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A experiência “RAPS Viva na Periferia” foi implantada no município de Francisco Morato/SP como iniciativa da Rede de Atenção Psicossocial, realizada pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS II, CAPS AD e CAPS IJ), com o objetivo de ampliar o acesso à saúde mental nos territórios periféricos e fortalecer os princípios da universalidade, integralidade e equidade do SUS. A proposta surgiu diante da identificação de barreiras de acesso aos serviços da RAPS, associadas ao desconhecimento da população e às múltiplas vulnerabilidades sociais presentes no território. A estratégia reorganizou a atuação da saúde mental por meio de ações itinerantes e intersetoriais realizadas em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS), escola, Centro de Referência Especializado em População de Rua (Centro POP), Fundo Social, Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) e abordagens de rua. A experiência beneficia populações em situação de vulnerabilidade social, pessoas privadas de liberdade, população LGBTQIA+, mulheres em situação de violência, pessoas em uso problemático de substâncias e população em situação de rua, consolidando a RAPS como política pública territorial ativa. Ressalta-se a parceria com a Sala de Apoio LGBTQIA+ e com o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NAVVI), em ações de fortalecimento de direitos e enfrentamento das violências.
• Ampliar o acesso à saúde mental nos territórios periféricos por meio de estratégia itinerante e intersetorial e matricial. • Fortalecer a RAPS como rede estruturante do cuidado em liberdade no município. • Desenvolver ações de prevenção do sofrimento psíquico, redução de danos, promoção da vida e reabilitação psicossocial. • Enfrentar desigualdades relacionadas a raça, gênero, orientação sexual e exclusão social. • Promover a inclusão produtiva dos usuários como estratégia de autonomia e cidadania. • Qualificar a Atenção Básica por meio do matriciamento em saúde mental. • Qualificar a gestão municipal por meio da articulação entre saúde, assistência social, educação e iniciativa privada, promovendo cuidado integral e resolutivo.
A experiência foi estruturada como estratégia permanente da gestão municipal de saúde mental, coordenada pela Coordenadoria de Saúde Mental e executada por equipe multiprofissional dos CAPS (II, AD e IJ), em articulação com as demais políticas públicas. As ações ocorrem mensalmente nos territórios, com planejamento intersetorial e pactuação prévia com os equipamentos locais. Foram desenvolvidas: – Rodas de conversa sobre prevenção do suicídio no território; – Grupos de redução de danos no CAPS e no Centro POP; – Abordagens de rua em parceria com o Centro POP; – Discussões sobre racismo e saúde mental no HCTP; – Ações sobre direitos e pautas LGBTQIA+; – Atividades de prevenção à violência contra a mulher com o NAVVI; – Sessões de auriculoterapia. Foi implantado o matriciamento sistemático nas UBS, com participação do médico do CAPS, incluindo discussão compartilhada de casos, visitas domiciliares conjuntas e apoio à condução de grupos de saúde mental nas unidades, fortalecendo a corresponsabilização do cuidado. Foram ofertadas sessões de auriculoterapia, como Prática Integrativa e Complementar (PICS) reconhecida pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, ampliando o cuidado e o manejo do sofrimento psíquico. Estabeleceu-se parceria com rede regional de supermercados, que informa ao CAPS II as vagas disponíveis (PCD e não PCD) para encaminhamento dos usuários. Há previsão de ampliação e inclusão de usuários do CAPS AD.
A experiência ampliou de forma significativa o acesso da população vulnerabilizada aos serviços de saúde mental no território, fortalecendo o vínculo entre comunidade, Atenção Básica e RAPS. Observou-se aumento da procura espontânea pelos CAPS após as ações realizadas em UBS e CRAS, além de maior integração entre saúde e assistência social. O matriciamento sistemático nas UBS, com participação do médico do CAPS, qualificou a condução clínica dos casos, ampliou a capacidade resolutiva da Atenção Básica e reduziu encaminhamentos desnecessários para atenção especializada. As visitas domiciliares conjuntas possibilitaram acompanhamento mais próximo de casos complexos, favorecendo adesão ao cuidado e corresponsabilização das equipes. Os grupos de redução de danos fortaleceram o vínculo terapêutico e ampliaram a permanência dos usuários em acompanhamento. As discussões sobre determinantes sociais do sofrimento psíquico promoveram sensibilização institucional e qualificação do cuidado. As sessões de auriculoterapia, ofertadas como prática integrativa (PICS), contribuíram para redução de queixas de ansiedade e estresse entre usuários e trabalhadores, ampliando o cuidado humanizado. A parceria com o comércio local possibilitou encaminhamento de usuários ao mercado formal de trabalho, promovendo inclusão produtiva, fortalecimento da autoestima e reconstrução de projetos de vida.
A experiência evidencia que a territorialização da saúde mental, associada ao matriciamento da Atenção Básica, à inclusão produtiva e à incorporação de práticas integrativas (PICS), fortalece a gestão municipal e amplia a efetividade do SUS. Ao deslocar o cuidado para os territórios periféricos e promover atuação intersetorial, o município reduziu barreiras de acesso, enfrentou desigualdades estruturais e consolidou o cuidado em liberdade como eixo central da política de saúde mental. A integração entre CAPS e UBS demonstrou que o matriciamento é ferramenta estratégica para qualificar a clínica ampliada, fortalecer a corresponsabilização e garantir continuidade do cuidado. A articulação com o setor produtivo evidenciou que autonomia, trabalho e cidadania são dimensões essenciais da reabilitação psicossocial. Como perspectiva, pretende-se institucionalizar a estratégia como política permanente, ampliar indicadores de monitoramento, expandir as parcerias para inclusão laboral — incluindo usuários do CAPS AD — e consolidar a experiência como modelo replicável para outros municípios.
PICS, Redução de danos, Matriciamento, LGBTQIA+
CRISTIANA DE FÁTIMA CORRÊA, JÉSSICA LEOCÁDIA ARAUJO PASSINI, CLEBER DE SOUZA FERREIRA, LEONARDO CEZAR ZANESCO DE SOUZA, MARCOS ALVES DA SILVA, ELAINE DALARME DOLCE, VANESSA CRISTINA SOARES DA SILVA, LÍDIA LOPES SILVA REIS, THAUANE PEREIRA GUEDES MARQUES, SAMANTA CRISTINA BAPTISTA, ARIEL DE SAN JUAN ABREU TURONI, LAURA ALVES FERNANDES DE MENEZES, JOSÉ RODRIGO DE MELO ROCHA, MARIA IZABEL MONTEIRO DE MORAIS, WALLY MATHIAS FÉLIX DE OLIVEIRA, ANA CAROLINE POSTINGEL ZUCCOLIN, ANA JÚLIA SOUZA PEREIRA, MINA SAGUTTI, LUIZA CARDOSO FREIRE PEREIRA, CLAYTON GUILHARDUCCI, CHARLES RODRIGUES FILHO