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O conceito de saúde sempre foi palco de grandes discussões: antes era difundido apenas como ausência de doenças, hoje é definido como a interação do indivíduo com os processos fisiológicos, patológicos, socioeconômicos, demográficos, culturais e ambientais. Essa interação favorece o entendimento da saúde como um aspecto global e multifatorial. As doenças infecciosas estão presentes, tendo maior aparecimento em algumas populações específicas, porém as doenças crônicas não transmissíveis apresentam um crescimento significativo, tendo destaque para as doenças cardiovasculares, cânceres, diabetes, enfermidades respiratórias crônicas e doenças neuropsiquiátricas. São responsáveis pelo aumento da mortalidade, perda da qualidade de vida, incapacidades, alto grau de limitações nas atividades de vida. O município de Santa Branca/SP possui de 15-18% de população idosa. A morbidade desta população é liderada por disfunções/doenças no sistema cardiovascular e respiratório. Nesse cenário, os exercícios físicos coletivos surgem como uma estratégia terapêutica eficaz, promovendo não apenas a melhora das condições clínicas (controle glicêmico, estabilidade pressórica e mobilidade), mas também o fortalecimento dos vínculos sociais. A criação deste grupo é fruto de uma atuação da equipe eMulti, com atuação interdisciplinar e intersetorial entre as pastas de Saúde e Esporte, unindo o monitoramento clínico à prática de atividade física como ferramenta de prevenção e promoção da saúde.
Promover a prática regular de exercícios físicos e atividades psicossociais a populações específicas através de protocolos definidos; Promover continuidade da reabilitação física, funcional e psicossocial pós-alta ambulatorial; estimular hábitos de vida saudáveis; possibilitar a diminuição de medicamentos de uso contínuo; promover ganhos funcionais e impulsionar a socialização/interação em grupo; promover ganho de força muscular, flexibilidade muscular e mobilidade articular; promover ganho d equilíbrio estático e dinâmico e aumentar capacidade aeróbia.
Indivíduos (homens e mulheres, dentro da faixa etária de 30 a 90 anos, sem limitações funcionais, cognitivas e interativas que impeçam a realização de exercícios e/ou atividades coletivas) dispostos em grupos. Realizam exercícios de fortalecimento e alongamento muscular, mobilidade articular, metabólicos-aeróbios, proprioceptivos, atividades terapêuticas (saúde mental) e orientações nutricionais. Critérios de inclusão e exclusão foram utilizados para a triagem e avalição dos participantes. Todos passaram por avaliação multiprofissional (fisioterapeuta, nutricionista e psicóloga). São alocados conforme disponibilidade de vagas, em dois horários e conforme avaliações. Os participantes deverão realizam 03 avaliações: no início, após 06 meses e após 12 meses. O programa de exercícios físicos com duração de 40-50 minutos; orientações nutricionais e abordagens em saúde mental entre 10-20 minutos.
O grupo conta atualmente com 147 participantes, na faixa etária entre 50 e 70 anos. Os pacientes apresentaram melhora da dor crônica, mudança nos hábitos alimentares, aumento da interatividade social, melhora da verbalização de sentimentos e sensações, ganhos funcionais, aumento da mobilidade articular global e força muscular e redução no número de quedas.
Observou-se uma melhora significativa nos indicadores de mobilidade, equilíbrio e força muscular. Tais ganhos são cruciais para a prevenção de quedas — um dos maiores riscos à integridade do idoso — e para a manutenção da Independência nas Atividades de Vida Diária (AVDs). O exercício físico atuou como um agente regulador, auxiliando no controle de patologias crônicas como a hipertensão arterial e o diabetes mellitus. Um dos desfechos mais notáveis foi a redução do isolamento social. O ambiente do grupo proporcionou um espaço de escuta e pertencimento, combatendo sintomas de depressão e ansiedade. A prática coletiva estimula a autoestima e a percepção de autoeficácia, fazendo com que o idoso se sinta novamente um agente ativo em sua comunidade. Em suma, o grupo de exercícios físicos demonstrou ser uma estratégia de baixo custo e alto impacto para o sistema de saúde pública. Investir em programas preventivos e coletivos para a população idosa deve ser política pública.
Envelhecimento; exercícios físicos; reabilitação.
CAIO DA CUNHA PINTO, TATIANA CLAUS SILVA