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Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) foram criados com base na reforma psiquiátrica, com o objetivo de humanizar o tratamento de pacientes com transtornos mentais, promovendo a reconstrução da autonomia, cidadania e participação ativa nos espaços sociais. As unidades CAPS – Álcool e Drogas (CAPS AD) oferecem atendimento especializado no cuidado e reabilitação de pessoas com transtornos causados pelo uso de substâncias psicoativas, em diferentes níveis de dependência. A dependência química afeta diversas esferas da vida, prejudicando o desempenho das atividades diárias, gerando respostas mal-adaptativas, sentimentos de culpa e vergonha, baixa autoestima, isolamento social, transtornos mentais e prejuízos físicos. Nesse contexto, surgiu a necessidade de criar ações de responsabilização e vinculação dos pacientes, estimulando o desenvolvimento de seu potencial criativo e dinâmico, permitindo que exteriorizem suas vivências e assumam uma postura ativa no processo de reabilitação (PINTO, 2011). As Oficinas Terapêuticas (OTs) surgiram como uma intervenção mediadora desse processo. Segundo Saggese (2008), as OTs vão além de técnicas, sendo um recurso que fortalece a autoestima, promove a interação e participação social, e desenvolve habilidades individuais e autonomia.
Objetivo geral: Descrever as características de qualidade das oficinas terapêuticas sob a narrativa dos pacientes. Objetivos específicos: Discutir avaliadores de qualidade das OTs; analisar os benefícios das OTs como recurso de intervenção na saúde mental; desmistificar os estereótipos das OTs.
As oficinas terapêuticas em análise são realizadas no Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS AD) de Catanduva-SP, fundado em dezembro de 2018. Em seus seis anos de atuação, mais de 2 mil pacientes foram acolhidos, com 668 atualmente ativos. As oficinas são coordenadas por uma Terapeuta Ocupacional e executadas em conjunto com dois arte terapeutas, além da participação de outros profissionais da equipe multiprofissional, como enfermeira e assistente social. São realizadas duas oficinas simultâneas, em ambientes separados, com uma média de 10 participantes em cada, com duração de 2 horas, totalizando uma média de 4 oficinas por dia. As oficinas terapêuticas abordadas neste estudo incluem: Oficina Terapêutica de Feltro, OT de Pintura em Guardanapo, OT de Mosaico em EVA e OT de Pontilhismo, realizadas entre janeiro e dezembro de 2024, atingindo uma média de 60 pacientes. Para avaliar a percepção dos pacientes sobre as OTs, foi utilizada uma versão adaptada do instrumento semiestruturado “Indicadores de Qualidade de Projeto – IQP” (PINTO, 2008), aplicado a 16 pacientes que estavam ativos nas oficinas no momento da coleta de dados. Os dados foram analisados e comparados de acordo com os parâmetros: harmonia, eficiência, autonomia, dinamismo, felicidade, utilidade, estética, fortalecimento emocional, rede de apoio, transformação, criatividade, cooperação, coerência e pertencimento.
Perfil dos participantes: sexo masculino (14) e feminino (02), com idade médica de 48,5 anos de idade, com grau de instrução ensino fundamental incompleto (12), ensino fundamental completo (01), ensino médio incompleto (01), ensino médio completo (01) e ensino superior completo (01). Em relação ao tempo de participação nas oficinas, no período de 0 a 06 meses (03), de 07 a 11 meses (10), de 01 a 03 anos (01) e acima de 03 anos (02 pacientes). Os dados obtidos com as entrevistas evidenciaram que os indicadores relacionados à relação terapêutica, rede social, aprendizados e promoção de mudanças positivas tiveram pontuação significativa. O sentimento de pertencimento e quesito autocuidado foram citados de forma unânime (16), reforçando o resultado das intervenções realizadas com esse direcionamento. O indicador felicidade recebeu grande pontuação (14), evidenciando as OTs como espaço de melhora do humor e satisfação pessoal. Nos quesitos autonomia (12) e dinamismo (9), a pontuação foi regular, o que evidencia a necessidade de direcionar ações com estes objetivos, tendo em vista a importância da autonomia na vida social do sujeito para a tomada de decisões, responsabilização das ações e comportamentos .
A partir dos resultados conclui-se que os Indicadores de Qualidade de Projetos (IQP) foram úteis para guiar a coleta de dados, porém, por tratar-se de um estudo breve, optou-se por direcionar as respostas à alternativas, viabilizando o estudo. Durante a coleta de dados, a terapeuta ocupacional abordou e explicou cada item, oferecendo espaço para que os pacientes pudessem dialogar sobre sua percepção e respostas escolhidas; durante esse momento enriquecedor, os relatos mostraram que os entrevistados valorizam as Oficinas Terapêuticas e divulgam o serviço para demais familiares e conhecidos com dependência química, convidando-os a buscarem o CAPS AD para inserção no serviço e tratamento ambulatorial. Os resultados evidenciaram que os doze Indicadores de Qualidade de Projetos (IQP) estão presentes nas OTs, mas que torna-se necessário atenção e direcionamento para os quesitos autonomia, cooperação e dinamismo.
CAPS AD, Oficinas Terapêuticas, indicadores
NATHÁLIA CAMILO, EDUARDA OLIVEIRA DE ARO MARGONAR