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Essa proposta busca promover a criação do espaço de reflexão e fortalecimento das famílias, diante das queixas escolares e desenvolvimento infantil. Além disso, a proposta também busca desmistificar a queixa depositada na criança, reconhecendo diversos fatores que podem contribuir para essas dificuldades, como aspectos emocionais, sociais e até mesmos fenômenos estruturais escolares. Portanto, é necessário um olhar amplo e abrangente para compreender todas as variáveis envolvidas. No acolhimento, realizado somente com os pais, é possível perceber, o modo de funcionamento familiar, bem como as emoções que flutuam diante do caso. Percebemos a importância de fazê-lo assim, pois a criança, já foi colocada como “causa de um problema” e ouvir dos pais e/ou responsáveis a queixa pode intensificar a problemática (im)posta. Tomando o caso pela singularidade, propomos uma interação da criança com seu meio, a fim de ultrapassar as limitações da criança e da família correspondente à queixa em questão.
A proposta busca estimular o fortalecimento entre família e escola, reconhecendo a importância de ambas no desenvolvimento das crianças. O trabalho de reflexão dos encontros na Atenção Básica, favorece encontrar formas de superar as dificuldades e estimular um desenvolvimento harmonioso das capacidades humanas. Não se tem como objetivo, aplicar técnicas psicopedagógicas, tampouco imprimir um diagnóstico escolar, mas estimular as potencialidades do sujeito colocado como questão e fomentar estratégias que visem minimizar os efeitos reativos, depositados a partir da queixa escolar.
Para realização deste trabalho, fundamentamos o olhar sobre o sujeito, com enfoque psicanalítico, a partir da interação do sujeito com o meio, questionando a posição dos envolvidos a olharem para si e a lidar com as questões que lhes travessam. A importância da teoria neste trabalho, ajudou-nos a compreender as formas de sofrimento e como as sequelas de suas marcas, interferem no funcionamento psicodinâmico em suas nuances psicossociais. Freud em o mal-estar da cultura (1929), alerta que “o homem tem que responder ao imposto, responder por conta própria e arcar com estas respostas”. Tal implicação ecoa pelos séculos e traz à tona a necessidade de reflexão, frente ao adoecimento moderno, do qual nos leva a pensar em suas implicações. Realiza-se o atendimento dos pais em grupo e posterior as crianças com seus pais, na tentativa de compreender os entraves existentes com as exigências sociais. Durante os encontros, atividades como: jogos educativos, jogos de perguntas e respostas, percepção da história de vida, desenhos livres, tem como a proposta a expansão da criatividade e liberdade de expressão O período deste acompanhamento é singular em cada caso, sempre direcionado a alta, após o exercício das orientações e aplicação no contexto.
Ao receber as famílias na UBS, não é incomum o discurso dos pais serem de uma relação remetente destinatário “a escola mandou”, soa como uma obrigação de trazer, muitas vezes carregados de justificativas “meu filho não é assim”. Toda essa fala carrega sofrimento, no sentido de tentar remediar um fracasso frente a condição exposta socialmente. Mediante os encontros, notou-se que a participação ativa familiar, bem como a minimização dos afetos danosos, favorece avanços mediante o desejo de: realizar tarefas; engajar os pares familiares na atividade. Nota-se que algumas queixas relacionadas as crianças participantes diminuíram com o passar do tempo no contexto escolar, o fato é validado no discurso familiar. Percebe-se também que as relações afetivas entre os pares também melhoram, contribuindo no desenvolvimento de habilidades, que até então eram tidas como problemáticas ou solicitantes de diagnóstico. Alguns casos, necessitam de apoio especializado; encaminhamos as especialidades disponíveis no SUS, a fim de promover uma integração do sujeito, frente as suas necessidades psicofísicas, quando estas se impõem a dificuldade da aquisição do desenvolvimento.
As mudanças no cenário da sociedade na modernidade, necessitam ser repensadas, pois o que se nota não é uma (in)capacidade de aprendizagem, mas uma (im)posição de um modo de apreender que se diferencia das gerações anteriores. O convite a aproximação da família com as questões escolares, pode favorecer a construção de espaços com maiores possibilidades de promover a função da qual a escola foi inventada a ocupar na vida de seus participantes. Todo ser humano nasce com potencialidades, o seu desenvolvimento dependerá dos investimentos destinados a ele, família, escola e sociedade, estão enlaçadas nesse plexo indissolúvel, conforme diz Jacques Lacan: “Não se nasce educador, senão com muito esforço.” Os efeitos da modernidade, tem inserido avanços tecnológicos que favorecem o aprender, contudo, por mais eficientes que sejam, não substituem o ser humano. Entende-se assim, que a preocupação não é o avanço da inteligência artificial, mas o retrocesso da inteligência humana.
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Cleber Pereira da Silva