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Antes de 1970, a saúde mental era tratada em manicômios. A reforma psiquiátrica, trouxe benefícios aos pacientes, famílias e profissionais. Ela mudou o tratamento de indivíduos segregados promovendo reintegração social considerando o paciente em seu ambiente, família e comunidade2. A reforma introduziu o acolhimento e escuta ativa que acontece durante o acolhimento, o paciente, compartilha informações sobre sua vida, permitindo um acompanhamento mais eficaz2,4. Os CAPS, regulamentados pela Portaria nº 336/2002, surgiram para tratar transtornos psíquicos com atividades terapêuticas em grupo. O CAPS II, por exemplo, atende pessoas com sofrimento psíquico grave e persistente em municípios com mais de 70 mil habitantes, oferecendo diversas atividades. A inclusão da família no tratamento é vital para a reintegração social e a autonomia do paciente2,3,6,7. O suporte aos familiares é crucial para garantir um cuidado multiprofissional eficaz. A interação entre pacientes e familiares é essencial para ressignificar experiências, oferecendo suporte e encorajamento. Esse cuidado domiciliar permite abordar diversas dimensões da vida do indivíduo, promovendo interação e construindo vínculos com foco nas dimensões emocionais5. Este estudo justifica-se para melhoria do atendimento em saúde mental.
Objetivo geral: -Identificar e orientar as dificuldades dos familiares dos pacientes portadores de transtorno mental e a importância que o CAPS II apresenta. Objetivos específicos: – Escuta qualificada; – Identificar as dificuldades dos familiares dos pacientes portadores de transtornos mentais; – Entender o nível de entendimento dos familiares dos pacientes portadores mentais quanto ao diagnóstico dos pacientes – diálogo; – Orientar os familiares dos pacientes portadores de transtornos mentais quanto a situações que apresentam duvidas.
Tipo de Estudo: Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório e descritivo. Cenário e população do estudo: A pesquisa será realizada em um CAPS II em Catanduva, São Paulo, envolvendo 14 profissionais que atendem pacientes e familiares. Os critérios de inclusão são os familiares de pacientes diagnosticados com Transtorno Afetivo Bipolar, Transtorno Depressivo Maior e Esquizofrenia. Os critérios de exclusão abrangem pacientes sem esses diagnósticos. Procedimento para coleta de dados: Os encontros presenciais no CAPS II de Catanduva ocorreram em um período de um ano, reunindo familiares de pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar e Esquizofrenia. O objetivo foi esclarecer dúvidas sobre os transtornos e destacar a importância do CAPS II e da família no tratamento. Os convites foram entregues durante visitas domiciliares a pacientes. No dia do encontro, os familiares assinaram duas vias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e um termo de consentimento de imagem. As dúvidas e considerações dos familiares e profissionais foram registradas para inclusão na pesquisa.
O papel dos familiares no envolvimento dos processos de tratamento é fundamental (Keitner 2024): “Nem todos os pacientes aderem, os familiares precisam estar mais presentes para compreender a doença e saber lidar e vocês como familiares são o ponto de apoio deles” E1. A família que coexiste com o sofrimento mental, torna-se vulnerável a problemas financeiros1. “ela depende muito de mim, eu tenho dificuldade com dinheiro” E2. Com o adoecimento do paciente, é comum que as famílias entrem para o auxílio, tomando as responsabilidades da casa1. “as vezes ele fica muito quieto dentro de casa, então a gente coloca rotina pra ele, e isso melhora muito, ele se solta mais” E5. “aqui no CAPS eles têm horário para tudo, porque pra eles a rotina é muito importante, e a gente planeja o tratamento dos pacientes com vocês” E7. As equipes do CAPS entendem que cada usuário deve ser avaliado de acordo com suas particularidades para permitir a construção de um cuidado continuado2. “o CAPS é um lugar importante que veio para diminuir as internações” E7. “depois que ele veio no CAPS meu filho melhorou muito mesmo, agora a gente chega lá e ele fica e conversa e antes ele se isolava quando chegava alguém” E8. “o tratamento do CAPS é muito bom, tem muito apoio, quando eu preciso vocês atendem a gente” E9. “antes ele viva internado, depois do CAPS ele não vai mais” E10.
A pesquisa no CAPS II de Catanduva evidencia a importância da colaboração entre profissionais de saúde mental e familiares no tratamento de transtornos mentais. A reforma psiquiátrica e a atuação dos CAPS são essenciais para a reintegração social dos pacientes, destacando a relevância da escuta ativa e do acolhimento. Os depoimentos dos familiares ressaltam seu papel crucial no suporte aos pacientes e as dificuldades enfrentadas, incluindo questões financeiras e emocionais. Fortalecer a educação e orientação dos familiares é vital para melhorar o manejo das condições de saúde mental e promover a autonomia dos pacientes. Este estudo, portanto, reforça a necessidade de um cuidado mais integrado e humanizado em saúde mental.
Saúde mental, família, diálogo, escuta qualificada
JULIANA APARECIDA CARNELOSSI, EDUARDA OLIVEIRA DE ARO MARGONAR, KATIA JANDIRA SILVA ALVES