à satisfação, 50% dos participantes atribuíram nota máxima (escala de 1 a 10) para o tratamento, e 87,5% afirmaram não ter utilizado analgésicos durante o período do tratamento. Todos os participantes (100%) recomendaram a auriculoterapia para o manejo da lombalgia e declararam estar satisfeitos com o atendimento recebido pelos profissionais do CRI.
Os resultados indicam que a auriculoterapia foi eficaz na redução da intensidade da dor lombar e na melhoria da qualidade de vida dos colaboradores da USF Alcione Nassori. A técnica mostrou-se uma alternativa promissora para o tratamento da lombalgia, principalmente em casos crônicos, proporcionando alívio significativo da dor e satisfação. Além disso, a auriculoterapia apresentou benefícios não apenas físicos, mas também emocionais, sugerindo uma abordagem holística no tratamento da dor lombar. Esses resultados reforçam a importância da inclusão de práticas integrativas e complementares, como a auriculoterapia, no manejo da lombalgia, especialmente em ambientes de atenção básica à saúde.
Auriculoterpia, lombalgia, dor, trabalhadores.
MARISA CADÃO MARTANI, SIMONE REGINA FERMINO RODRIGUES, WANESSA CASTILHO VIDOTTO, ADRIÉLI DONATI MAURO